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Estado de Minas

Taiwan ostenta condição de uma das nações que mais exportam eletrônicos

A ilha é hoje um dos centros tecnológicos do planeta que mais crescem


postado em 08/01/2012 09:25

Empregado da Foxconn em Taipei: empresa planeja levar brasileiros para aprender com os taiwaneses(foto: Wally Santana /AP)
Empregado da Foxconn em Taipei: empresa planeja levar brasileiros para aprender com os taiwaneses (foto: Wally Santana /AP)
Taipei e Hsinchu — Depois do reconhecido sucesso da Coreia do Sul, que virou o rumo de sua história ao investir pesado em educação nos anos 1960, outros países asiáticos decidiram adotar a mesma receita. Taiwan, a pequena ilha ao sul da China, talvez seja um dos melhores exemplos desse movimento. Hoje, o lugar é um dos centros tecnológicos do planeta que mais crescem graças à decisão, tomada há 20 anos, de abandonar o posto de paraíso das falsificações e apostar tudo no desenvolvimento científico. Agora, enquanto o Brasil ainda espera para definir um plano efetivo para sua política industrial de longo prazo, a estratégia dos taiwaneses rende frutos. A ilha se transformou numa das maiores fornecedoras de tecnologia no mundo e já nem se lembra como era nos anos 1980.

Os sinais do crescimento aparecem por toda parte, mas, sobretudo, nos parques científicos, que recebem de serviços básicos, como água, gás encanado, eletricidade e comunicação, até sofisticados sistemas de tratamento da águas residuais, alfândega 24 horas, bancos, clínicas, dentistas, instalações recreativas e escola bilíngue para trabalhadores e familiares. Na lista, constam ainda incentivos a empresas que apostam em tecnologia, como imposto único de 17%, dedução de 15% a 30% sobre os gastos em pesquisa e desenvolvimento, isenção de Imposto de Importação de equipamentos e de bens de capital, além de subsídios para a formação de funcionários.

Ao todo, são 717 companhias estabelecidas em 13 polos científicos. A cadeia de maior expressão é a de semicondutores, com 192 empresas em todos os parques, mas as indústrias de LCD, LED, energia solar e biotecnologia também se destacam. Juntas, elas empregam quase 220 mil pessoas e faturaram US$ 74,9 bilhões em 2010, o equivalente a 8,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas produzidas no país). “Taiwan é o quarto país do mundo em número de patentes registradas e hoje, praticamente metade de seu PIB vem da indústria de eletrônicos”, comenta o representante do Conselho de Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan, Richard Tsai. Em 2009, somente nos Estados Unidos, a pequena ilha fez mais de 18 mil registros e, na China, outros 21,1 mil.

Papel falante

No Parque Científico da cidade de Hsinchu, a receita gerada pelas 449 empresas somou US$ 40,9 bilhões em 2010 — um crescimento de 48% sobre 2009. O maior volume, US$ 27,6 bilhões, partiu do setor de semicondutores. Para 2011, a expectativa de crescimento é menor, de 10% a 15% — os dados ainda não foram fechados —, em razão da crise nos principais mercados importadores, como a Europa.

Dentro do parque, a uma hora e meia de carro da capital Taipei, o Instituto de Pesquisa Tecnológica Industrial (ITRI, na sigla em inglês) é um caso à parte. Mantido pelo governo taiwanês e pela iniciativa privada, registrou mais de duas mil patentes desde que foi criado, há duas décadas, e tem recebido vários prêmios de inovação. Um dos mais recentes, laureado por instituições norte-americanas, foi o desenvolvimento de uma fibra de papel que funciona como alto-falante. Conectado a um iPod, produz som perfeito, sem ruídos. O instituto desenvolveu ainda a patente de um televisor 3D que pode ser assistido sem o uso de óculos. A Foxconn comprou a ideia e lançou o produto em 2010.

A empresa, uma das maiores fabricantes de produtos das grandes marcas globais, como a Apple, anunciou, em abril de 2011, investimentos de US$ 12 bilhões para a construção de uma fábrica de
iPads no Brasil. A Foxconn ainda negocia um local e benefícios para o projeto. Mas, a fim de estruturar sua nova unidade, definiu que pretende transferir para Taiwan, em 2012, cerca de dois mil funcionários da nova unidade brasileira, para treinamento, revela o diretor do escritório comercial do Brasil em Taiwan, Sérgio Taam. “Haverá um intercâmbio maior entre os dois países, não apenas comercial, nos próximos anos”, prevê.


Balança


Taiwan é o 13° maior exportador para o Brasil, enquanto o país ainda manda muito pouco de seus produtos para lá


(Em US$ bilhões)
Exportação
2001 - 0,312
2002 - 0,430
2003 - 0,689
2004 - 0,832
2005 - 0,826
2006 - 0,759
2007 - 0,815
2008 - 1,414
2009 - 0,961
2010 - 1,737
2011* - 2,123

Importação
2001 - 0,735
2002 - 0,686
2003 - 0,646
2004 - 0,981
2005 - 1,323
2006 - 1,748
2007 - 2,285
2008 - 3,537
2009 - 2,412
2010 - 3,104
2011* - 3,310
*até novembro

Principais produtos
O Brasil importa de Taiwan óleo diesel, circuitos integrados, tela para microcomputadores portáteis e placas-mãe. Na exportação, destacam-se soja em grãos, minério de ferro, algodão e ferro fundido.

Fonte: Mdic


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