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Estado de Minas

Aluguel põe banca no varejo

Serviço alimenta novo hábito de consumidores, que preferem pagar pelo tempo de uso de bolsas, brinquedos, malas e bicicletas, em vez de empatar dinheiro na compra desses itens


postado em 09/12/2013 00:12 / atualizado em 09/12/2013 07:49

A pediatra Juliana Cordeiro economiza ao alugar brinquedos eletrônicos e acessórios para os três filhos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
A pediatra Juliana Cordeiro economiza ao alugar brinquedos eletrônicos e acessórios para os três filhos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

No embalo da renda ainda em crescimento do brasileiro, apesar dos indicadores de perda de fôlego do emprego e do desempenho modesto da economia neste ano, o mercado de aluguéis avança em segmentos nada tradicionais da atividade, como os de malas, bolsas de luxo, brinquedos, carrinhos de bebê e bicicletas. A necessidade de renovação desses itens, que têm por característica preços mais altos nas prateleiras do comércio, o pouco espaço para guardá-los em casa e a opção por um consumo mais sustentável também ajudam a explicar como a locação tem ganho da compra na preferência do consumidor em Belo Horizonte.

Com diárias que vão de R$ 8 a R$ 20, a locadora on-line Get Malas acaba de inaugurar sua primeira unidade na Savassi, com estoque de 60 malas e mochilas executivas. O proprietário,Tiago Botelho, conta que a ideia surgiu de uma necessidade que ele teve, ao perceber que não tinha o produto quando precisou. “É um objeto que ocupa espaço em casa e o consumidor usa poucas vezes no ano. Um produto de qualidade é caro e nem sempre o tipo que a gente tem em casa atende”, afirma.

O gerenciamento afinado das reservas feitas pela internet e na loja física permite que todo o serviço seja também contratado virtualmente, incluindo a entrega e o recolhimento da mala. A relação custo/benefício, segundo Botelho, é melhor em comparação ao custo do produto no varejo: a mala mais barata entre os modelos oferecidos pela Get Malas custa R$ 450 e a mais cara, R$ 1.600. “A opção de alugar desponta de forma mais inteligente porque a pessoa paga apenas pelo tempo de uso e não precisa imobilizar o seu capital, podendo aplicá-lo em outra demanda”, argumenta.

Pioneira no aluguel de acessórios para bebês, Mônica Roberti, proprietária da BBzin, antecipou-se a uma demanda do consumidor. Há 14 anos começou no ramo e hoje oferece mais de 400 itens, entre cadeirinhas de refeição, bombas de tirar leite, carrinhos de bebê e bebês conforto. A grande novidade, porém, é a oferta de brinquedos eletrônicos. “Um dos brinquedos custa R$ 900 e é usado pela criança por dois ou três meses. O aluguel mensal desse mesmo brinquedo custa R$ 90 e ao longo dos três meses o investimento dos pais seria de R$ 270, o que geraria uma economia de 70%”, exemplifica.

Mãe de três filhos e adepta da nova forma de consumo a pediatra Juliana Cordeiro acredita que em termos de investimento financeiro alugar é uma opção muito mais atrativa, já que em dois meses as crianças costumam perder o interesse pelos brinquedos. “Esses são itens de uso muito rápido e pela questão sustentável e do exemplo educativo, opto por alugá-los”, diz. Todos os meses ela renova o serviço.

Roupas e acessórios de luxo também entram na lista de opções para quem prefere alugar. Marina Perktold, sócia-proprietária da Madre Store, que aluga itens que dependem de alto investimento, como bolsas e vestidos importados, diz que o aluguel custa para o cliente de 10% a 15% do valor original da peça. “É uma opção para o consumidor não ter de empatar o dinheiro no guarda-roupa, já que algumas peças, como vestidos, são usadas uma única vez. É algo que não podemos repetir”, afirma.

Gerente
da Bike Mania, na Pampulha, Rodrigo Rodrigues também se aproveita da demanda. Com mais de 200 bicicletas disponíveis para aluguel, entre elas as individuais, de dupla, com marcha e as que carregam até nove pessoas, ele atende consumidores que não têm espaço para guardar a própria bike ou aqueles que as utilizam com pouca frequência. O valor da hora de uso varia de R$ 10 a R$ 30, de acordo com o modelo. “Levamos em conta a carência por entretenimento na região e a dificuldade de transporte.”


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