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Estado de Minas CINEMA

Prepare-se para chorar de rir com ''Thor: Amor e trovão''

Engraçado e emocionante, novo título da franquia estreia nesta quinta (7/7) nos cinemas brasileiros e traz a marca registrada de humor do diretor Taika Waititi


07/07/2022 04:00 - atualizado 07/07/2022 00:29

Os atores Natalie Portman e Chris Hemsworth se encaram vestidos como Lady Thor e Thor, sob fundo rosa em cena de thor: amor e trovão
Natalie Portman volta a viver o papel da astrofísica Jane Foster e balança mais uma vez o coração de Thor (Chris Hemsworth) (foto: Disney/Divulgação)

O poderoso Thor está de volta aos cinemas na sua mais espalhafatosa e emocionante aventura: “Thor: Amor e trovão”. Depois de três filmes e várias aparições em outras produções da Marvel, o personagem retorna para se reunir com sua ex-namorada, a astrofísica Jane Foster (Natalie Portman), e com seu ex-martelo, Mjolnir.

Este é o segundo filme da franquia dirigido pelo diretor neozelandês Taika Waititi, que ganhou reconhecimento mundial quando comandou “Thor: Ragnarok” (2017).

O diretor é conhecido por seu humor ácido e pela habilidade em filmar situações constrangedoras e absurdas. Aqui, ele não faz diferente. “Amor e trovão”, que estreia nesta quinta-feira (7/7) nos cinemas brasileiros, tem o mesmo ritmo intenso e caótico de seu predecessor.

Thor está na sua jornada mais nonsense desde que fez sua estreia nas telas, há mais de 11 anos. Galhofa é a palavra da vez: prepare-se para chorar de rir da primeira à última cena. Essa também é a aventura solo do Deus do Trovão mais emocionante. Todos os personagens, tanto os que retornam quanto as adições ao elenco, têm arcos completos e sinceros, trágicos e humanos.
Chris Hemsworth interpreta mais uma vez Thor, personagem da Marvel Comics criado por Jack Kirby e Stan Lee, baseado na divindade nórdica de mesmo nome. Após todos esses anos e tantas vitórias, Hemsworth e Waititi provam porque o super-herói é o único dos principais Vingadores a continuar ganhando filmes solo: Thor se reinventa a cada nova batalha.

Piada

Aos puristas de HQs: não espere assistir ao mesmo Thor dos quadrinhos. O Deus do Trovão dos cinemas não se leva a sério e não é carregado de toda a dramaticidade que possui nas HQs. Waititi e a Marvel demonstram cada vez mais interesse em explorar a veia cômica e o carisma de Thor: tudo no filme é uma potencial piada e a mitologia dos quadrinhos serve apenas como inspiração.

Na última vez em que vimos o Deus do Trovão, ele estava com excesso (mesmo!) de peso e preguiçoso e havia acabado de derrotar Thanos definitivamente, junto com os outros Vingadores, em “Ultimato”, tendo deixado a Terra junto com os Guardiões da Galáxia, para redescobrir seu propósito. Encontramos Thor em “Amor e trovão” ainda emocionalmente perdido e deslocado de sua nova equipe.

Desta vez, como o título entrega, o Deus do Trovão está atrás de amor. Eis que, coincidentemente, Natalie Portman ressurge nas telas como o antigo interesse amoroso de Thor, a astrofísica Dra. Jane Foster. Portman, que participou apenas dos dois primeiros filmes da franquia, havia deixado o papel em 2013, após “Thor: O mundo sombrio”.

Vestido com uma longa túnica, o ator Chris Hemsworth medita de olhos fechados sentado em uma pedra em cena de thor: amor e trovão
Ainda abalado pelo confronto com Thanos, o Deus do Trovão está em busca de autoconhecimento e propósito na nova trama (foto: Disney/Divulgação)

Lady Thor

A atriz aceitou retornar ao papel após ser chamada por Taika Waititi, que veio com a promessa de revigorar a personagem e transformá-la em algo mais do que apenas o interesse amoroso do Deus do Trovão. “Eles vieram até mim e disseram: ‘Temos essa ideia para você, que era uma história das HQs em que a Jane se torna Lady Thor', e eu fiquei tipo, ‘Isso é muito interessante!’”, a atriz contou ao site ET Online.

“Amor e trovão” adapta uma história recente das HQs, na qual Jane Foster, que se descobriu com câncer em estágio avançado, recebe um chamado do antigo e clássico martelo de Thor, Mjolnir, e se torna digna de levantá-lo, transformando-se na Poderosa Thor. Os leitores de HQs vão ficar contentes com essa parte da história: o arco de Jane Foster como deusa nórdica é muito bem adaptado.

A grande novidade do filme é a presença de Christian Bale – o camaleão conhecido, entre muitos outros papéis, pelo Batman de “Cavaleiro das Trevas” (2008) – que interpreta o vilão, Gorr, o Carniceiro dos Deuses. O personagem, que também foi introduzido nas HQs recentemente, é um monge alienígena, originalmente devoto aos deuses, mas que se volta contra todas divindades quando estas o abandonam e também à sua família.

Apesar de o personagem ter um arco clássico de vingança, a atuação de Bale e as motivações que levam Gorr a se opor aos deuses elevam o vilão ao patamar de melhor antagonista da Marvel desde Thanos. O Carniceiro dos Deuses se encaixa perfeitamente na busca de Thor por amor e propósito e serve como um bom adversário ao Deus do Trovão e seus aliados.

Novamente, aos leitores de quadrinhos: não esperem que Gorr seja 100% fiel às HQs. Waititi e Bale se inspiraram no contexto e na ideia do vilão para criar algo novo e encaixá-lo na história que queriam contar.

Batalha

Retornando de “Thor: Ragnarok” está Tessa Thompson como a Valquíria. Ao final de “Vingadores: Ultimato” (2019), a personagem se tornou o novo rei de Asgard, e, nas suas primeiras cenas, a vemos se ajustando à sua nova realidade e às responsabilidades. De cara, percebemos que Valquíria sente falta do campo de batalha.

Quando o filme foi anunciado, na San Diego Comic-Com de 2019, tanto Thompson quanto o produtor Kevin Feige disseram que a bissexualidade de Valquíria seria explorada. “Amor e trovão” faz alusões sutis à questão – a personagem menciona sua sexualidade abertamente em um diálogo – sem aprofundar esse aspecto de Valquíria.

Em uma das cenas mais hilárias de sua carreira, Russell Crowe interpreta brevemente o grande rei do Olimpo, Zeus. O deus dos raios da mitologia grega tem aparecido recorrentemente em anos recentes nos grandes blockbusters de Hollywood e já foi interpretado por Liam Neeson, Luke Evans e Sean Bean.

Surpresa

O Zeus de Waititi, contudo, tem – claro – uma pegada diferente. Crowe faz um rei preguiçoso, narcisista e hedonista, que está muito mais preocupado com suas orgias do que com a ameaça iminente. Quem se lembra do ator como o idôneo general romano Maximus Decimus Meridius em “Gladiador” (2000) vai se surpreender ao ver sua interpretação em cena.

Também presentes no filme estão os Guardiões da Galáxia: Chris Pratt como o Senhor das Estrelas; Dave Bautista como Drax, o Destruidor; Karen Gillan como Nebula; Pom Klementieff como Mantis; Bradley Cooper como Rocket, e Vin Diesel como Groot. A equipe comparece nos momentos iniciais da trama e, apesar da participação especial, não tira os holofotes de Hemsworth e Portman.

Com Asgard, a terra dos deuses nórdicos, destruída no último filme, “Amor e trovão” leva Thor e companhia para mundos completamente novos. Os visuais são extremamente coloridos e extravagantes, com muito uso – às vezes excessivamente – de efeitos visuais. O roteiro caótico e frenético é refletido na ambientação de cada um dos cenários do longa.

Uma das principais críticas aos filmes mais recentes da Marvel tem sido o excesso de interconexão entre, não só em relação às produções cinematográficas, comno também às séries que têm estreado no serviço de streaming dos estúdios Disney, o Disney+. 

Para situar o público, Waititi encontrou um jeito genial para recapitular as informações necessárias à história, na forma de narrações que o personagem Korg (interpretado pelo próprio diretor) dirige aos espectadores, como se estivesse contando lendas ao redor de uma fogueira.

Para além da galhofa e do humor ácido de Taika Waititi, “Amor e trovão” é um filme com coração. Uma mistura de comédia romântica e aventura espacial, a jornada de Thor por aceitação e propósito de vida é concluída em uma cena de aquecer o coração, especialmente para os que o acompanham há mais de uma década.

“THOR: AMOR E TROVÃO”
(“Thor - Love and tunder”, EUA, 2022. 119 min). Direção: Taika Waititi. Com Chris Hemsworth, Tessa Thompson, Christian Bale, Russell Crowe e Natalie Portman. Em cartaz a partir de quinta-feira (7/7) em salas das redes Cineart, Cinemark, Cinesercla e Cinépolis.

SAIBA MAIS
Diretor fez graça até com Hitler

Hoje um nome associado aos filmes do Universo Marvel, o neozelandês Taika Waititi frequentou também o circuito dos filmes de arte com a comédia dramática “Jojo Rabbit” (2019), que dirigiu e na qual atuou como o ditador Adolf Hitler. Na trama, que deu a Waititi o Oscar de roteiro adaptado, o garoto do título tem Hitler como seu amigo imaginário. Ele vive sozinho com a mãe, interpretada por Scarlett Johansson (também indicada ao Oscar; o filme concorreu em seis categorias), e tem em Hitler seu conselheiro para se tornar um menino corajoso. Waititi fez a arriscada escolha de retratar o nazismo pelo viés do humor e chegou a dizer que assumiu o papel de Hitler pela dificuldade de encontrar outro ator que o fizesse. 




 
*Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes


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