Publicidade

Estado de Minas

Shopping de bairro perde espaço em Belo Horizonte

Alternativa de comércio local, sucesso em países como os EUA, empreendimentos dão lugar a outras atividades


postado em 18/10/2013 06:00 / atualizado em 18/10/2013 14:40

(foto: Angelo Pettinati/Esp. EM)
(foto: Angelo Pettinati/Esp. EM)

Os chamados mini-shoppings de bairro ou street-malls estão perdendo espaço na capital onde aos poucos terrenos disponíveis em pontos nobres são valorizados e alvo de disputa imobiliária. Depois do Shopping Jardim, há cerca de um ano ter encerrado suas atividades na região dos bairros Luxemburgo/Coração de Jesus e Vila Paris, dando espaço a uma instituição de ensino, agora é o Villaggio, no Bairro Gutierrez, que vai por fim às suas operações em abril do ano que vem. A administração do centro de compras prefere não falar sobre o futuro, mas moradores do Gutierrez e comerciantes do bairro adiantam a notícia: “No lugar do ‘shoppinho’ será construído um grande prédio residencial.” O projeto para edificação na Avenida André Cavalcanti, onde ainda funciona o empreendimento, já está sendo analisado pela Prefeitura de Belo Horizonte.

A notícia de que o Villaggio – inaugurado em 2000 como o primeiro shopping de conveniência da capital – vai fechar as portas não agradou os lojistas e tão pouco os moradores do Gutierrez e entorno, que se beneficiavam com as facilidades do comércio perto de casa e longe do trânsito. “Há dez anos venho a esse shopping para fazer compras e como lazer, já que é o único espaço que temos no bairro. Para nós moradores, é péssima a notícia de que vamos perder esse espaço”, defende a psicóloga e vizinha do shopping Vânia Maria Anastácio.

Alternativa de comércio local de sucesso em países como os Estados Unidos, os mini-shoppings de bairro têm como consumidor potencial a vizinhança que economiza tempo aderindo a compras e serviços e lazer perto de casa ou a poucos minutos de carro. A ideia é que o comércio reúna um mix de lojas alinhado à demanda cotidiana, oferecendo ao lojista aluguel que pode custar 50% menos que o de um shopping tradicional.

O Villaggio contava com 24 pontos de venda e 50 vagas de estacionamento, recebendo público estimado em 50 mil pessoas ao mês. Das mais de 20 lojas abertas, restam apenas 11. Dos comerciantes que ainda permanecem, alguns têm contrato a vencer no ano que vem ou em 2015 e querem aproveitar a freguesia conquistada até o último suspiro. “Por ter estacionamento gratuito na porta, atendo clientes também de bairros vizinhos e até da Pampulha. Imaginávamos que o shopping seria ampliado e não que fosse acabar”, lamenta Cláudia Peres, que a partir de janeiro leva sua Virtut de moda feminina para outro endereço.

De acordo com os lojistas, o mini-mall não fechará por falta de consumidores. “Formamos aqui um ponto muito bom”, afirma Tânia Zeferino, dona da Rinova, loja de lingerie, presentes e artigos para banho. Instalada no local desde a abertura, há três anos ela abriu uma segunda loja, e tem contrato de aluguel válido até 2015. “Foi uma surpresa. Se soubesse que o shopping ia fechar não teria investido em outra loja. Vou ter prejuízo.” Osvaldo Querino, proprietário da Cacau Show, também foi pego de surpresa. Ele vai ficar no shopping até o Natal, mas pretende passar a páscoa em endereço novo, que ainda não tem fechado. “Desde janeiro, o movimento caiu 30%”, calcula Querino, que se instalou no Villaggio há quatro anos com planos de ficar pelo menos por uma década.

Demanda

Segundo Rubens Kochen, consultor especializado em desenvolvimento e planejamento de shoppings centers, BH tem espaço para investir na modalidade. Ele sustenta que a capital tem demanda e está atrasada em investir no modelo. Segundo o especialista, o custo da construção de um mini-shopping, com 3 mil metros quadrados de área de lojas, tem custo estimado entre US$ 800 mil e US$ 1 milhão. Marcos Innecco, vice-presidente da CDL-BH, diz que os mini-shoppings são boa opção, desde que adeque o mix de lojas ao público e tenha acessibilidade. “A dificuldade que existe é o preço dos imóveis que explodiu e inviablizando uma série de projetos”, aponta.

A reportagem procurou a administração do Villaggio, que preferiu não se manifestar, apontando um acordo com os lojistas. O shopping confirmou que encerra suas atividades em abril de 2014.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade