
Assim como Amanda, vários jovens mineiros descobriram o dom do empreendedorismo por meio de projetos como os mantidos pela Jamg, que tem o Sebrae, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) entre os mantenedores. Para 2013, a meta da instituição é alcançar 1 mil alunos por meio do programa Miniempresa. Para isso, a Junior Achievement pretende levar seus programas a 150 escolas do estado – as simulações de empresas são feitas com estudantes.
“Os jovens que participam dos programas da Jamg encontram mais facilidade no futuro para se colocar profissionalmente e desenvolvem o senso empreendedor que, no futuro, estará presente na economia e no desenvolvimento do país”, garante Eugênio Mattar, presidente do conselho da instituição. O “senso empreendedor”, como disse o executivo, já colocou o Brasil como a terceira maior nação no último ranking de empreendedorismo da Global Entrepreneurship (GEM), divulgado em 2012. Segundo a pesquisa, 27 milhões de brasileiros são donos do próprio negócio. Esse universo só é menor do que o apurado na China (370 milhões de pessoas) e nos Estados Unidos (40 milhões).
Já outra pesquisa, divulgada há duas semanas pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), vinculada ao governo federal, apurou que o pequeno empreendedor – aquele que trabalha por conta própria ou que emprega até 10 pessoas – gera cerca de 40% dos postos de trabalho no Brasil. O percentual corresponde a 37 milhões dos 92 milhões de empregos. Os empreendedores desse porte pagam salário correspondente a 39% (US$ 282 bilhões) da remuneração total no país.
Outra visão
Amanda, a estudante premiada que foi para a Argentina, sonha ter o próprio negócio. Ela divide o tempo entre os estudos numa escola estadual do Bairro Cidade Jardim e um curso técnico em administração patrocinado pelo Sebrae Minas. No fim do ano, planeja, concorrerá a uma vaga no curso de relações internacionais: “O programa do qual participei mudou minha visão. Despertou em mim o espírito empreendedor e me proporcionou uma base mais teórica”, disse a garota.
Outro jovem com espírito empreendedor que já colhe os frutos de ter participado do curso de miniempresa é Táiguel Rievers, de 20. Ele transformou o prazer de fabricar bijuterias num ateliê especializado em acessórios finos, banhados a ouro ou prata, e cuja marca leva o nome do empreendedor. São brincos, colares e até cintos. “Adquiri conhecimentos em administração de empresas. Montei a empresa há dois anos. Tenho a expectativa de que minhas vendas vão subir 200% no confronto entre 2013 e 2012”, conta o rapaz.
Ele negocia sua produção no Distrito Federal e em quatro estados: Minas Gerais, São Paulo, Amazonas e Bahia. A maior parte do público de Táiguel é formada por lojistas, cuja clientela é baseada nas classes A e B. Um dos orgulhos do jovem é saber que um par de brincos produzidos em seu ateliê é usado pela atriz Juliana Paes. Ele guarda, orgulhoso, uma fotografia da global com os acessórios.
