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Estado de Minas

Mercado reduz previsão de crescimento do PIB para apenas 1,24%

Pessimismo de consumidores e empresários cresce


postado em 17/06/2014 06:00 / atualizado em 17/06/2014 07:24

Brasília – As expectativas do mercado quanto ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano caíram fortemente desde a semana passada. Completando o mau humor, foram divulgados ontem diferentes índices que apontam perspectivas cada vez mais negativas de empresários e consumidores. O Boletim Focus, do Banco Central (BC), publicado semanalmente, apresentou ontem média das expectativas de 1,24% de crescimento para o PIB neste ano, bem menor que o 1,44% da semana passada. O número já vinha apresentando queda: há quatro semanas, a previsão era de 1,62%. No caso da inflação houve ligeira diminuição, de 6,47% para 6,46% quanto ao fechamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano. Câmbio e dólar ficaram estáveis.

Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, as previsões de instituições financeiras foram influenciadas pela divulgação, na sexta-feira, do IBC-Br de maio, com resultado de apenas 0,12%. O índice de atividade medido pelo BC tende a apontar, antecipadamente, a tendência para o resultado do PIB. Cresceram as apostas de um resultado negativo no segundo trimestre.

“Há elementos novos que preocupam. A inadimplência está cada vez maior para pessoas físicas e jurídicas. Como o consumidor está muito endividado, a inflação mexe com o orçamento familiar, assim como a alta dos juros. No caso das empresas, as margens vêm encolhendo há muito tempo, e chega uma hora em que isso começa a machucar. Elas já sofrem com os custos altos, e passam a sofrer ainda mais quando a demanda desacelera”, analisou Zeina.

A avaliação está em linha com índices divulgados ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), medida pela entidade do comércio, apresentou queda de 1,6% neste mês em relação a maio, para 120,4 pontos. Pela segunda vez seguida, o índice atingiu o menor nível da série histórica. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da CNI, caiu para 47,5 pontos neste mês. Foi o terceiro mês consecutivo em que o ICEI ficou abaixo dos 50 pontos. Está no nível de janeiro de 2009, auge da crise global. “O PIB sinaliza um segundo trimestre bastante negativo. Maio e junho devem ser complicados por conta de paradas durante a Copa, sobretudo no setor automotivo, que tem uma participação muito forte na produção industrial”, alertou Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

Agravantes Além do setor automotivo, indústrias de eletrodomésticos, eletrônicos e de móveis decidiram conceder férias coletivas aos funcionários ao longo deste mês e parte do próximo. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) aponta que 58% das empresas do setor preveem perdas em sua produção durante a Copa.

A economista Sandra Utsumi, diretora de renda fixa do Espírito Santo Investment Bank para a Europa, vê outros fatores de risco para o país, além dos internos. “Uma crise no Iraque que leve à elevação do barril do petróleo tipo brent para mais de US$ 115 pode influenciar na taxa de câmbio e trazer maiores dificuldades para o Brasil fechar as contas externas”, alertou. O barril para entrega em agosto era cotado a US$ 112,92 ontem. (Com Rosana Hessel)


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