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Estado de Minas DIA DE FINADOS

Dor e custo na hora de enterrar os parentes; gastos variam de R$ 3,77 mil a R$ 43,6 mil


postado em 29/10/2012 06:51 / atualizado em 29/10/2012 07:30

Alvacir Costa se despediu da mãe na sexta-feira:
Alvacir Costa se despediu da mãe na sexta-feira: "se a gente não tivesse o jazigo, a cobrança chegaria a R$ 17 mil" (foto: MARCOS MICHELIN/EM/D.A PRESS)
“Tem que pagar pra nascer, tem que pagar pra viver, tem que pagar pra morrer…” A letra da música Pare o mundo que eu quero descer, um dos sucessos do cantor mineiro Sílvio Brito, fala de problemas que incomodam a sociedade moderna, e que são mais reais a cada dia. Prova disso é que, às vésperas de mais um Dia de Finados, o preço de um jazigo (com duas gavetas) no Cemitério da Colina chega a R$ 17 mil, segundo levantamento do site Mercado Mineiro. Em metro quadrado, o valor é o mesmo cobrado pela área de apartamentos novos em alguns bairros de Belo Horizonte, como o Buritis.

O site fez levantamento de preços, taxas e serviços de cemitérios, funerárias e flores da capital entre os dias 18 e 25 de outubro. A pesquisa mostrou que para enterrar um ente querido em Belo Horizonte os parentes vão desembolsar R$ 3,77 mil se optarem pelos serviços mais baratos, e em média R$ 43,6 mil se escolherem os mais caros. A variação é de 1.056,19%. “É preciso ressaltar que há variação grande da qualidade dos serviços prestados. É como comparar um carro Uno Mille com uma BMW. É preciso, no entanto, atenção do consumidor, pois muitas vezes as funerárias aproveitam o momento delicado por que a pessoa está passando”, observa Feliciano Abreu, diretor-executivo do Mercado Mineiro.

O valor da urna, por exemplo, pode ir de R$ 280 a R$ 22 mil. Só para se ter ideia, as funerárias chegam a disponibilizar mais de 25 modelos de urnas. A mais barata é de madeira simples, com visor, varão e babado. A mais cara é de madeira maciça de luxo e com alça dourada argolão. O custo do velório pode variar entre R$ 107 e R$ 4 mil, diferença de 3.638,31%.

O velório mais caro é cobrado pela Funeral House, que oferece tratamento VIP. O serviço é feito em um casarão da década de 1950, tombado pelo patrimônio histórico, na Avenida Afonso Pena, na Zona Sul de Belo Horizonte. A ideia do empresário Haroldo Felício, idealizador do projeto, foi resgatar o clima dos velórios de antigamente, principalmente aqueles do interior, que ocorriam dentro de casa.

O negócio, que teve R$ 1,5 milhão de investimento, tem como proposta oferecer velório nos moldes antigos, porém, com muito requinte. Os clientes têm a opção de contratar um bufê da casa para servir bebidas e comidas, que vão desde água, sucos e refrigerantes até uísque e champanhe. As três salas de velório contam com espaço íntimo para a família, TV a cabo, computador e internet gratuita.

A lista de presença ao velório é feita de forma eletrônica. As funcionárias registram com um iPad o nome das pessoas e mensagens que desejam transmitir à família. Depois as informações são compiladas e entregues em CD aos parentes. “Com esses dados fica mais fácil convidar para a missa de sétimo dia”, diz Felício. Por meio de câmeras instaladas nas salas, familiares ou amigos que não puderam comparecer ao velório podem ver as imagens da cerimônia. A localização do casarão, segundo Felício, foi definitiva para o negócio. “A casa fica em uma região mais central, o que facilita o acesso”, afirma. A Funeral House tem feito em média 25 velórios por mês.

A mãe de Alvacir Ferreira da Costa Filho, Olinda Fernandes Martins, faleceu na sexta-feira. Ela foi enterrada no mesmo túmulo do marido, que morreu há 25 anos. Alvacir Filho conta que teve que desembolsar cerca de R$ 3,68 mil para fazer o enterro. Só para transferir os ossos da gaveta foram cobrados R$ 900. “Se a gente não tivesse o jazigo, a cobrança chegaria a R$ 17 mil. Eles aproveitam o momento e fazem o orçamento de forma muito fria”, afirma.

Áreas valorizadas


O Cemitério Parque da Colina tem área de cerca de 250 mil metros quadrados e é o particular mais antigo da cidade. Hoje, há cerca de 80 mil pessoas sepultadas no local. “Está próximo do Centro, o que pode justificar o preço”, afirma Roberto Toledo, gerente do cemitério. Haroldo Felício é também administrador do Bosque da Esperança e do Renascer Cemitério e Crematório, em Contagem. Ele afirma que o Brasil vive hoje situação inversa da China, onde houve uma explosão de preços de túmulos. “Aqui há excesso de oferta de jazigo e cultura contra a cremação. Lá o preço do solo urbano é caro e a cultura a favor da cremação”, observa. O preço do metro quadrado dos sepulcros na China chega hoje a 75 mil iuanes (mais de R$ 21 mil).

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