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Estado de Minas PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Palácio da Liberdade vira centro cultural administrado pela Secult

Espaço será 'museu vivo', com agenda que inclui sessões de cinema, exposições de artes visuais e visitas aos jardins na presença dos Dragôes da Inconfidência


20/09/2022 17:45 - atualizado 20/09/2022 20:46

Coral se apresenta em frente ao Palácio da Liberdade, em BH
Apresentação do Festival Internacional de Corais abriu exposição sobre bicentenário da Independência que ficará em cartaz até 13 de novembro, no Palácio da Liberdade (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
 

 

Palco e cenário de grandes acontecimentos de Minas Gerais – inaugurado em 1898, foi sede oficial do governo estadual até 2010 e testemunha de grandes manifestações populares –, o Palácio da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, vive novo momento em sua história de mais de um século. O secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, informou, nesta terça-feira (20/9), que o prédio ficará sob gestão de sua pasta, “consolidando-se como um importante equipamento cultural voltado à população.”


O Termo de Vinculação e Responsabilidade será assinado na próxima semana, quando o Palácio da Liberdade deixará de ser vinculado ao Gabinete Militar do governador de Minas e passará à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult). A cessão se inicia a partir da assinatura oficial da programação especial, gerando maior aproveitamento do bem histórico para ações de cultura e turismo.


Leônidas adianta que a gestão da programação cultural do Palácio da Liberdade ficará a cargo da Fundação Clóvis Salgado, que assume também o Circuito Liberdade.


“Trata-se de um museu vivo, espaço cívico-cultural de grande importância na nossa história”, ressalta o titular da Secult. Entre as novidades está a abertura ao público do cinema, que existe no local e terá programação conjunta com a Sala Humberto Mauro/Palácio das Artes; exposições; abertura dos jardins, nos finais de semana, com os Dragões da Inconfidência fazendo a guarda; e edital para ocupação dos jardins, com programação especial.


“Queremos colocar a cultura na centralidade”, reforça Leônidas Oliveira, lembrando que o Palácio da Liberdade continuará a receber embaixadores e outras autoridades, além de sediar reuniões da Secult.


Desde a reabertura ao público em 9 de outubro de 2021, a construção em estilo eclético e tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) recebeu 13,9 mil visitantes – de janeiro de 2022 até o momento, as visitas somam 12,2 mil. Desde ontem, recebe a exposição “Libertas quae sera tamen: Percursos históricos & Imaginários”.

 

Pessoa vê vitrine onde está pequena estátua em exposição no Palácio da Liberdade
Objetos históricos expostos no Palácio da Liberdade chamam a atenção do público (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
 

Testemunha de BH

No final do século 19, Belo Horizonte foi planejada para ser a nova capital de Minas, sendo a Praça da Liberdade o lugar escolhido para abrigar o centro administrativo e o Palácio da Liberdade – sede e símbolo do governo.


Conforme estudos divulgados pela Secult, a arquitetura eclética da construção projetada pelo arquiteto José de Magalhães reflete a influência do estilo francês, com requintes de acabamento e riqueza de elementos decorativos.


No interior do palácio, há candelabros em bronze dourado, piso em parquet, lustres de cristal, painéis alegóricos, escadaria principal encomendada a uma empresa da Bélgica e rico mobiliário. Na área externa, podem ser vistos os jardins planejados por Paul Villon, seguindo o estilo inglês, mas alvo de reformulações ao longo do tempo, quando foram incluídos elementos decorativos como esculturas e fontes.


O Palácio da Liberdade se tornou testemunha de fatos marcantes da história de Minas e do Brasil. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), milhares de mineiros protestaram, na Praça da Liberdade, contra os países do Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão, quando navios brasileiros foram torpedeados no Oceano Atlântico.


Um dos momentos mais marcantes do Palácio da Liberdade foi o velório do ex-presidente Tancredo Neves (1910-1985), morto em 21 de abril de 1985. Houve comoção geral. A grade arrebentou, devido à pressão da multidão reunida às portas da sede do governo, e sete pessoas morreram.


Na sacada do palácio, a viúva Risoleta Neves (1917-2003), com a voz embargada, pedia calma aos mineiros, apelo dramático para conter o povo aglomerado que queria se despedir do ex-presidente.


Mas a alegria também dominou a praça, que teve grandes celebrações: a posse do presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), em 1951; a aclamação de Nossa Senhora da Piedade, em 1969, como padroeira dos mineiros; e, bem antes de todos esses fatos, lá em 1920, a recepção aos reis da Bélgica.

 

 

Palácio recebe a exposição 'Libertas quae sera tamen: Percursos históricos & Imaginários'


Em comemoração ao bicententário da Independência do Brasil, foi aberta nesta terça-feira (20/9), no Palácio da Liberdade, a exposição “Libertas quae sera tamen: Percursos históricos & Imaginários”, que ficará em cartaz até 13 de novembro, com entrada franca.


O público verá 43 peças e documentos, duas obras de artistas contemporâneos, performance e apresentação de corais. A exposição reúne moedas, bandeiras e fardas, a exemplo da usada pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira (1788-1789).

 

Livro com ilustração de fardas antigas está exposto no Palácio da Liberdade, em BH
Fardas antigas chamam a atenção na mostra 'Libertas quae sera tamen' (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
 


O acervo pertence ao Museu Mineiro, Museu dos Militares Mineiros, Arquivo Público Mineiro, Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de Minas Gerais, Polícia Militar de Minas Gerais e Museu da Memória do Judiciário Mineiro. A curadoria é da Superintendência de Bibliotecas, Museus, Arquivos e Equipamentos Culturais (Sbmae).


A mostra ocupa o saguão, hall da escada, Salão de Honra, Salão do Couro, salas da lateral esquerda, Salão de Banquetes e Salão do Almoço. Segundo os organizadores, são explorados três marcos temporais da Independência do Brasil. Ganham destaque trabalhos dos artistas contemporâneos Randolpho Lamounier e Ártemis Garrido.

 

Desembargador Marcos Henrique Caldeira Brant fala ao microfone
Desembargador Marcos Henrique Caldeira Brant, coordenador da Memória do Judiciário, falou sobre a importância dos objetos históricos (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
 


No início da tarde de ontem, na Alameda Travessia, houve a performance “Ninho”, do artista mineiro David Guener.
Durante a cerimônia, o público assistiu à apresentação vinculada ao Festival Internacional de Corais, em que grupos representantes da Região Metropolitana de Belo Horizonte apresentaram o Hino Nacional, o Hino da Independência e repertório de música popular.

Três marcos temporais

A mostra explora três marcos temporais da Independência do Brasil: os anos de 1822, 1922 e 2022. O primeiro eixo expográfico remete ao processo que culminou com a proclamação da Independência do Brasil, bem como mudanças ocorridas após a ruptura com Portugal.

 

O segundo explora o marco do centenário da data emancipatória, enquanto o terceiro discute aspectos inerentes à ruptura com o império português e seus reflexos na contemporaneidade.

 

Livro antigo está exposto no Palácio da Liberdade, em BH
Quem for ao Palácio da Liberdade poderá ver livros antigos de perto (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
 


Na primeira área de visitação da mostra, no hall de entrada do Palácio da Liberdade, ao pé da e

scadaria, o público encontrará os vestígios da performance “Ninho”, de David Guener, apresentada na abertura da exposição.
Ao fim da escadaria está “Discurso nulo”, de Randolpho Lamounier, ocupando o ambiente com mais uma visão do contemporâneo sobre a historicidade.

“LIBERTAS QUAE SERA TAMEN: PERCURSOS HISTÓRICOS & IMAGINÁRIOS”

Exposição em cartaz até 13 de novembro, no Palácio da Liberdade (Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários). Das 10h às 15h. Entrada franca. Informações: (31) 3236-7400


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