Publicidade

Estado de Minas

Preço da carne sobe 1,18% e supera inflação

No início da entressafra, arroba do boi está cerca de 20% mais cara do que no mesmo período de 2010. Comércio tenta segurar alta, mas produto aumentou 1,18% este mês


postado em 13/05/2011 06:00 / atualizado em 13/05/2011 06:15

Depois de um refresco no bolso do consumidor nos últimos quatro meses, a carne de boi, conhecida vilã dos preços no ano passado, volta a pressionar os custos dos frigoríficos e bate às portas do varejo às vésperas da chegada para valer da estação que seca o pasto e encarece as despesas nas fazendas. Os frigoríficos pagaram esta semana R$ 90 a R$ 91 pela arroba do boi gordo, quase o mesmo valor médio de abril (R$ 95), que já havia representado um aumento de 25% sobre a cotação do mesmo mês do ano passado, de R$ 76.

Nos açougues e supermercados, risco de perda de vendas contém reajustes, mas consumidor vai pagar mais caro pelo produtos com entressafra(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press-14/10/05)
Nos açougues e supermercados, risco de perda de vendas contém reajustes, mas consumidor vai pagar mais caro pelo produtos com entressafra (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press-14/10/05)
O aumento antes do esperado já foi sentido nos açougues e supermercados, que na guerra para não repassar reajustes para os consumidores e correr o risco de perder vendas, estão esticando a corda na negociação com os frigoríficos. Mesmo com essa resistência do varejo, os preços da carne bovina encareceram 1,18%, em média, na primeira semana de maio, portanto superando a inflação de 0,98% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), retrato dos gastos das famílias com renda entre um e 40 salários mínimos em Belo Horizonte. A alta foi observada na primeira prévia da inflação de maio, apurada pela Fundação Ipead, vinculada à UFMG, e serve de alerta ao consumidor para o comportamento dos preços na entressafra.

O custo da arroba do boi, diferentemente do que se poderia esperar, já veio alto da temporada da safra, apesar das chuvas fartas, bons pastos e, portanto, mais facilidade para engorda dos bois. Os supermercados avisam que vão jogar duro com a indústria, porque não estão dispostas a perder vendas, segundo o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues. “Daqui para frente as negociações engrossam com os frigoríficos. Os supermercados têm de negociar bem agora para garantir vantagens e repassá-las ao consumidor mais à frente”, diz.

Jogo de empurra O presidente da Associação de Frigoríficos de Minas Gerais, Espírito Santo e Brasília (Afrig), Sílvio Silveira, dá o troco e vai logo sustentando que nas atuais condições da oferta e da procura das carnes em geral, não há porque imaginar um cenário de alta dos preços no varejo. “Ninguém tem bola de cristal. A carne barateou neste ano e há opções boas das carnes suína e de frango. Ela está cara é no supermercado”, diz. Embora bem superior a abril do ano passado, o valor da arroba do boi  é, de fato, menor do que em novembro, quando atingiu o pico de R$ 103 em Minas, de acordo a área técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do estado (Faemg).

Adilson Rodrigues, da Amis, pondera que os preços da carne nos supermercados baratearam 4% de janeiro a abril. Pesquisa feita pela Scot Consultoria, especializada em agronegócio, constatou redução média de 13% dos preços da carne bovina no varejo em Minas desde janeiro. O analista de agronegócios da Faemg, Rodrigo Padovani, observa que no caso das cotações do boi gordo elas ainda se mantiveram em patamares elevados. “Esse ainda é o reflexo da falta do bezerro, que não dá para criar da noite para o dia”, diz.

 Segundo o superintendente de Marketing da Associação Brasileira dos Criadores de Zebus (ABCZ), o pecuarista e zootecnista João Gilberto Bento, o que manda na valorização da arroba é o mercado: a lei da oferta e da procura. Ele lembra que em 2006 e 2007 o preço da arroba ficava perto de R$ 50. Os produtores de gado de corte começaram a ter prejuízo, ficaram desestimulados e diminuíram o plantel. Houve um grande abate de matrizes. E o reflexo é visto agora, com a redução do número de bezerros para engorda e para o abate.

Consumido dita preços

A valorização dos preços no atacado ainda ganhou força com o aumento do consumo, uma vez que as classes C, D e E, passaram a inserir a carne bovina de cortes mais nobres, como picanha e filé, com mais frequência no cardápio e nos churrascos de fim de semana. O consumo é que vai ditar o ritmo de evolução dos preços no varejo, para o analista e zootecnista Alex Lopes da Silva, da Scot Consultoria. “O único termômetro do varejo é o consumo. O varejista sempre trabalha com margens mais altas (diferença entre o que paga ao frigorífico e o preço de venda ao consumidor) e consegue absorver parte da alta para estimular o consumidor”, afirma. Carlos Ferreira Rocha, gerente comercial do Frigorífico Uberaba, com 30 lojas na Grande BH, afirma que o trabalho da empresa será, mesmo, de conter repasses ao consumidor.

“O mercado não comporta preços ainda mais altos. No varejo, a carne de boi ainda está 15% mais cara em comparação ao ano passado”, diz Wanderley Ramalho, diretor adjunto da Fundação Ipead, alerta para o componente especulativo das remarcações de preços e o papel do consumidor para regular o mercado. “Há pressões, sim, mas nada fora de controle. O consumidor tem o papel crucial de rejeitar aumentos e substituir o produto por opções mais baratas”, afirma. Pedro Ivo Viana, dono de uma das três lojas do Frigorífico Montalvânia, diz que não interessa ao comércio a volta da aceleração dos preços da carne observada no ano passado.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade