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Estado de Minas

Protecionismo é o alvo do novo presidente da Organização Mundial do Comércio

Principal desafio do brasileiro que vai comandar a OMC a partir de setembro é suspender entraves à livre negociação


postado em 09/05/2013 06:00 / atualizado em 09/05/2013 06:49

O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, escolhido pelo o Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) para comandar a instituição no lugar do francês Pascal Lamy, no cargo desde 2005, assumirá o órgão em um momento crítico. Sua principal missão será recuperar o prestígio da organização, que perdeu peso após a crise financeira global, tentando ressuscitar as negociações multilaterais em um mundo que partiu para o bilateralismo e ficou mais protecionista. Não à toa, em sua primeira entrevista, ontem, Azevêdo afirmou que tem como alvo as barreiras. “O protecionismo é generalizado, temos de lutar contra ele”, afirmou ele, ontem, em Genebra, em sua primeira declaração após a comunicação de que foi escolhido.

Durante toda sua campanha Azevêdo defendeu o multilateralismo e a retomada das negociações da Rodada de Doha, de liberalização do comércio global, iniciada em 2001 e estagnada desde 2008, com o estouro da crise financeira global. “Temos de encontrar uma solução. Isso vai destravar a OMC”, disse ele, reconhecendo que o organismo atravessa uma crise e que necessita recuperar sua “relevância e importância”.

“Azevêdo pegará a direção da OMC em um momento delicado, mas toda crise abre espaço para paradigmas. Ele poderá fazer história ou passar despercebido”, destacou o economista da agência de risco Austin Ratings, Felipe Queiroz. Para ele, a vitória brasileira na OMC é mais política do que econômica. “Não deve mudar nada para o comércio nem para a economia do país. Ele apenas ganhará mais prestígio”, afirmou.

O novo diretor-geral da OMC assume em 1º de setembro e terá apenas três meses até a conferência ministerial da entidade para chegar a um entendimento entre os governos. “Espero encontrar o paciente com o coração ainda batendo, e não morto”, completou Azevêdo. Ele também destacou a importância da América Latina. “Trata-se de uma região cada vez mais influente no comércio mundial. É um forte ator nas negociações e acho que (o fato de haver dois finalistas da região concorrendo ao posto mais alto da OMC) é uma consequência natural dessa crescente participação no comércio e nas negociações”, disse.

O presidente do Conselho Geral da OMC, o embaixador paquistanês Shahid Bashir, anunciou ontem o nome de Azevêdo como o candidato mais provável para atrair o consenso. A nomeação formal será feita por aplausos na próxima reunião do Conselho Plenário dos 159 estados-membros da OMC. “Nossa avaliação das preferências é de que o candidato do Brasil, o sr. Roberto Carvalho de Azevêdo, é o mais provável dos dois para atrair o consenso”, afirmou Bashir.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, um dos principais articuladores da campanha de Azevêdo e responsável por levar o nome do diplomata à presidente Dilma Rousseff, destacou que nada muda para o Brasil em relação às críticas de protecionismo dirigidas ao país. “As críticas ao Brasil são improcedentes e o país nunca foi condenado pela OMC. O Brasil é um dos países que mais seguem as normas da organização”, afirmou Pimentel, ontem, depois de participar de almoço com a presidente Dilma Rousseff e o presidente do Egito, Mohamed Morsi.


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