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Estado de Minas

Indústria estica cabo de guerra para frear juros

Faturamento do setor em Minas avança 5,33% em janeiro após dezembro negativo, mas reação consistente só será possível se Selic não aumentar, o que já é estimado pelo mercado em abril


postado em 12/03/2013 06:00 / atualizado em 12/03/2013 06:52

Faturamento da indústria mineira volta a crescer e tem maior expansão desde a crise financeira de 2008(foto: mário castelo/em/d.a press - 14/9/11)
Faturamento da indústria mineira volta a crescer e tem maior expansão desde a crise financeira de 2008 (foto: mário castelo/em/d.a press - 14/9/11)


A indústria esticou o cabo de guerra numa ofensiva contra o mercado financeiro, elevando a pressão sobre o governo pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, que remunera os títulos públicos e serve de referência para as operações nos bancos e no comércio. Em Minas, o setor começou o ano com faturamento 5,33%, em média, superior a dezembro, mês que registrou queda de 4,98%, de acordo com o levantamento divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), livre de todas as influências sazonais sobre as vendas. Qualquer aumento dos juros comprometerá a recuperação das fábricas e o retorno dos investimentos, alertou ontem o presidente do Conselho de Política Industrial e Econômica da instituição, Lincoln Gonçalves Fernandes, poucas horas depois da divulgação do Boletim Focus, que reúne as expectativas dos analistas financeiros e previu elevação da taxa Selic em abril.

A aposta na alta dos juros foi lançada pela primeira vez em 16 meses, tendo como justificativa a necessidade considerada inevitável de o país conter a inflação. A indústria reage. “Se a Selic for mantida e as expectativas de crescimento da economia se confirmarem, os investimentos retornam no segundo semestre”, afirmou Lincoln Gonçalves. O analista chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, insiste em que só uma redução claramente percebida da inflação poderá evitar elevação dos juros na reunião de 16 de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.

“Para o governo é uma decisão difícil, porque, sem dúvida, se o Copom aumentar os juros isso vai dar uma ‘freiadinha’ no crescimento”, afirma Galdi. Se optar por mexer na política cambial, pressionando o dólar para baixo, na avaliação do analista, o governo também afetará o desempenho do setor produtivo, ao facilitar a importação de bens, outro problema reclamado pelo setor. O boletim semanal Focus estimou aperto da Selic para 8% ao ano no fechamento de 2013. A taxa está em 7,25% ao ano. Assim que a inflação oficial de 6,31% no acumulado de 12 meses até fevereiro (medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - o IPCA) foi divulgada na semana passada, os analistas já passaram a apostar numa Selic de 9% ao ano, percentual que recuou a 7,5% com o anúncio da desoneração de impostos federais sobre os produtos da cesta básica.

O humor implacável do mercado financeiro representa um aperto indesejável para a indústria e o comércio, ainda que o Copom não eleve já a taxa básica de juros, na avaliação do economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC). “O dinheiro está mais caro com a elevação das taxas de juros mais longas, no mercado futuro. Isso está dado e vai influenciar no crescimento do setor produtivo e nos investimentos”, afirma. São essas as taxas usadas na concessão efetiva do crédito ao consumidor que mais importam para a indústria e o comércio, destaca Freitas Gomes.

Números positivos

Os indicadores industriais produzidos pela Fiemg destacaram as indústrias automotiva e de produtos farmacêuticos na liderança da recuperação do setor no estado em janeiro. A cadeia de produção comandada pela Fiat Automóveis, em Betim, na Grande Belo Horizonte, faturou 13,64% em relação a dezembro. Com menor peso na estrutura da produção estadual, os fabricantes de medicamentos registraram aumento de receita de 24,16%, na média.

O desempenho de janeiro frente a dezembro se consistiu no melhor resultado nessa base de comparação desde a crise financeira mundial, de 2008. Dos 16 segmentos acompanhados pela Fiemg, nove mostraram crescimento de receita. Na comparação com o mesmo mês de anos anteriores, a evolução foi de 8,45%, maior taxa desde 2010 (17,2%). Os números não foram melhores em razão das perdas ante dezembro, de 11,35% da indústrias da mineração e de 27,64% do faturamento da celulose. O número de horas trabalhadas e o comportamento do emprego ficaram positivos frente a dezembro, em 3,20% e 1%, respectivamente.


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