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Estado de Minas

Indústria mineira tem em 2013 o pior resultado desde a crise de 2009

Receita do setor teve queda de 0,05% em Minas. Resultado é o pior desde a crise de 2009


postado em 31/01/2014 06:00 / atualizado em 31/01/2014 07:19

A indústria mineira apresentou em 2013 o pior resultado de faturamento desde a crise financeira internacional, que estourou em 2008 e teve o principal impacto na economia brasileira em 2009. Segundo série histórica da pesquisa Indicadores Industriais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o faturamento apresentou queda de 0,05% no ano passado, ante crescimento de 0,32% em 2012. O resultado só não foi pior do que o registrado em 2009, quando a receita da indústria recuou -7,86%. Na avaliação do presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Fernandes, 2013 foi um ano mediano e sem motivos para ser lembrado.

A estagnação foi puxada por perdas no faturamento dos setores de maior peso na produção fabril do estado. As vendas do ramo de metalurgia básica recuaram 3,54%, enquanto as dos produtos de metal tiveram retração de 15,69%. Outra contribuição foi o avanço tímido da receita do setor extrativo mineral, de grande importância para o estado, que chegou a 1,01% no ano. “O setor de produtos de metal entende que com o câmbio mais elevado a demanda interna vai crescer em 2014. Ou seja, será um ano de recuperação, já que 2013 foi um ano para esquecer”, afirmou Fernandes.

O ramo da metalurgia básica, representado pelas usinas siderúrgicas, enfrentou ao longo do ano a concorrência do aço estrangeiro e a baixa demanda das exportações, em decorrência dos altos estoques no mundo. Já o segmento de produtos de metal, composto basicamente pelas fábricas de estruturas metálicas, amargou desaquecimento e também foi pressionado pela concorrência externa. “No caso dos produtos de metal, o impacto foi o aumento da alíquota de importação de placas metálicas, que levou os fornecedores internacionais a substituí-las por estruturas prontas, trazendo uma concorrência predatória para a indústria nacional”, explica o presidente do conselho da Fiemg.

Compensação As receitas obtidas pela indústria de bens de consumo, no entanto, compensaram as perdas dos demais setores, fazendo com que o resultado do ano não fosse pior. Entre os destaques, os setores de artigos do vestuário e acessórios (10,96%), produtos têxteis (7,13%), produtos alimentícios (8,96%) e bebidas (8,69%). Fernandes explica que o salto pode ser explicado pelo aumento da demanda interna, mas também pela questão do câmbio. “Esse não foi um ano perdido porque esses setores andaram bem. No caso do tecido e das confecções, por exemplo, o câmbio diminuiu a importação”, explica o presidente, que lembra o efeito do câmbio também sobre a exportação de alimentos e de derivados do leite.

Depois de um 2013 conturbado para a indústria, 2014 promete ser um ano de recuperação, segundo Lincoln. Entre os fatores que devem alavancar a produção fabril, está a Copa, mas também o crescimento da demanda interna e de exportações por grandes e médias empresas.

E o trabalhador lembrar


O crescimento da economia, apesar de estar aquém da necessidade e da expectativa do país, vem segurando o emprego e a renda do trabalhador brasileiro, que tem motivos para se lembrar de 2013. No ano passado, o desemprego caiu pela quinta vez consecutiva no Brasil desde 2008. É o que mostram dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao longo de 2013, o desemprego médio apurado nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Salvador foi de 5,4%, 0,1 ponto percentual inferior ao observado em 2012 (5,5%) e 7 pontos percentuais abaixo da média de 2003 (12,4%). Trata-se da menor taxa média anual da história, segundo a pesquisa. Em dezembro, a taxa mensal caiu para 4,3%, ante 4,6% em novembro, e também é a menor em 11 anos.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a taxa de desocupação média anual ficou em 4,2% no ano passado, ante 4,4% em 2012. Os números divergem do resultado da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), da Fundação João Pinheiro (FJP), Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) e outros parceiros, divulgada anteontem, porque a metodologia aplicada nos dois levantamentos é diferente. A taxa da RMBH foi a segunda menor entre as sete regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, atrás apenas de Porto Alegre, com 3,5%. A maior taxa de desocupação foi encontrada em Salvador (8,1%), seguida de Recife (6,4%) e São Paulo (5,9%).

“A gente percebe que a situação do mercado de trabalho no país é de estabilidade. Tirando questões sazonais, o emprego ficou estável ao longo de 2013 e isso está se refletindo na taxa”, observa a analista do IBGE em Minas, Luciene Longo. Para o professor titular da Unicamp, Cláudio Salvadore Dedecca, existe uma certa confusão do debate sobre economia e mercado de trabalho no país. “Como nossa expectativa é de que o Brasil cresça mais, parece que não está ocorrendo crescimento e isso não é verdade. A economia está crescendo pouco, mas segue avançando. Numa situação de crescimento baixo, não é surpresa que o mercado trabalho cresça pouco ou fique estável”, diz.

Salários em alta Se o desemprego está em declínio, o rendimento dos brasileiros está em franco crescimento. De acordo com o IBGE, a média anual da renda nas seis regiões pesquisadas, calculada a partir do rendimento médio recebido no trabalho principal a cada mês, foi estimada em R$ 1.929,03, o que correspondeu a um crescimento de 1,8% em relação a 2012 (R$ 1.894,03). Nos últimos 10 anos, o poder de compra do rendimento de trabalho aumentou em 29,6% (em 2003 era de R$ 1.488,48). Em BH, o rendimento médio foi de R$ 1.877 no ano passado.

Na comparação com estimativas traçadas em 2003, o grupamento que apresentou o maior ganho de participação na população ocupada foi o de serviços prestados às empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (de 13,4% em 2003 para 16,2% em 2013). Os que mais perderam foram a indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (de 17,6% para 15,8%) e comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (de 20,2% para 18,8%), além de serviços domésticos (de 7,6% para 6,1%).


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