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Estado de Minas

Pior já passou, segundo Tombini

Tombini prevê queda da inflação e crescimento no semestre


postado em 13/09/2012 06:00 / atualizado em 13/09/2012 07:19

Brasília – Com um discurso otimista, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tentou convencer o mercado e o setor produtivo de que o pior já passou. Ontem, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, foi enfático na defesa dos estímulos “contratados pelo governo”, a exemplo das desonerações tributárias e da redução dos juros básicos (Selic) em cinco pontos percentuais em vigor desde agosto do ano passado. Tombini garantiu ainda que, diferentemente do primeiro semestre, o país vai crescer a taxas robustas nesta segunda metade do ano. Explicou também que a inflação vai permanecer alta por algum tempo, mas que deve ceder para níveis melhores.

Em uma audiência esvaziada pelas eleições municipais, Tombini exaltou os “sólidos fundamentos” macroeconômicos do país e também como o Brasil tem transitado pelo cenário internacional, classificado por ele como complexo. O presidente do BC ainda destacou que, em função da menor confiança do empresário e do consumidor, os estímulos dados pelo governo desde o ano passado demoraram mais que o normal para aparecer na economia. “Naturalmente, vivemos em um mundo de grande volatilidade, mas estamos crescendo. A política monetária funciona. Em função do momento da economia, todos ficaram mais cautelosos”, argumentou. “Isso não tirou eficácia (das medidas), os efeitos virão”, garantiu.

Sobre a inflação, Tombini reforçou as palavras da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Disse que os preços estão convergindo para a meta, mas de maneira “não linear”, ou seja, apesar das altas da carne, dos grãos, e dos produtos in natura, o custo de vida se manterá dentro do tolerável. Ele observou que problemas climáticos nos Estados Unidos prejudicaram gravemente a produção de grãos e isso se transformou em inflação no Brasil.

“Esse choque de oferta de 2012 é localizado em duas ou três commodities agrícolas. Na nossa avaliação e de outros BCs, esse problema terá amplitude mais curta que a observada em 2010/2011”, disse. “A boa notícia é que os in natura oscilam muito, os preços deles vão e vêm. Por isso não deve ser de grande preocupação”, ponderou Tombini. A autoridade monetária ainda defendeu que os pacotes anunciados recentemente pelo governo vão contribuir para reduzir os custos de produção no país e a estabilizar a economia e os preços.

Desaceleração

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) fez ontem duras críticas às políticas de ajuste fiscal dos países da Zona do Euro, que, na avaliação da entidade, têm agravado a crise. Não é à toa que o organismo prevê forte desaceleração do crescimento da economia global, que, depois de já ter recuado de 4,1% em 2010 para 2,7% no ano passado, não deverá passar de 2,3% neste ano.

Para o Brasil, o órgão projeta uma expansão de 2%, abaixo da variação obtida pelo Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, que foi de 2,7%. Segundo Alfredo Saad Filho, economista da Unctad, a economia mundial continua a sofrer os impactos da crise financeira iniciada em 2007 e agravada pelo derretimento dos mercados em setembro de 2008. “O problema imediato é a incapacidade dos países desenvolvidos para retornar ao ritmo de crescimento normal, mas há também o problema sério de contágio”, ressaltou. A Unctad considera os países emergentes, especialmente Brasil, China e Índia, “fontes de inspiração”, com suas políticas de estímulo à demanda.


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