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Estado de Minas

Loja de móveis planejados dá calote em clientes de BH

Consumidores compraram os móveis planejados da empresa, localizada no Bairro Buritis, em julho do ano passado e até hoje não receberam a mercadoria. Dono da loja afirma que assalto inviabilizou cumprimento dos prazos


postado em 28/01/2012 11:22

O mercado de móveis segue cada vez mais aquecido no país. Mas, frustração é o que encontraram pessoas que procuraram os serviços da Cozinhas Bellas Móveis Planejados, em Belo Horizonte. A empresa lidera reclamações no Reclame Aqui, site colaborativo em que consumidores avaliam serviços e produtos. Localizada no Bairro Buritis, Região Oeste da capital, a loja deixa de cumprir a entrega de móveis desde junho do ano passado. Insatisfeitos, clientes buscam seus direitos.

O engenheiro Elisson Henrique Nunes comprou móveis planejados na Cozinhas Bella no dia 13 de outubro de 2011, no valor de R$ 1.050. A previsão de entrega era o dia 15 de dezembro, mas foi prorrogada há mais de um mês e ele ainda não recebeu nenhum produto. “Me pediram um prazo de 45 dias úteis. Já cobrei a entrega de várias formas, fui à loja, liguei para o proprietário e nada acontece. Agora, nem me atendem mais. Dividi minha compra em duas parcelas, a loja entrou com o segundo cheque antes da data combinada. Essa parcela seria paga depois de concluída a montagem dos móveis. Fui à loja pedir meu dinheiro de volta e, depois de muito tempo, fui pago com um cheque sem fundos. Entrei com uma ação na justiça”, explica.

A vendedora Daniele de Souza também não recebeu os móveis comprados. No dia 18 de junho de 2011, ela comprou armários para cozinha, além de guarda-roupas, cabeceira da cama e criado-mudo para o quarto. “A compra ficou em R$ 7 mil e o pagamento foi feito em duas parcelas, sendo que a segunda entraria quando ocorresse a entrega. Os produtos deveriam ter sido montados até o dia 20 de julho e até hoje não recebi nada, além de ter perdido o dinheiro”, reclama.

Daniele de Souza conta que tentou resolver a situação de forma amigável diversas vezes, solicitando informações por telefone e e-mail. “O proprietário da loja não apresentou nenhuma justificativa plausível, dizendo apenas que os móveis seriam entregues e instalados na semana seguinte, semana essa que nunca chegou”, ressalta. Ela entrou na justiça e a primeira audiência já aconteceu. “O proprietário recebeu a intimação porém não apareceu, ou seja, ele pouco se importa, pois já recebeu o valor integral, não instalou os móveis e continua fazendo o mesmo com outras pessoas conforme consta no site do Reclame Aqui. Eu não quero mais os móveis, quero receber o meu dinheiro de volta”, reclama.

Denise Mara Leite e o marido Geraldo Magela fecharam o contrato com a Cozinhas Bella no dia 17 de agosto do ano passado. O prazo de entrega estabelecido pela loja também foi de 45 dias úteis e, assim como nos outros casos, os móveis planejados não foram entregues. “Comprei móveis para cozinha, rouparia, home e closet e tudo ficou em R$ 13.272. Gostamos do projeto da loja, fomos bem atendidos e confiamos no serviço, mas até hoje não recebemos nada. Nosso apartamento é novo e estamos até hoje com nossas coisas embaladas nas caixas, porque não temos onde guardá-las”, explica Geraldo.

O casal entrou em contato com a loja várias vezes e o proprietário sempre marca uma nova data para entrega. “Fizemos boletim de ocorrência, entramos com ação na justiça, mas queremos os móveis. Não queremos o dinheiro de volta, e sim, o serviço que já foi pago. Em nosso último contato com o proprietário da loja ele combinou que os móveis serão montados na próxima terça-feira, dia 31”.

A contadora Luciana Maia de Palma comprou os móveis e pagou à vista no dia 22 de julho. Ela conta que foi atraída pelo bom atendimento da então vendedora Elizete. “Comprei armários para os banheiros, cozinha e área de serviço. Tudo ficou em R$ 6.250. Os móveis não foram entregues na data prometida. Enviei e-mails, fui à loja, de onde fui expulsa, e nada adiantou. Estou sem os móveis e sem o dinheiro. Tenho uma audiência no Procon dia 31 e uma no Juizado Especial de Pequenas Causas em maio”, revela.

Procurada pela reportagem do em.com, a ex-vendedora da Cozinhas Bella, elogiada pelos clientes, Elizete Mendonça, disse que sempre gostou de trabalhar na loja onde ficou por muito tempo. “Contudo, a partir do meio de 2011, surgiram alguns problemas na loja, perdemos um vendedor muito bom e as vendas diminuíram. Os negócios não estavam indo bem”, conta.


O outro lado


Se depender do dono da loja, Giancarlos Silva, os clientes vão ficar mais um tempo sem ver a cor do dinheiro e os móveis pretendidos por eles. O empresário afirmou que está fazendo de tudo para devolver a quantia paga, porém depende do lucro do estabelecimento. “Nossa empresa é familiar e nós não temos capital de giro. Giramos com o que a gente vende. Há cerca de cinco meses atrás sofremos um assalto e isso nos fez atrasar os pedidos”, afirma.

Segundo o empresário, no assalto os suspeitos levaram computadores onde estavam os projetos dos móveis. “Como não temos um sistema de backup, não conseguimos recuperar os projetos que estavam prontos. Tentamos ir na casa dos clientes novamente, porém alguns se recusaram a nos atender. Nós não temos seguro, por isso tivemos um grande prejuízo”, diz. Em relação ao que foi feito com o dinheiro pago pelos clientes, ele foi enfático. “Foi usado para sanar o prejuízo da loja”.

Giancarlos estima que deve a 15 pessoas, porém, já está quitando as dívidas. “Desde 1º de janeiro estamos negociando com os clientes. Já mandamos cartas para marcar um encontro e conversar a melhor maneira de pagamento. Estamos usando o dinheiro das vendas para pagar os clientes, por isso estamos pagando aos poucos”, revela o empresário.

Para explicar por que não compareceu a nenhuma audiência, ele usou o trabalho como desculpa. Segundo Giancarlos, como a loja está sem funcionários, ele e a irmã têm que se revezar para visitar clientes e fazer mais projetos.


Dica para compras


De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), no caso de móveis planejados, que necessitam ser entregues em domicílio, o cliente deve fazer solicitar que o prazo de entrega seja registrado em nota fiscal ou recibo, o que facilita a exigência de seus direitos. Ainda segundo o Idec, quando o fornecedor estabelece um prazo para entregar o seu produto, ele deve cumpri-lo, do contrário restará caracterizado o descumprimento da oferta. Nesse caso, o consumidor poderá exigir à sua escolha: o cumprimento forçado da obrigação, outro produto equivalente ou o cancelamento da compra e a devolução da quantia paga com correção monetária. Ele também pode pedir indenização pelos prejuízos sofridos em razão do descumprimento do prazo de entrega.


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