Criada para ser referência entre os centros tecnológicos do país e prestes a completar 40 anos amanhã, a Fundação Centro Tecnológico de Minas viu a verba para pesquisa tecnológica minguar entre 2010 e 2011. Este ano, nenhum centavo do orçamento foi destinado para a rubrica considerada estratégica para que o Cetec crie diferenciais de inovação para a indústria mineira. Enquanto isso, a fundação começa a dar os primeiros passos no convênio com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que deve aproximar o órgão público, ligado à Secretaria de Ciência e Tecnologia, da iniciativa privada. “O objetivo é agregar valor à indústria mineira. Como grande parte dela é voltada para commodities como minério e café, desenvolveremos, nessas áreas, soluções inovadoras, que terão grande demanda de pesquisa”, explica o presidente do Cetec, Marcílio César de Andrade.
Se em 2010 foi destinado R$ 1,2 milhão aos projetos de pesquisa tecnológica no Cetec, em 2011 esse número foi de R$ 13,3 mil. O orçamento se manteve na casa dos R$ 20 milhões, mas o valor destinado ao ponto nevrálgico da instituição se reduziu de 6,067% do total para 0,066%. Os dados são do portal da transparência do governo do estado. O presidente do Cetec não soube explicar exatamente o motivo da adequação orçamentária que privilegia outras despesas como “planejamento gestão e finanças” e indicou que os dados merecem ser analisados com mais calma.

Na perspectiva de consolidar o polo tecnológico da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a forte atuação do Cetec junto às empresas é perspectiva considerada essencial. “Se o órgão permitir acesso às indústrias, diretamente, para negociar projetos e parcerias para obter benefícios de competitividade, acho saudável. Mas quanto mais intermediários no processo, pior”, opina Aílton Ricaldoni Lobo, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica no estado.
Dez meses depois da assinatura do contrato que firmou a parceria com o Senai, a transição marca as atividades do Cetec. “Estamos em fase de operacionalização do contrato, que é parceria inédita, mas forte tendência em âmbito nacional”, destaca Marcílio de Andrade. A proximidade com centros de pesquisa avançados seria um dos atrativos do polo de microeletrônica do Vetor Norte. As especulações para a região, até o momento incluem a vinda da Foxconn, fabricante taiwanesa de iPads e a portuguesa Nanium, de semicondutores, além dos planos confirmados da construção de planta fabril da Companhia Brasileira de Semicondutores (CBS).
O trabalho do Cetec, até o momento, não inclui expertise no setor. Se concentra em áreas como tecnologia mineral, tecnologia metalúrgica e de materiais, biotecnologia e tecnologia química, tecnologia ambiental, metrologia e ensaios e informação tecnológica.
