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Estado de Minas MÚSICA

Semifinalista do The Voice Brasil 2021 lança 'Periferia'

Single clama por atenção do estado para os problemas sociais enfrentados na periferia com ritmo contagiante


20/06/2022 09:00 - atualizado 20/06/2022 11:52

No centro da imagem está WD, homem negro com cabelos trançados até a altura dos ombros, usa camiseta branca sem mangas e calça jeans larga, está sentado em uma bicicleta. de cada lado de WD tem duas mulheres com cropped branco e shorts jeans e um homem de calça jeans claro e sem camisa. Todos estão em um terreno de terra batida
"Som de bala vejo flutuando na minha mente", esse é o trecho inicial da canção onde WD fala sobre vivências e coisas que observou durante grande parte da sua vida. (foto: Maicon Douglas)


WD, semifinalista do The Voice Brasil 2021, começa agora uma nova fase em da carreira. O primeiro trabalho com a Universal Music Brasil é a música “Periferia”, que fala sobre as raízes do cantor, sobre a cultura presente nas comunidades e traz também críticas sociais quanto à administração do Estado.

A música “Periferia” é a primeira de um álbum com o mesmo nome conta histórias das pessoas que moram ali. O objetivo de WD é amplificar a voz dessas comunidades com canções que questionam o preconceito e enaltece a resistência e representatividade negras.

“Quase todo o videoclipe é baseado na minha história, eu vivi em um lugar igual aquele, eu tive as oportunidades muito parecidas. Aquele rapaz que morre no videoclipe, a gente representa a morte do meu irmão que foi assassinado pela polícia. Então eu quis trazer isso para o roteiro para de fato chamar atenção dessas pessoas que têm o poder e usam de maneira torpe”, conta WD.



A letra fala de cenas muito presentes nas periferias brasileiras como o som de tiros, chinelo preso com prego e ruas batidas de terra e faz o pedido: “E eu só peço a Deus que guarde a periferia”, lembrando sua trajetória e mostrando que se ele, um homem preto e periférico, alcançou o sucesso, outros também podem lutar para não se tornarem estatística.

“Minha prioridade agora é essa: galera, vamos nos atentar ao respeito, vamos nos atentar ao cuidado com o próximo”, declara WD.

The Voice Brasil

Depois de dez tentativas, WD participou da edição 2021 do reality The Voice Brasil. Nas audições às cegas, emocionou os jurados com sua canção autoral “Eu Sou”, que aborda o preconceito, abandono e trata de como as pessoas são definidas pela voz e pela cor. A canção também fala sobre aprender a se amar e resistência preta. WD integrou o time da cantora Iza e chegou a semifinal da competição. 

Momento da seleção as cegas do The Voice Brasil 2021
WD emocionou a cantora Iza com sua apresentação da música autoral "Eu Sou" (foto: Reprodução/Globo)


“Eu sou um cara preto, sou um cara pobre, sou um cara LGBT. Então todas essas questões que me rodeiam, que me permeiam, dificultam o meu processo. O The Voice foi de fato uma conquista, foi o encontro da oportunidade com o preparo, eu estava preparado. Eu não acredito em sorte, sorte pra mim é isso, é estar preparado e encontrar a oportunidade certa”, afirma WD.

Fortaleça a periferia

WD usa da sua visibilidade e talento para inspirar outros jovens a lutarem contra o preconceito. Desde 2018 desenvolve o projeto “Fortaleça a Periferia” onde visita escolas da periferia para falar sobre carreira, construção como artista e incentivar mais pessoas a ter voz dentro da periferia. Até o final de 2022 planeja visitar 12 escolas periféricas de todo o Brasil.

“O que fortalece a periferia hoje é o exemplo, é a gente conseguir que mais pessoas se movimentem para transformar as periferias em grandes centros culturais, centros educacionais. A gente só vai conseguir fazer isso quando a gente tiver essas pessoas que estão nas periferias assinando os documentos, tendo o poder da caneta na mão”, afirma WD.



WD se inspirou em um projeto de Beyonce. Assim o cantor decidiu replicar a iniciativa em sua realidade, pois acredita que a identificação tira o sonho do lugar do inalcançável e torna o objetivo de mudar de vida mais próximo e palpável.

“Eu levo cicatrizes no meu corpo por ser quem eu sou. Eu não quero que as pessoas se firam, de jeito nenhum. Por isso que eu tô lá dentro (da periferia), por isso que esse projeto nasce lá, para de fato romper essa barreira”, conta WD. 


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