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Estado de Minas

Nem nobel de economia consegue decifrar crise

Para ganhadores da mais importante premiação mundial de economia, a instabilidade atual é tão forte que nem eles mesmos têm resposta de como o mundo escapa do atoleiro


postado em 11/10/2011 06:00 / atualizado em 11/10/2011 06:22

Brasília – A complexidade da crise mundial instiga até mesmo os vencedores do Prêmio Nobel de Economia, anunciados nessa segunda-feira. Para os norte-americanos Christopher Sims, da Universidade de Princeton, e Thomas Sargent, da Universidade de Nova York, a situação atual é tão grave que é impossível dar uma resposta sobre como sair do atoleiro. Os pesquisadores, que desenvolveram um modelo para análise da relação entre a política econômica e os seus efeitos práticos, admitiram nessa segunda-feira que seus estudos são insuficientes para solucionar os problemas que se arrastam desde 2008.

Sims foi categórico em afirmar que a situação requer estudos mais aprofundados e contribuições adicionais de outros economistas. No entender do professor, protestos populares como os que cercam Wall Street, a rua que concentra o mercado financeiro em Nova York, revelaram o crescente descontentamento com os erros recentes da política econômica, que levaram ao aumento do desemprego nos Estados Unidos.

Para Sargent, que dedicou décadas à avaliação conjunta de diferentes variáveis, como Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas geradas num ano), inflação, empregos e investimentos, os dados de hoje não permitem previsões seguras. "Somos apenas tipos formais que olham para os números e tentam entender o que está ocorrendo", acrescentou. Seu foco de pesquisa está nas reações de pessoas e governos diante das oscilações da economia. "O pânico que está tomando a Europa em torno do euro, por exemplo, tem tudo a ver com as expectativas sobre o que outras pessoas vão fazer."

No caso europeu, Sims ressaltou que o maior obstáculo está na falta de uma verdadeira autoridade monetária para o euro, moeda comum de 17 países. Para ele, o Banco Central Europeu (BCE) não consegue desempenhar plenamente esse papel, explicitando a fragilidade na tomada de decisões no bloco. Sargent comparou o momento na Zona do Euro ao dos Estados Unidos nos anos 1780. Naquela época, os 30 estados do país tinham larga autonomia em questões como impostos, juros, comércio e regras de endividamento. O impasse só foi superado na Constituição, fortalecendo o governo central. "Os EUA nasceram com o mesmo problema da Europa hoje", resumiu.

Na avaliação dos vencedores do Nobel, a crise que ameaça levar o bloco europeu ao colapso também sinaliza o esgotamento do modelo de Estado provedor de bem-estar social. Prova disso seria que, diante da estagnação econômica e da falta de recursos para pagar suas enormes dívidas, as primeiras medidas de austeridade adotadas por países como Grécia, Portugal e Espanha envolvem o enxugamento do setor público. Nesse ajuste doloroso, demissões de servidores, redução de salários e aposentadorias e até restrições na educação e na saúde foram anunciadas, com aumento de taxas e impostos.

Brasil

Durante a entrevista no auditório da Universidade de Princeton, transmitida pelo site da instituição, logo após o anúncio da premiação, Sargent destacou as recentes conquistas econômicas da América Latina. "Na década de 1980, predominava na região o problema do descontrole fiscal e da hiperinflação, que corroíam a renda da população, sobretudo as camadas mais pobres. O Brasil, em particular, foi muito afetado por esse quadro", disse o economista, questionado pela reportagem. Ele explicou que o contexto levou a soluções inesperadas, como a estabilização da moeda nos anos 1990.

Antes disso, Christopher Sims lembrou que a América Latina experimentou artifícios, como a dolarização da economia, que se sustentaram pela popularidade e pela ilusão de uma moeda supervalorizada. A medida, que alcançou o auge na Argentina do presidente Carlos Menem, até domou a inflação, mas acabou agravando outros problemas, como dívidas públicas e privadas, além de ruir a competitividade da indústria local. "Foi uma visão ingênua", emendou. (Colaborou Sílvio Ribas)

 

“Banco podre” será criado

 

O governo belga confirmou nessa segunda-feira que será criado um banco residual, também conhecido como "banco podre", para isolar os ativos tóxicos do franco-belga Dexia, no marco do resgate multimilionário estipulado com a entidade.

O primeiro-ministro belga interino, Yves Leterme, confirmou que o banco residual terá ativos de 90 bilhões de euros, que serão garantidos pela Bélgica (60,5%), França (36,5%) e Luxemburgo (3%).

Mais cedo, os governos destes três países já haviam anunciado acordo para um pacote de resgate ao Dexia. A instituição – maior banco belga – é vista como primeira vítima da crise da dívida grega.

O governo belga irá pagar 4 bilhões de euros (cerca de R$ 10 bilhões) pelo controle total do Dexia, valor considerado "razoável" pelo ministro das Finanças belga, Didier Reynders.

O governo belga considera que os termos do acordo se ajustam mais ou menos a seu objetivo de negociação, que era não ter de desembolsar mais de 1% do PIB nacional (3,6 bilhões de euros) pela compra da instituição falida.

Reynders disse que, da mesma forma que nas ajudas aprovadas durante a crise financeira do final de 2008, o país não pretende permanecer eternamente no capital social do Dexia. "Em cinco anos ou mais, talvez ainda estejamos dentro", assinalou o ministro.

Espanha

  A agência de classificação Fitch anunciou nessa segunda-feira o rebaixamento da nota de sete governos locais e regionais na Espanha, dias depois de ter cortado em dois níveis a nota de classificação da dívida pública nacional.

Em um comunicado, a agência informou que o rebaixamento afeta as comunidades autônomas de Astúrias, Cantábria e Madrid, e as cidades de Vigo, La Coruña e Barcelona, assim como a província de Barcelona, segundo o jornal El Mundo.


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