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Estado de Minas

Indústria cresce apenas 1,2% em 2013 e setor continua em crime

Com forte queda em dezembro, de 3,5%, produção cresceu menos de 2% no ano passado. Alta dos juros e incertezas pesaram


postado em 05/02/2014 06:00 / atualizado em 05/02/2014 07:30

Brasília –A alta dos juros no Brasil e as incertezas externas e domésticas fizeram de 2013 um ano terrível para a indústria. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nessa terça-feira mostram que o setor até fechou no azul, com crescimento de 1,2% frente a 2012, mas, diferentemente do que o governo tenta difundir, a crise continua. Na gestão Dilma Rousseff, a indústria amargou o pior desempenho médio anual desde o governo Collor: retração de 0,3%.

Nem mesmo as benesses tributárias dadas pelo Ministério da Fazenda ao longo do ano passado e a alta de 21,55% do dólar nos últimos 12 meses foram capazes de mudar esse quadro – dezembro registrou o pior desempenho para a produção em cinco anos, com queda de 3,5% comparado a novembro. O aperto, no entanto, ainda não acabou. Depois de revisar as projeções de crescimento para 2013 e para o último trimestre do ano, o mercado estima que os três primeiros meses de 2014 devem amargar números ainda mais frustrantes.


“A indústria terminou 2013 com o nível de produção mais baixo, o que deixa um rastro estatístico ruim para o começo de 2014”, explicou Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco. “Mesmo com alguma compensação da queda de dezembro em janeiro, o risco de um PIB (Produto Interno Bruto) mais fraco no primeiro trimestre aumentou”, completou. Para Mariana Hauer, economista do banco ABC Brasil, o dado apresentado pelo IBGE veio no piso das expectativas. “Ainda não podemos falar em tendência, mas já dá para ficar com um pouco de receio para o início de 2014. O ano deve começar difícil para a indústria”, observou. Na avaliação de Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, a fraqueza da indústria este ano se dará pela produção e venda de automóveis, já que o governo recompôs quase toda a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos. As expectativas de parte dos analistas, depois dos dados da indústria, são de que o PIB do último trimestre tenha ficado, no máximo, em 0,4%. As previsões para o crescimento este ano giram ao redor de 1,5%.

André Macedo, gerente da coordenação da indústria do IBGE, fez uma lista dos problemas que afetam o setor produtivo. Ele explicou que, entre outros fatores, houve um aumento da presença de produtos importados, menor demanda internacional, estoques elevados e comprometimento da renda das famílias. Aliado a tudo isso, o técnico apontou o aperto monetário – que levou a taxa básica de 7,25% ao ano, em abril do ano passado, para 10,5% em janeiro – como mais um peso para os industriais. “Encerramos 2013 com um patamar de produção equivalente ao do fim de 2009, quando a indústria ainda sentia os efeitos da crise do subprime. De lá para cá, a indústria vem num processo de tentar recuperar o que foi perdido”, disse.

Minas

A previsão da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) era de que a indústria brasileira encerrasse o ano com ligeira alta de 1,5%. O resultado de dezembro, no entanto, surpreendeu, derrubando as projeções. O gerente de Estudos Econômicos da Fiemg, Guilherme Veloso Leão, afirma que o último mês do ano normalmente apresenta taxas mais baixas por se tratar de período em que boa parte do setor industrial dá férias coletivas aos empregados, mas a retração de 3,5% é classificada por ele como “um sinalizador de que a atividade em 2013 ficou enfraquecida”.

Em Minas, a expectativa é que os números indiquem queda no acumulado do ano. Isso porque a indústria extrativa recuou 4%, agravando o cenário. Com isso, a atividade industrial no estado permanece com números inferiores aos anteriores à crise econômica mundial.

Apesar de 2013 ter encerrado de forma negativa e a alta da taxa de juros e da inflação servirem para segurar as rédeas da economia, o desempenho do câmbio, associado à recuperação da atividade econômica mundial, deve favorecer a indústria nacional ter um crescimento superior a 1,2% este ano. A expectativa da Fiemg é que a produção brasileira tenha alta entre 2% e 2,2%. A China ter aumentado a demanda por minério é outro indicativo favorável, principalmente para Minas Gerais. “Em uma ano de Copa do Mundo, que é preciso acelerar o investimento em infraestrutura, se tem fatores que puxam a produção industrial”, afirma Veloso. Ele ressalta ainda que, em anos eleitorais, se tem aceleração em obras públicas. (Colaborou Pedro Rocha Franco)

Inflação pode estourar teto da meta

Vicente Nunes

Brasília – O nível de tensão aumentou muito no governo nos últimos dias. Com o Brasil sendo solapado pela onda de desconfiança que varre os mercados emergentes, a ordem é criar fatos positivos que ajudem o país a se descolar desse quadro desolador. A razão é uma só: há o temor generalizado de que os piores indicadores da economia em 2014 sejam divulgados às vésperas das eleições, minando a candidatura da presidente Dilma Rousseff.

Fonte do governo admite que a situação está para lá de complicada. A inflação, que dará um pequeno alívio neste início de ano, voltará a subir, podendo estourar o teto da meta, de 6,5%, em setembro, um mês antes de os eleitores depositarem os votos nas urnas. Isso, apesar de o Banco Central aumentar os juros, o que também será ruim para o ritmo da atividade, que já anda fraca e longe de sinalizar a retomada esperada pelo Palácio do Planalto. Para piorar, o dólar deve subir um pouco mais e a renda do trabalhador crescerá bem menos que nos anos anteriores, reduzindo a sensação de bem-estar.

Uma das alternativas encontradas pelo governo para minimizar o estrago que se está vendo nos mercados é antecipar o corte de despesas no Orçamento e anunciar logo uma meta factível de superávit primário (economia para o pagamento de juros da divida pública). Segundo o governo, o corte e a meta devem sair até o dia 20. A antecipação do anúncio é defendida pelo novo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que participou ontem, pela primeira vez, da Junta Orçamentária, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Sem discurso

Como disse um assessor da presidente Dilma, “começou atrasada a corrida contra o tempo”. Se a presidente quiser evitar resultados pífios em seu último ano de mandato e garantir a reeleição, terá que agir agora. No entender dos analistas, ninguém mais acredita em discurso. A cobrança é por ação. Há especialistas ouvidos pelo governo dizendo que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano poderá ficar entre 1,5% e 1,7%, projeção que, se confirmada, será um desastre.


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