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Estado de Minas A REAL ABOLIÇÃO

Brancos possuem melhor qualidade de vida

Tom da pele dita posição social. Estudo deixa claro que a desigualdade racial está presente nos indicadores de educação, saúde e renda do país.


postado em 24/11/2013 00:12 / atualizado em 24/11/2013 08:20

Brasília – Pela métrica do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e segundo as observações da pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sobre a desigualdade no país, o Brasil branco tem uma qualidade de vida semelhante à da Sérvia, que não tem “características de país de Terceiro Mundo”. O de negros e pardos fica entre as nações de IDH baixo, como o Turcomenistão, a Tailândia e a China, países que avançam rapidamente.

O estudo, elaborado pelo professor Marcelo Paixão, não prega o separatismo. Muito pelo contrário, evidencia a desigualdade racial que persiste nos indicadores de educação, saúde, segurança e renda. “O Brasil construiu uma naturalização de papéis sociais, que faz com que uma pessoa esteja condenada a uma posição por causa da cor pele”, explica o professor. “Como é considerado normal que os negros ocupem o andar de baixo na sociedade, todos tratam como se fosse natural, como se não houvesse necessidade de mudar”, argumenta.



A construção da nova classe C, impulsionada pela distribuição de renda — principalmente por programas como o Bolsa-Família e os reajustes do salário mínimo —, apesar de não ter sido montada com base em uma política direcionada para negros, beneficiou essa população e ajudou a amenizar as disparidades entre os brasileiros.

Dados do Data Popular reforçam que 75% das pessoas que ascenderam à classe média na última década são pretas e pardas e, hoje, somam 53 milhões. “A entrada do negro no universo do consumo melhorou a vida individualmente, mas não alterou a dinâmica das relações étnico-raciais, nem lhes deu total acesso à cidadania”, ressalta Renato Meirelles, do Data Popular.

O mercado de trabalho, no setor público e privado, ainda abre mais possibilidades à população não negra. Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam que o desemprego entre brasileiros pretos e pardos é maior que o registrado entre os brancos: 11,9%, contra 9,2%. Entre as mulheres negras, o índice é ainda pior, de 14,1%. “Elas sofrem o que chamamos de múltiplo preconceito por serem mulheres e negras”, explica Mônica Oliveira, da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial. No funcionalismo público federal, a situação é semelhante: os negros são 33% do contigente de servidores e ocupam as vagas com menor salário, justamente porque não tiveram acesso a uma boa educação para disputar postos mais bem remunerados. Cerca de 90% dos negros estão em escolas públicas.

Com opções limitadas de acesso à educação formal, os pretos e pardos são também os mais empurrados para a informalidade. “O número de empreendedores negros tem crescido, mas o problema é que ter o próprio negócio não foi uma escolha para boa parte deles”, afirma Mônica. “É diferente da pessoa branca, que vai por esse caminho porque enxerga uma oportunidade.”


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