A escolha do economista Christophera Sims como um dos vencedores do Prêmio Nobel de Economia neste ano reforça a pertinência da atual política do Banco Central (BC) brasileiro de flexibilizar o sistema de metas de inflação para viabilizar crescimento econômico. A avaliação é de Roberto Messemberg, coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O coordenador considera injustas críticas recebidas por Sims e elogia a escolha do economista para a premiação. O coordenador do Ipea diz que o regime de sistema de metas no País está sendo aplicado de "uma maneira um pouco envergonhada", sendo um sistema "um pouco sujo", já que o resultado anualizado bateu o teto (6,5%) da meta do governo.
No entanto, ele considera que o BC está atuando de forma muito inteligente e não poderia atuar diferentemente, diante do cenário externo que se impôs desde 2008 com a crise internacional.
Messemberg destaca um parágrafo de um artigo sobre os limites para as metas de inflação, escrito por Sims em 2004, para confirmar sua tese de que é viável uma flexibilização das metas para viabilizar o crescimento econômico. No artigo, o economista diz que, na existência de condições sob as quais o comprometimento com as metas de inflação, como política de Banco Central, tenha uma alta probabilidade de se provar insustentável as metas não devem ser recomendadas.
Nestes casos, de acordo com o texto, o comprometimento "pode facilmente levar ao desastre". Naquele ano, disse que perseguir as metas não seria uma boa ideia na Argentina e poderia ainda se provar como uma decisão errada, ou pelo menos insustentável, no Brasil.
