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Estado de Minas

Pontualidade e presença ao trabalho garantem bônus a funcionários em Minas

Profissionais da construção civil, de restaurantes e outros segmentos recebem prêmios e até dinheiro quando cumprem suas obrigações sem falhas. Redução das faltas é expressiva


postado em 04/03/2012 07:46

Nem inglês, muito menos ensino superior completo. Os diferenciais reconhecidos e premiados entre os empregados das áreas operacionais de indústrias, comércio e especialmente da construção civil são a pontualidade e a presença regular ao trabalho. Obrigação inerente a qualquer cargo, a assiduidade, ou seja, a prática de não faltar ao serviço, se tornou motivo de bonificação, ferramenta implantada cada vez com mais frequência entre os empresários. Em alguns casos, o prêmio em dinheiro pode representar quase 12% do salário mensal do funcionário, um grande incentivo para bater o ponto todos os dias.

Na Construtora Masb, o programa Colaborador Nota 10 começou em junho do ano passado e já foi suficiente para reduzir de 9,6% para 6% o índice de faltas mensais até o fim de setembro – quando foi encerrada a primeira fase do projeto, retomado em janeiro. “Assiduidade e pontualidade são os itens de maior peso na avaliação, que ainda inclui envolvimento da equipe, disponibilidade, utilização de equipamentos de segurança, entre outros”, explica a coordenadora de RH da Masb, Henriqueta Silva Chaves.

A frequência ao trabalho, porém, é disparado o quesito mais valorizado. Cerca de 70% da pontuação concedida aos funcionários vêm do cumprimento dessa norma. Para aqueles que conquistam 90% do total de pontos distribuídos, o prêmio é de R$ 40 no mês. Quem chega a 95% embolsa R$ 50 e os exemplares, com 100%, levam R$ 60 em um cartão-prêmio que pode ser utilizado em vários estabelecimentos comerciais da cidade.

Para ter ideia, no mês em que o programa começou, o volume de faltas chegava a 600 dias ao mês. Se considerar que são 600 os colaboradores da empresa na obra, cada um faltava pelo menos uma vez ao mês. “Mas há aqueles que faltam 15 dias”, comenta Henriqueta Chaves. No primeiro mês somente 136 empregados foram contemplados.

Mas houve quem se empenhasse para conquistar o benefício, como a faxineira da Masb Alessandra Norberto, que só ganhou os R$ 60 desejados no terceiro mês de implantação do Colaborador Nota 10. “Faltei alguns dias para levar meu filho ao médico. Mas agora só não vou trabalhar se precisar muito”, conta. Com o extra, ela comprou roupas e calçados para o filho e promete não parar por aí. “Quero ganhar mais vezes. Na próxima, vou comprar um celular”, planeja.

Assédio

O programa é rigoroso. “Uma falta apenas é suficiente para reduzir o aproveitamento para 90%. Com duas faltas, o funcionário já perde a chance de ser premiado”, explica Henriqueta. O forte aquecimento do mercado da construção é um dos principais motivos para as faltas sem justificativas. Assediados para executar pequenos reparos e reformas, pedreiros, serventes e pintores muitas vezes não resistem à grana extra da diária que podem ganhar fazendo bico – superior ao que recebem na obra. Mas esta não é a única motivação. “Como a mão de obra não é qualificada, o comprometimento não existe como deveria e qualquer coisa é motivo para ausência, até se o time de futebol perde”, comenta o diretor da construtora Excelso, Caio Celso Cardoso.

Na empresa de Caio, os funcionários são avaliados semanalmente e aqueles que não faltam garantem um vale-supermercado no valor de R$ 20. O benefício pode somar R$ 80 no mês, para aqueles que cumprem as exigências com rigor. O valor chega a quase 12% do salário de um servente (R$ 677,60, segundo o sindicato dos trabalhadores, Marreta) e 10% dos chamados meio-oficiais, como os ajudantes de pedreiro, que têm remuneração de R$ 783,55. “Adotamos a prática há um ano e meio e desde então tivemos uma recuperação de 85% da assiduidade dos funcionários”, calcula Caio Cardoso. A produtividade, que estava caindo, em função das faltas, também foi retomada, sem contar a queda registrada na rotatividade.

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