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Estado de Minas novidades na cozinha

Mestres de torra ganham visibilidade com linha de cafés colaborativos

Cafés dos Mestres chega ao mercado para dar protagonismo a profissionais essenciais na cadeia produtiva do café


10/01/2021 04:00 - atualizado 11/01/2021 14:13

O processo de torra é essencial para extrair as características sensoriais do café(foto: Agência ABR/Divulgação)
O processo de torra é essencial para extrair as características sensoriais do café (foto: Agência ABR/Divulgação)

Se você consome cafés especiais, deve saber de quais fazendas vêm e o nome dos produtores. São informações que normalmente constam na embalagem. Mas e o mestre de torra, tem alguma ideia de quem seja? O profissional essencial na cadeia produtiva, responsável por realçar as características sensoriais dos grãos, está começando a se revelar aos consumidores. Produzido em Minas, o Cafés dos Mestres chega ao mercado para dar protagonismo a eles, em uma criação colaborativa.
 
Torrar café é uma ciência. Através de um processo que envolve calor, sabores e aromas dos grãos verdes se revelam. Deve-se usar usar técnica e criatividade para extrair o melhor de cada um deles, como doçura e notas frutadas. “Torrefação é um ponto-chave no processo. Se for bem-feita, consegue manter o que foi feito para trás e facilitar o que for feito para frente, seja em casa ou na cafeteria”, explica o mestre.
 
Mas, como é uma atividade que fica nos bastidores, os profissionais são invisíveis aos olhos do comprador. “Somos profissionais que não têm contato direto com o consumidor. Não ficamos no balcão da cafeteria, então não temos o mesmo reconhecimento dos baristas”, pontua Jack, que é formado em engenharia química e começou sua história de quase 25 anos com o café como estagiário de uma fábrica de torrefação em Varginha. Hoje, é mestre de torra e instrutor do Coffee Quality Institut (CQI).
 
A ideia de dar protagonismo aos mestres de torra é dos irmãos e sócios da agência de publicidade e propaganda ABR, de São João del-Rei. Thiago e Lucas Araújo convidaram Jack Robson para desenvolver uma linha de cafés e, durante o treinamento de torra, perceberam a importância do profissional. “Ficamos com a impressão de que existe uma valorização muito grande da fazenda e do produtor, sendo que o mestre torrador é o principal artista. Sem ele não se consegue extrair o melhor do café”, aponta Thiago.
 
Jack é o embaixador do projeto Cafés dos Mestres, uma linha de produtos colaborativos. Coube a ele a missão nada fácil de selecionar nove colegas para integrar o time. Seu critério foi convidar profissionais que passaram pelo pódio nos últimos campeonatos, o que resultou em um grupo bem eclético em termos de formação e localização geográfica. “Temos pessoas bem técnicas, voltadas para os números, e outras que se guiam pelo feeling, mas todas são extremamente apaixonadas pelo café.”
 
Embaixador do projeto, Jack Robson selecionou nove colegas para criar com ele os produtos(foto: Agência ABR/Divulgação)
Embaixador do projeto, Jack Robson selecionou nove colegas para criar com ele os produtos (foto: Agência ABR/Divulgação)
 
Entre eles, há homens e mulheres. Engenheiros, contadores, advogados. Representantes do Paraná, Pernambuco, Alagoas, Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
 
Os profissionais fizeram uma imersão de três dias no fim de novembro em São João del-Rei, seguindo os protocolos de prevenção à COVID-19. Primeiro, eles degustaram os cafés. Depois, divididos em dois grupos, definiram e executaram os perfis ideais de torra. “Cada um se expressa de uma forma diferente, mas a mensagem acaba sendo a mesma. É como mineiro falar mandioca e baiano macaxeira ou aipim. Quando apertamos a tecla SAP, todos se entendem”, compara Jack.
 
Os dois grãos são da Fazenda Samambaia, em Santo Antônio do Amparo, microrregião do Campo das Vertentes. Enquanto o bourbon amarelo tem notas de frutas vermelhas e chocolate com amêndoas, o topázio tende para as frutas verdes, como uva, maçã e pera.
 

Resultado surpreendeu

 
Mesmo conhecendo bem os grãos, Jack ficou surpreso com o resultado. “De forma muito precisa e rápida conseguimos extrair o que os grãos têm de melhor”, analisa. “No fim, o café tem que ser de fácil reconhecimento. Quando o consumidor for beber, tem que perceber de forma bem clara as características sensoriais, sem nenhuma competir com a outra.” Os mestres ainda torraram um blend dos dois grãos unindo notas cítricas, com destaque para a cereja, e notas adocicadas de caramelo.
 
Mais do que produtos, Jack sente que o encontro pode resultar em uma união maior dos mestres de torra do Brasil, promovendo troca de informações e outras parcerias. “A sensação que todos nós tivemos é de que ali estava nascendo algo muito maior do que imaginávamos, o que nos deixa extremamente satisfeitos.”
 
O projeto continua, com uma imersão por ano para desenvolver novos cafés, agregando outros mestres de torra. O próximo lançamento será o drip coffee, sachê para ser coado individualmente. Jack diz que o grupo é muito dinâmico e criativo, e mais novidades virão em breve.
 
A partir de março, o público poderá participar de um clube de assinatura em que recebe, mensalmente, um café de um dos profissionais, cada um com origem e torra diferentes. “Pretendemos dar visibilidade nacional aos mestres, que costumam ser conhecidos apenas em suas regiões de atuação. Temos profissionais extremamente capacitados no Brasil todo e queremos que, no futuro, um consumidor em Belo Horizonte beba um café de um mestre de torra de Maceió”, comenta Jack.
 

Serviço

Cafés dos Mestres
(32) 98881-9892 

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