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Estado de Minas

Déficit em setembro é o pior desde 2001

Rombo de R$ 9,05 bi no setor público no mês aumenta a desconfiança com o país. Meta de superávit fica distante


postado em 01/11/2013 06:00 / atualizado em 01/11/2013 07:11

As contas públicas, que já eram motivo da desconfiança por parte de investidores e de organismos internacionais, entraram de vez no radar de preocupações do governo. Em setembro, as contas do chamado setor público consolidado, que considera a União, governos estaduais, municipais e empresas estatais exceto Petrobras e Eletrobrás, fecharam no vermelho em R$ 9,048 bilhões. Foi o mais baixo resultado para o mês desde o início da série histórica pesquisada pelo Banco Central (BC), que teve início em 2001. Pior: o número veio tão abaixo das projeções de mercado que até mesmo o governo reagiu mal à divulgação do número. “Não há dúvidas de que o quadro fiscal é desafiador”, declarou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Os analistas mais pessimistas acreditavam que, na pior das hipóteses, o rombo para o mês seria de R$ 2,6 bilhões. Eles, no entanto, não esperavam que o desempenho do chamado governo central (Tesouro, BC e Previdência) seria tão ruim: déficit de R$ 10,473 bilhões, o pior resultado para o mês na história, segundo informou ontem o Tesouro Nacional.

Esse descompasso nas contas públicas, diz o doutor em economia pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, Raul Velloso, é uma realidade contínua do país. “Desde junho de 2012 que a despesa do setor público cresce acima da receita com mais força”, ele pondera. A receita do governo central cresceu apenas 8%, de janeiro a setembro, na comparação com o mesmo período de 2012. Enquanto isso, as despesas totais aumentaram 13,5%. Somente os pagamentos de pessoal e encargos sociais subiram 8,5%, para R$ 147,5 bilhões, nos nove meses do ano. Já as despesas de custeio e capital avançaram 38,9% no mês, para R$ 30,7 bilhões.

Endividamento


Com as contas no vermelho, o Estado acaba tendo de emitir títulos de dívida pública para se financiar. Por conta disso, o endividamento bruto não para de crescer. Em setembro houve nova alta, de 0,3 ponto percentual, fazendo com que a dívida alcançasse 58,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Uma outra metodologia, do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra uma realidade ainda pior. Pelos cálculos da entidade, a dívida bruta brasileira era, em dezembro do ano passado, de 68,5% do PIB, fazendo do Brasil um dos países com a maior dívida bruta entre economias emergentes. “Esse resultado de setembro, que mostrou a fragilidade das contas públicas brasileiras, está em linha com o raciocínio para o rebaixamento da nota de classificação de risco do país”, diz o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

O comprometimento das contas públicas também provoca dúvidas sobre a capacidade do governo em cumprir as metas fiscais. Não à toa, já há quem desconfie que, mesmo recorrendo a truques contábeis, o governo não conseguirá cumprir a promessa de economizar 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Todos os anos o governo guarda uma quantia de recursos para pagar os juros da dívida pública, o chamado superávit primário. São esses recursos que garantem ao investidor que o país tem condições de honrar com os compromissos assumidos junto aos seus credores.


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