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Estado de Minas

Sacolões começam a receber frutas diferenciadas de outros estados e países


postado em 21/01/2013 08:08 / atualizado em 21/01/2013 08:15

Nélio da Silva garante que o consumo de frutas exóticas cresce até 40% ao ano(foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
Nélio da Silva garante que o consumo de frutas exóticas cresce até 40% ao ano (foto: Euler Junior/EM/D.A Press)
Assim como as frutas raras despertam o interesse de produtores, as exóticas ganham espaço nas bancas de distribuidores. É o caso da atemoia, araticum, cajá, graviola e tamarindo. “A Região Sul da cidade é a que tem consumido mais. A procura tem crescido, mas é preciso aumentar a divulgação”, afirma Nélio Antônio da Silva, responsável pela área de compras e vendas da Benassi Minas, revendedora de hortifrutigranjeiros e frutas na vizinhança da Ceasa Minas.

Nos últimos anos, diz, a venda de frutas exóticas tem crescido em torno de 40% na Benassi. “O consumidor está querendo experimentar produtos diferentes. Mas a maioria da produção ainda é de fora de Minas Gerais, de estados como Bahia, São Paulo, e até de outros países, como Colômbia”, afirma Silva.

O produtor Mário Dias Borborema, dono do grupo Borborema, no Jaíba, começou a produzir o segundo tipo de fruta exótica entre suas atividades: a pitaya, que chama a atenção por sua beleza, semelhante a uma flor. O interior tem uma polpa gelatinosa, parecida com a do kiwi. Mas o preço para o consumidor não é tão atrativo como a beleza e o sabor da fruta: o quilo custa, em média, R$ 30. “É uma planta que precisa ser produzida dentro de uma floresta, em tronco de árvore. É muito sensível e de clima tropical”, explica Borborema.

Ele também cultiva há 13 anos a atemoia, híbrida da pinha com a cherymoia. O cultivo da fruta, que é semelhante a uma pinha, começou com três hectares, com 1,5 mil plantas no Jaíba. Hoje, a produção está cerca de 10 vezes maior e chega a 15 mil plantas em 30 hectares. “O consumo da atemoia vem crescendo em torno de 20% ao ano. Ela é vendida em lojas mais finas e butiques de frutas. Não é encontrada em sacolões”, afirma Borborema.

O valor agregado da atemoia é alto. O preço pago ao produtor é de aproximadamente R$ 5, por quilo, e chega ao consumidor por R$ 15 a R$ 20. O período entre a colheita e o consumo é mais longo, em torno de cinco dias, enquanto que o da pinha é de três dias. O cultivo da atemoia é mais difícil, em função da manipulação delicada e manual. O trabalho é feito manualmente desde o plantio à poda, polinização e proteção da fruta. “Ela é sensível, não é possível mecanizar a operação”, explica Borborema. Ela precisa ser colhida com luvas em bandejas, ao contrário do que ocorre com outras variedades, como manga e limão. “O simples toque da mão já marca a fruta”, diz.

A atemoia também não pode sujar, pois não pode ser lavada mecanicamente. Já em casos como o do limão e da manga, os frutos são colocados em caixas plásticas e jogados em uma máquina, que retira as possíveis impurezas. Mas, apesar do aumento do consumo em Minas, Borborema afirma que a maior parte das vendas ainda vai para São Paulo (70%), onde o poder aquisitivo da população é maior. O grupo produz ainda frutas tradicionais, como banana, mamão, limão e manga.

Produção que não é marmelada não

Se dependendesse da produção rural de expressão na cidade, Marmelópolis, no Sul de Minas, teria que trocar de nome: passaria a ser Pessegópolis ou Ameixópolis. Hoje, o pêssego e a ameixa dominam grande parte da produção agrícola da cidade, no lugar do marmelo. Este último, usado praticamente só para fazer doce, começou a perder espaço desde a década de 1980. “Faltou incentivo do governo para as lavouras. O marmelo não é consumido in natura, como a ameixa e o pêssego. Além disso, a variedade de doces aumentou muito”, explica Carla Ribeiro de Castro, extensionista da Empresa Brasileira de Extensão Rural (Emater) em Marmelópolis.

No auge da produção, a cidade chegou a ter 600 mil pés de marmelo. Hoje, conta com cerca de seis produtores e 20 mil pés do fruto. “Estamos tentando incentivar a produção, pois a cidade sem marmelo não tem sentido”, observa Carla. Ela revela que em safras passadas muitos produtores chegaram a ter que jogar parte dos frutos no lixo, pois não havia demanda. O cenário só melhorou, diz, depois da abertura da fábrica Marmelópolis Doces, que produz derivados de marmelo. “Agora os produtores começaram a conseguir vender”, diz. A Emater tem ainda incentivado o cultivo por meio de palestras sobre as variedades de marmelo, que são mais de 30.

porta-enxerto japonês A unidade da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) fez pesquisa ao longo de seis anos para tentar produzir marmelo com plantas mais resistentes e maior produtividade. “As mudas eram estacas enraizadas. Passamos a usar o porta-enxerto japonês”, explica Ângelo Alberico Alvarenga, pesquisador da Epamig em Lavras, no Sul de Minas. Como a planta é mais resistente, diz, a muda é produzida via semente, o que leva a raiz a aprofundar mais no solo. “Em cima dele vamos enxertando outras variedades”, afirma Alvarenga.

O marmelo foi produzido em maior quantidade em Minas durante as décadas de 1950 e 1960. Nos anos 1970 os plantios começaram a diminuir, principalmente por causa da doença conhecida como requeima, ferrugem, mela ou crestamento da folha. Causada por um fungo, ela incide sobre ramos, folhas e frutos. A queima leva a folha a cair precocemente, enfraquecendo a planta e a produtividade.

“Foi aí que aumentou o custo de produção e abriu espaço para outras atividades com melhor rentabilidade”, diz Alvarenga. Ele conta que o marmelo passou a sofrer concorrência de outros frutos, como pêssego, goiaba e ameixa. Atualmente a Epamig produz a muda do marmelo sob encomenda. (GC)


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