
Outro destaque da pesquisa, que considerou a faxina para um apartamento de três quartos no Bairro Belvedere, foi a variação de 22,22% nos preços cobrados pelas diaristas. O menor preço de diária encontrado foi de R$ 90 e o maior de R$ 110, valores que não consideram o transporte e alimentação. Feliciano Abreu, diretor-executivo do Mercado Mineiro, garante que este é um mercado que sempre esteve acima da inflação e deve permanecer assim. “Como a quantidade de diaristas no mercado não é grande, porque muitas optam por trabalhar em outras áreas ao longo do tempo, o mercado fica inflacionado”, diz.
Ainda de acordo com Abreu, embora a tendência seja de aumento dos preços em função da demanda, com a Lei das Domésticas muitas profissionais poderão migrar para as diárias, o que poderá criar uma concorrência maior e queda nos valores cobrados. “Até que isso aconteça, a sugestão é para que os empregadores pesquisem os preços, mas também combinem o serviço a ser prestado e os valores.”
Diarista há 12 anos, Raimunda de Oliveira Lopes Damasio cobra R$ 90 por dia e comemora a agenda cheia. “Todo dia alguém me liga, mas tenho serviço de segunda a sexta. Sábado e domingo eu tiro para meu descanso”, conta. De acordo com ela, o bom momento pode ser justificado pela valorização da categoria, depois da regulamentação das domésticas. “As pessoas não querem mais ter o vínculo. Ter diarista virou vantagem”, garante. No entanto, ela reforça que o trabalho é pesado e cansativo. “Somos autônomas. Se não trabalhamos um dia, não recebemos. Fora isso, fazemos o trabalho que uma empregada faz em uma semana em um dia”, declara.
A passadeira Vera Lúcia Fernandes, que tem duas clientes fixas, reajustou o preço na última semana e agora cobra R$ 110 por oito horas de trabalho, incluindo almoço e transporte. “Embora a procura seja maior para faxineira, também me ligam muito porque é difícil encontrar passadeiras. Eu, por exemplo, sou especialista em passar camisa social”, anuncia. “Acho que o serviço acabou valendo mais porque as trabalhadoras domésticas estão sendo mais respeitadas”, reforça.
AJUSTE DE CUSTOS O sócio-proprietário da agência Lar Feliz, Alexandre Rocha, que oferece profissionais pelo preço médio de R$ 100 por serviço, afirma que não reajustou o preço, embora o setor tenha sentido uma demanda maior. “Existe muita gente no mercado, mas a maioria chega sem qualificação. As mais bem preparadas assumem os trabalhos com diárias maiores”, justifica. Rocha garante ainda que o processo de troca de mensalistas por horistas continua. “ Uma casa que tinha duas funcionárias agora tem uma faxineira e uma passadeira. Essa troca ajusta os custos das famílias”, afirma.
Empresas surfam na onda da demanda aquecida
Quem também se beneficia da demanda são as empresas especializadas. A rede americana de franquias Jan-Pro Serviços de Limpeza, que chegou a BH no fim do ano passado, está entre elas. A demanda é tão alta, segundo o diretor de novos negócios, Renato Ticoulat, que em agosto a empresa lançará uma franquia voltada apenas para o serviço doméstico. “Queremos atender mais profissionalmente esse mercado”, comenta. Impulsionada pelo mercado imobiliário, hoje, por exemplo, a Jan-Pro faz a limpeza de 17 prédios, cada um com 98 moradias. “Cobramos o valor mensal de R$ 400 por apartamento, que inclui uma arrumação básica e a troca do lençol. Se a pessoa quiser uma limpeza mais profunda, cobramos R$ 110 à parte por mais quatro horas de trabalho”, conta.
Sem informar os preços cobrados, a rede portuguesa de franquias House Shine, que tem duas unidades em Belo Horizonte, afirmou que a nova Lei das Domésticas foi um marco importante para o setor, que registrou crescimento de mais de 30% desde então. “Com a falta de profissionalismo neste setor, as mulheres que trabalham fora de casa encontram dificuldade de conseguir essa mão de obra qualificada e que seja de credibilidade”, explica a diretora Lilian Esteves. Ela afirma que a procura por este tipo de serviço é um reflexo do mercado atual. “É uma tendência natural. Nos EUA e na Europa, por exemplo, este tipo de serviço é bastante utilizado.”
