
Os empreendedores do Fashion City Brasil – complexo formado por shopping atacadista de moda, hotel e centro de convenções que está sendo construído em Pedro Leopoldo, na Grande Belo Horizonte – fecharam os primeiros contratos de cessão do espaço às grifes. Um terço do mall, composto por 551 lojas, já foi reservado, informou, nessa terça-feira, o diretor-presidente da empresa, Gilson Amaral Brito Jr. Acionista e gestor do projeto, ele está trabalhando na formalização do negócio em 12% das unidades e inicia em abril a apresentação do empreendimento ao varejo, uma espécie de campanha de lançamento que começa por lojistas do município e da vizinha Confins.
Inspirado no Mega Polo Moda, shopping de atacado e pronta-entrega do Bairro do Brás, em São Paulo, o projeto mineiro de uma Cidade da Moda, distante 4 quilômetros do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, de Confins, surge com a promessa de custos operacionais mais competitivos para as confecções. Segundo Gilson Amaral Jr., os aluguéis das lojas estão sendo negociados a R$ 100 por metro quadrado, cerca de metade do gasto do empreendimento paulista e a Cessão de Direito do Uso está avaliada em R$ 4 mil por metro quadrado, ante até R$ 10 mil na área do Mega Polo Moda.
A diferença dos custos e que deverá influenciar positivamente nos preços ao varejo, de acordo com o presidente do Fashion City Brasil, reflete a opção por um modelo mais moderno, racional e barato de construção horizontal, em pré-moldados, que dispensou o ar condicionado e os elevadores. A infraestrutura logística também contribui, servida de acesso viário que o governo estadual assumiu, por meio de uma alça secundária que liga as rodovias estaduais MG – 010 e 424, passando pelo aeroporto de Confins e pelo empreendimento dedicado à moda. O custo de operação deve ser de 60% do usual nos empreendimentos do gênero.
“Nossos clientes serão os varejistas qualificados do setor, empresas que geralmente estão na segunda geração dos proprietários, que viajam para conhecer novidades e escolhem bons fornecedores”, diz Gilson Brito Jr. Os empreendedores estão trabalhando para atrair marcas conceituadas de todo o país, das quais um terço será de Minas Gerais, numa gestão cuidadosa para evitar concorrência por meio de preços e canibalização. No alvo do shopping atacadista, orçado em R$ 141 milhões e que será o primeiro polo com abrangência nacional fora de São Paulo, estão 350 empresas fabricantes de moda e 25 mil lojistas varejistas, com perspectiva de compras efetivas de R$ 1 bilhão por ano.
Boa parte desse fluxo será, a rigor, de retorno de varejistas de Minas que fazem suas compras em São Paulo por falta de opção. Outra inovação está na oferta de pacotes de viagens de compras que os sócios do Fashion City Brasil vão negociar, num trabalho já iniciado com companhias aéreas e a rede hoteleira. O primeiro contato foi feito com a Gol Linhas Aéreas e os empreendedores contam com a assessoria da agência de turismo Libertas Viagens e Experiências. As obras do empreendimento deverão ser concluídas em dezembro.
Atração
O projeto da Cidade da Moda gera expectativas entre os empresários da indústria mineira de confecção. “Quanto mais empreendimentos tivermos, maior número de clientes vamos atrair, mas o sucesso do Fashion City também dependerá da forma como a gestão for conduzida”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria do Vestúario de Minas Gerais, Michel Aburachid. Para ele, o bom resultado dependerá da seleção de marcas reconhecidas pela qualidade dos produtos, do apoio à mobilidade dos clientes e da facilidade de acesso das confecções a custos mais baixos.
O presidente do Fashion City afirma que o empreendimento segue na linha da moda qualificada e em lugar de promover concorrência poderá estimular as vendas de polos de confecções e lojas tradicionais dos bairros do Prado ou Barro Preto, em Belo Horizonte. Ele cita como exemplo disso a própria experiência do Mega Polo Moda, do Brás, em São Paulo, que oferece transporte para o polo atacadista de Bom Retiro.
O complexo de Pedro Leopoldo será complementado por um grupo de fabricantes de bijuterias e joias, a partir de acordo firmado entre os empreendedores do shopping e o Sindicato das Indústrias de Joalherias, Ourivesarias, Lapidações e Obras de Pedras Preciosas de Minas Gerais (Sindijoias Gemas MG). O presidente do sindicato, Raymundo de Almeida Vianna, informou que serão ocupadas 70 lojas com a pretensão de ações conjuntas. “No futuro, a ideia é construirmos um minidistrito industrial nas proximidades do complexo”, afirma. O Fashion City é um dos primeiros projetos que nasce no conceito de Aerotrópolis, que o governo estadual está trabalhando para a Região Metropolitana de BH, com infraestrutura eficiente e serviços de alta qualificação, destaca o subsecretário de Investimentos Estratégicos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Luiz Antônio Athayde Vasconcelos.
