
As chuvas que já começaram em outubro podem fazer com que 2013 seja um ano mais favorável à geração de energia. O diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse ontem que as indicações meteorológicas apontam para que o período chuvoso deste ano seja bem melhor do que o do ano passado, quando os reservatórios das principais represas do Sudeste e do Centro-Oeste brasileiros ficaram em níveis muito baixos, provocando um forte acionamento de térmicas. Com isso, o consumidor pode se beneficiar de uma energia mais barata em 2013, já que o uso das usinas a gás e a carvão deixam o insumo mais caro.
As chuvas começaram na cabeceira do Rio São Francisco, que alimenta a represa de Três Marias, localizada no município de mesmo nome, na Região Central do estado. Além disso, nos últimos 10 dias houve precipitação no Rio Grande, que nasce em Minas, banha o estado de São Paulo e alimenta a represa de Furnas, no Sul de Minas. No Rio Paranaíba (hidrelétricas de São Simão e Itumbiara), que também nasce em território mineiro e é um dos formadores do rio Paraná, também já está chovendo, detalhou Chipp, no encerramento da Conferência Brazil Energy 2013 – O setor Elétrico e as Novas Fronteiras Globais, promovida pelo Instituto Acende Brasil.
"Em São Paulo, o Paranapanema e o Tietê já começam a receber as águas da chuva", disse Hermes Chipp. A expectativa é que a partir de meados de outubro a precipitação alcance os rios da região Norte e do Nordeste. Segundo ele, para o ano que vem, as mudanças na forma de cálculo do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) – implementadas no mês passado no sentido de dar ao mercado um sinal mais realista do preço – vão beneficiar os consumidores. O indicador é usado no mercado de curto prazo de energia, em que se liquidam sobras e déficits, mas hoje também serve como base para os valores dos contratos fechados no mercado livre.
Em 2014, estima-se que o despacho térmico ficará entre 8 e 9 gigawatts (GW) ante previsão de 12 GW para este ano. "O novo modelo tem um custo marginal muito mais ajustado com a realidade. Antes o preço do PLD variava entre R$ 100 a R$ 150 por megawatt/hora (MWh), hoje está entre R$ 200 e R$ 250, disse Chipp. Segundo o diretor do ONS, a revisão serviu para repassar ao PLD parte dos custos com as térmicas para manter o nível dos reservatórios das hidrelétricas. A mudança tornou possível para o ONS despachar as térmicas a gás com antecedência, proporcionando ganhos de custo ao sistema interligado.
PREÇOS "Antes a gente começava despachando as térmicas mais baratas mas, de repente, no final, despachava toda a base. Foi o que aconteceu em 2012 e que elevou o preço da energia", explicou. Desde o mês passado, porém, os despachos podem ser feitos de forma antecipada, usando as mais baratas para preservar a água dos reservatórios. Em média, o MWh produzido por uma termelétrica a gás custa R$ 200 enquanto a mesma quantidade de energia que sai de uma térmica a óleo vale R$ 800.
* A repórter viajou a convite do Instituto Acende Brasil
