Boa parte do agravemento das contas do país com o exterior tem origem na balança comercial. Depois da crise internacional, tradicionais mercados de produtos brasileiros, principalmente manufaturados, diminuíram o ritmo das compras. Ao mesmo tempo, a competição se tornou mais dura e empresas asiáticas e norte-americanas ganharam espaço.
A produção nacional enfrenta dificuldades até mesmo para disputar em casa com fabricantes estrangeiros, e a forte expansão do consumo das famílias teve de ser atendida parcialmente com importados. O quadro se deteriorou de tal maneira que muitos analistas já projeções que a balança pode amargar déficit em 2014, o primeiro desde 2000, caso a previsão se confirme. Até fevereiro, houve um rombo de US$ 6,2 bilhões.
Para analistas, o Brasil desperdiçou o último “boom das commodities”, entre 2002 e 2008, quando a demanda por produtos básicos, sobretudo alimentos e combustíveis, subiu fortemente e elevou os preços desses itens. Naquele período, o saldo comercial do país bateu recordes e colaborou fortemente para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB). Depois do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos (EUA), que teve como gatilho a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, o cenário mudou.
Restrições Neste ano, parceiro importantes se transformaram em parte do problema. Com a crise política e econômica da Argentina e da Venezuela, países que compram boa parte do que o Brasil exporta de manufaturados, a indústria pode deixar de vender pelo menos US$ 5 bilhões para esses mercados.
“Os automóveis de passageiros vêm sofrendo quedas relevantes na exportação devido ao momento econômico e às restrições aduaneiras argentinas. Nos últimos dois meses, o embarque desses produtos recuou 43% em relação ao bimestre anterior”, relatou Gabriela Fernandes, economista do Itaú Unibanco.
Sidnei Nehme, economista da NGO Corretora, alerta que o desequilíbrio nas contas externas e a alta do dólar frente o real serão problemas para o Banco Central. “Serão oponentes maiores para a política monetária do governo, pois provocarão impactos inflacionários”, explicou. (DB e VM)
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Mercados de produtos brasileiros reduzem ritmo de compras
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