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Estado de Minas

Classe C está na mira do comércio

Com o poder de compra turbinado pela ascensão social, brasileira da Classe C está na mira do comércio, que muda para agradar uma consumidora que vê cada compra como conquista


postado em 13/01/2013 06:00 / atualizado em 13/01/2013 08:46

Para Scarlat Miranda, a boa aparência é fundamental:
Para Scarlat Miranda, a boa aparência é fundamental: "Sou chata com cabelo" (foto: Marcos Michelin/EM/D.A.Press)

Enquanto as mulheres das classes A e B consomem para se distanciar do comum e querem exclusividade em suas compras, as da classe C consomem para se sentirem incluídas. Afinal, a boa aparência abre as portas para um universo antes intangível. De olho no consumo desse público, que só no ano passado movimentou cerca de R$ 55, 7 bilhões e respondeu por 46% dos gastos dos brasileiros com moda, seguidos pelo público A/B (37,6%) e D/E (16,4%), o varejo tem se transformado.

Mais exigentes e criteriosas no momento das compras, essas mulheres, que têm ganhado mais e vêm ocupando melhores posições, descobriram o poder de se vestir bem, o prazer da roupa bonita e do bom visual, que propicia a sonhada inclusão. “Elas percebem que são mais respeitadas, e também seus filhos, e que quando estão bem vestidas novas perspectivas se abrem para ela”, garante a especialista em Marketing da Moda e Comportamento do Consumidor, Cristina Marinho.


Ainda de acordo com a especialista, um apelo de comunicação forte para consumidora classe C é usar o está todo mundo usando, enquanto o de classe A prefere algo que ninguém tenha ou esteja usando. “Ela quer se sentir como todas as outras e para isso tem gasto 70% do seu orçamento com moda e beleza”, conta. Mas esse mesmo público, segundo Cristina, passa por um novo momento. Depois de comprar, agora querem aprender como usar o que compram. “Com o consumo mais sofisticado, ela agora quer saber que estampa fica bem com o sapato, que modelo de blusa veste melhor”, explica.


Com a sofisticação do consumo, Cristina lembra ainda que os lojões, magazines, lojas de departamento e shoppings populares se beneficiam, já que essa cliente, embora seja mais exigente, continua comprando nos locais que comprava antes de ascender socialmente. Mesmo assim, segundo ela, é preciso que essas lojas se reiventem para atender esse público. “Muitos lojistas ainda usam o apelo do preço, mas essa mulher não está mais tão preocupada com isso, e sim com a oferta de marcas que ela também pode encontrar em um shopping”, considera. “Mais que isso, ela quer ser participar de coquetéis, desfiles e quer ver mudanças nas lojas onde tem o hábito de comprar”, garante.


Em plena Avenida Paraná, Região Central de Belo Horizonte, a loja Canal do Surf se destaca pelo visual moderno, com três TVs que passam DVDs simultaneamente. “Queríamos uma unidade simples, mas que chamasse a atenção. Lojas sem diferencial há muitas por aqui. Os clipes das TVs ajudam a trazer movimento para a loja”, diz o gerente Wesley Jonhson.
Lojas de departamento, como a C & A e a Riachuelo, também estão atentas à mudança buscam democratizar o acesso de sua clientela à moda, com parcerias com designers e estilistas renomados para tornar acessíveis peças antes exclusivas. A rede já lançou 19 coleções de grandes nomes da moda, como Reinaldo Lourenço, Isabela Capeto, Amir Slama, Alexandre Herchcovitch, Glória Coelho, Maria Bonita Extra, Maria Filó e Mixed.


A ideia da C & A é unir o melhor “DNA” das duas marcas em coleções exclusivas, informa a assessoria. Para as grifes, é uma oportunidade de popularizar sua presença em diversas regiões do país. Alguns lançamentos de coleções, como da Mixed, teve cinco peças esgotadas em menos de duas horas no primeiro dia de vendas na unidade do Shopping Iguatemi, em São Paulo.

MARCA Os produtos de marca costumam ditar a moda entre as consumidoras da classe C. “Elas querem mais mercadorias com estilo de shopping center, com brilho, strass e salto alto, mais fino. É um produto mais próximo da marca, mesmo que não seja original”, afirma Dayllerson Crystian, gerente da Dalinne Calçados, loja de sapatos na Rua Carijós, centro da capital.
A loja está no mercado há sete anos, sendo que 80% das consumidoras são da classe C. Crystian revela que o gosto mais refinado da clientela elevou o tíquete médio de venda nos últimos dois anos. “Melhoramos o mix de mercadorias e incluímos produtos de maior valor. Antes, o preço máximo que tínhamos na loja era de R$ 50. Hoje temos sandálias de até R$ 100”, afirma.


A atendente Michelle Santos, de 19 anos, é uma das consumidoras da Dalinne Calçados. Ela tem salário de R$ 622 e confessa que gosta de comprar “tudo que é de mulher”: maquiagem, cremes, bolsas, sapatos e acessórios. Michelle começou a trabalhar há dois meses e gasta mensalmente cerca de R$ 250 com consumo de roupas e produtos se beleza. “Agora eu compro tudo que não podia antes, pois dependia da ajuda da minha avó. E costumo pagar à vista”, diz. O trabalho permitiu a ela frequentar o salão de beleza semanalmente, onde gasta, em média, R$ 60 para fazer escova e unha.


O cabelo é o “cartão de visitas” da mulher, na avaliação da recepcionista Scarlat Miranda, que tem renda de cerca de R$ 900. “A mulher não precisa estar maquiada. Mas, se o cabelo estiver bom, disfarça até as manchas e olheiras. É só soltar, jogar para o lado e passar um brilho”, diz Scarlat. Ela hidrata as madeixas de duas em duas semanas. “Eu sou muito chata com cabelo”, confessa. A maquiagem também está sempre em dia. “Eu amo! Compro todos os meses”, diz. Os cremes, ela costuma comprar das marcas Natura e da Água de Cheiro.


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