Rio de Janeiro – A assinatura do contrato de concessão do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão), realizada no Rio de Janeiro nessa quarta-feira, não vai corrigir os gargalos mais urgentes do terminal para a Copa do Mundo, como o sistema de ar condicionado insuficiente para conter as elevadas temperaturas, a apenas 71 dias de sua abertura. Na cerimônia com a presença da presidente Dilma Rousseff, o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wellington Moreira Franco, reagiu com ironia quando perguntado pelos jornalistas se, ao menos, a recorrente queixa sobre o mau estado dos banheiros seria resolvida. “O aeroporto está absolutamente preparado para a Copa. Dá tempo para limpar qualquer banheiro em 70 dias. Se não limpar, chamo o síndico”, respondeu Moreira Franco.
Na segunda-feira será a vez de ser assinado o contrato da concessão do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH. A expectativa também é de que a maior parte das obras não seja concluída antes da Copa por causa do atraso na formalização da concessão.
Apesar das cobrança aos futuros gestores, as melhorias no Galeão introduzidas por eles ainda vão levar meses para começar a serem sentidas pelos usuários. A começar de ontem o grupo vencedor do leilão, formado pela construtora Odebrecht (60%) e Changi (40%), de Singapura, terá 30 dias para apresentar um Plano de Ações Imediatas (PAI) à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que, por sua vez, terá outros 20 dias para aprová-lo.
Só a partir daí é que será iniciada uma etapa de gestão ainda liderada pela Infraero e acompanhada pelo operador privado. Essa fase, chamada de operação assistida, levará mais 70 dias. O consórcio Aeroporto Rio de Janeiro terá 51% da sociedade de propósito específico (SPE) que assumirá o terminal, ao lado da sócia Infraero, com 49%. Se tudo transcorrer sem turbulências, apenas em 11 de agosto, quase um mês após a Copa, se abrirá a transição administrativa, na qual a concessionária assumirá o Galeão, mas ainda assistida pela Infraero. Daí serão gastos três meses, renováveis por mais três.
Em seu discurso, Dilma pediu ao concessionário que busque a excelência do terminal de Cingapura, adminstrado pela Changi e considerado o melhor do mundo pela consultoria britânica Skytrax. “A gente não precisa desbancar o aeroporto de Cingapura, mas tem de procurar empatar com ele”, desafiou a presidente, ao lado do governador Sérgio Cabral (PMDB) e do vice-governador, Luiz Fernando Pezão, candidato à sucessão dele nas eleições de outubro. “O aeroporto precisa funcionar melhor e, até a Copa, exigimos melhorias rápidas”, alertou Marcelo Guaranys, presidente da Anac. O governo rejeita qualquer transtorno durante o evento esportivo.
Ao longo de 25 anos da concessão, o grupo vencedor vai investir R$ 5 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões até a Olimpíadas de 2016. Até este evento, serão acrescidas 47 posições de estacionamento de aeronaves, 26 de embarque, 68 balcões de check-in e 2.640 vagas de estacionamento. A área do pátio de aviões será, por sua vez, ampliada em 500 mil metros quadrados.
Apesar da longa tramitação da mudança de mãos, o presidente do consórcio, Luiz Teive Rocha, promete implementar desde já ações de melhorias nos banheiros, estacionamentos e na iluminação. Entre os itens a serem atacados de imediato está a colocação de mais pontos de energia nas salas de embarque e revisão dos sistemas de escadas rolantes. Três meses depois do plano de ação, será garantida gratuitamente internet sem fio em alta velocidade e a instalação de câmeras de segurança no estacionamento. Antes, a promessa também era de que serão ampliadas os locais de alimentação para o passageiro.
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Contrato de concessão do Galeão é assinado, mas gargalos só serão resolvidos após a Copa
Um dos problemas é o sistema de ar condicionado, insuficiente para conter as altas temperaturas no Rio. Assinatura acordo em Confins será na próxima 2ª
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