Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda não reagiu publicamente à provocação que recebeu do norte-americano Paul Krugman. O colunista e Nobel de economia acusou Mantega de estar fazendo bullying (termo que descreve abuso contínuo, físico ou verbal, geralmente entre estudantes) ao Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), com o objetivo de pressionar a autoridade monetária a elevar sua taxa básica de juros. A migração de dólares para países emergentes, valorizando moedas locais, tem no ministro um dos maiores críticos na atualidade. Ele conseguiu incluir o tema na pauta da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na edição on-line do New York Times, Krugman publicou na terça-feira texto no qual analisa a persistente condenação do Brasil à guerra cambial. Para ele, a crítica tem a pretensão de levar a maior economia do mundo a "abandonar sua política monetária independente" para que as economias emergentes "não tenham que encarar a escolha entre a apreciação cambial e a inflação importada". "Este mundo confuso está criando dilemas para pessoas como, digamos, o ministro da Fazenda do Brasil. Aqui na América, não existe dilema: é emprego, emprego, emprego", alfineta Krugman. Ele sugere a Mantega como remédio contra a valorização do real a adoção de mais controle de ingresso de capital.
BRICS
O economista até elogia os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) por não terem repetido o desleixo dos EUA e Europa na fiscalização de instituições financeiras, que levaram à crise internacional de 2008 e 2009. Mas logo depois os critica ao dizer que a única inflação que ameaça os norte-americanos atualmente é o das commodities (produtos básicos cotados internacionalmente), puxada pela crescente demanda de emergentes. "Quanto às reclamações de outros países, de que têm inflação porque estamos imprimindo dinheiro, a resposta insolente é: não é problema nosso, caras", sintetiza.
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Vencedor do Nobel de economia acusa Mantega de "bullying"
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