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Estado de Minas

Lojas fecham mais cedo no primeiro dia de Mundial e comércio amarga prejuízo

Expectativa até o fim do torneio é ruim. Concessionárias projetam movimento 30% menor


postado em 13/06/2014 06:00 / atualizado em 13/06/2014 07:56

Na loja Mercado, no Bairro Funcionários a vendedora Raquel Lima diz que os clientes buscaram só produtos com alusão às cores da Seleçao(foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)
Na loja Mercado, no Bairro Funcionários a vendedora Raquel Lima diz que os clientes buscaram só produtos com alusão às cores da Seleçao (foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)

Na expectativa para a partida de abertura da Copa do Mundo, a torcida favorável à Seleção Brasileira, e os que torcem contra, ontem não teve tempo para mais nada. O foco era o Mundial. Nem os namorados atrasados se preocuparam em comprar um presente para as amadas. O efeito disso para o comércio foi de lojas esvaziadas em um dia em que muitos estabelecimentos fecharam as portas sem conseguir faturar um real sequer. O pior: a expectativa para o restante do mês é bastante negativa, com previsão de redução de vendas devido ao fechamento antecipado do comércio em dias de jogos do Brasil e nas partidas que serão disputadas em Belo Horizonte.

Na Savassi, as vendedoras da loja Agora é Maria não conseguiram registrar uma venda pela manhã. “O foco hoje não são as compras. É a espera da Seleção”, diz a vendedora Aline Rodrigues. Há dois meses na loja, ela sentirá no bolso o peso da queda nas vendas, por ser comissionada. Na loja Mercado, os raros clientes que entraram para olhar os produtos tinham foco único: os produtos personalizados com as cores do Brasil. “Noventa por cento entram para comprar algo para o jogo da Seleção”, afirma a vendedora Raquel Lima. Ela diz nem lembrar que era Dia dos Namorados. “Com certeza, a Copa estragou um pouco”, diz Raquel sobre as vendas.

O horário dos quatro jogos previstos para Belo Horizonte na primeira fase e a partida das oitavas-de-final é fator agravante para os efeitos de vendas no comércio. Os cinco jogos estão marcados para as 13h. Com isso, a maior parte das concessionárias de veículos vai ficar fechada. Segundo o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Minas Gerais (Sincodiv-MG), somente esses jogos podem reduzir em 30% as vendas. A explicação é que cada sábado representa aproximadamente 30% das vendas e cada dia útil 14%, retirando o percentual referente aos cinco dias em que não funcionará o setor, chega-se à retração por causa dos jogos. Para complicar, o feriado de Corpus Christi na quinta-feira da semana que vem representa menos um dia útil. E em partidas do Brasil, as concessionárias vão fechar três horas antes.

Segundo o vice-presidente do sindicato, Camilo Lucian Udison Gomes, os jogos aos sábados são os mais prejudiciais. “Na Alemanha, disseram que venderam bem. Aqui, a Copa é uma incógnita”, afirma. Não bastasse a redução nas vendas, dezenas de concessionárias tiveram que investir na colocação de tapumes para evitar depredação semelhante à do ano passado, que causou prejuízo de R$ 16 milhões. Em média, o desembolso é de R$ 40 mil por loja.

Na Concessionária Renault, o gerente Luiz Felipe mostra pessimismo (foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)
Na Concessionária Renault, o gerente Luiz Felipe mostra pessimismo (foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)
Pessimismo

Na rede de concessionárias da Volkswagen Mila, o efeito Copa do Mundo faz com que a previsão de vendas seja bastante pessimista. O gerente de vendas Flávio Souza espera queda de 30% a 40% em relação a meses anteriores. A baixa procura se agrava pela situação do setor nos últimos meses, que, com a restrição de crédito para financiamento, resultou em receita em baixa e demissões. Ontem, as lojas da Lagoinha e a da Pampulha funcionaram até três horas antes de a bola rolar, mas com movimento muito aquém de outros dias. Um recorde negativo: nenhum carro foi vendido na loja da Lagoinha pela primeira vez em um dia útil. O normal são de seis a oito unidades.

Amanhã, a unidade da Pampulha não abrirá, assim como as demais lojas concorrentes da região. Na Lagoinha, na concessionária da Avenida Antônio Carlos, uma equipe de vendas ficará de plantão caso algum cliente procure a rede. “Se vendermos cinco carros, vai ser muito bom”, diz Flávio. Para sábados, o normal são 15. E mais: sábado é o dia que as concessionárias usam para atender os clientes interessados na compra e que acabam retornando nos dias de semana. Segundo o gerente, de 50 pessoas que visitam a loja aos sábados, entre 15 e 20 efetivamente compram e o restante está pesquisando, podendo comprar durante a semana na Mila ou em uma concorrente da mesma marca.

Situação semelhante na concessionária Minas-France Renault: a unidade da Avenida Antônio Carlos ficará fechada nos dias de jogos em BH. Nas partidas do Brasil, as lojas da Pampulha e do Bairro Funcionários vão fechar as portas três horas antes do jogo. Mesmo no tempo em que as concessionárias ficarão abertas, a concorrência com a Seleção Brasileira é desigual. “O pessoal fica em casa para ver o jogo”, afirma o gerente do setor de semi-novos, Luiz Felipe Vilela. Ele diz que em todas as Copas do Mundo o volume de vendas cai, mas neste ano a previsão é pior.

No restaurante K-Bab, investimento em telão não atraiu mais clientes na hora do almoço ontem
No restaurante K-Bab, investimento em telão não atraiu mais clientes na hora do almoço ontem
Mesa vazia e porta fechada

Nos restaurantes, a dúvida foi cruel: investir em decoração e equipamentos para buscar novos clientes ou aceitar a queda no movimento e fechar as portas em dias de jogos da Seleção Brasileira. A segunda alternativa parece ter prevalecido, com muitos locais fechados na Região da Savassi em pleno horário de almoço ontem. Até mesmo restaurantes que se equiparam para tentar atrair clientela para os jogos da hora do almoço por enquanto amargam a redução na clientela. Com as empresas liberando os funcionários três horas antes da partida, ontem muitos aproveitaram para não fazer o horário de almoço e seguir direto para os bares aonde iriam assistir aos jogos.

No K-Bab, o proprietário Fernando Marcos Rocha comprou um televisor de 50 polegadas e um telão para a transmissão de todas as partidas da Copa do Mundo. Mas, em vez de mais clientes, ele viu o movimento muito inferior aos dias normais. “Está muito fraco. Pelo horário, era para estar lotado. Mas acho que ninguém está com grande expectativa”, afirma. Entre uma garfada e outra, o engenheiro Marco Antônio Bueno espiava a telona para ver as últimas notícias dos preparativos para o jogo da Seleção Brasileira. “Vou torcer para o Brasil. Espero que ganhe”, diz ele ontem, horas antes da partida. (PF)

Comércio em abril negativo

Brasília – O desempenho das vendas do varejo ficou negativo pelo segundo mês seguido. A Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou uma queda de 0,4% em abril na comparação com março. Nem mesmo a Páscoa foi suficiente para impulsionar os negócios e impedir o pior resultado desde 2001 para o mês. Os especialistas consideraram o recuo como um sinal claro de desaceleração do setor, devendo fechar o ano com um crescimento moderado em relação aos anos anteriores.

O pesquisador do IBGE Nilo Lopes informou que, na comparação entre abril e igual mês do ano passado, houve alta de 6,7%. Entretanto, ele ressaltou que esse avanço só foi possível porque, em 2014, a Páscoa foi comemorada no quarto mês do ano, diferentemente de 2013, em março. “O comércio está em um patamar de acomodação porque no primeiro semestre o consumidor tem que pagar impostos e despesas escolares dos filhos. Prova disso é que as vendas de tevês para a Copa devem ter ocorrido em maio e em junho”, completou. Em sete das 10 atividades pesquisas pelo IBGE houve retração nas vendas.


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