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Estado de Minas EM LONDRES

Ícone punk, Sid Vicious vira 'retrato na parede' 43 anos após sua morte

Exposição de Dennis Morris, que acompanhou a banda Sex Pistols, traz imagens do caos vivido pelo baixista nos anos 1970


04/07/2022 04:00 - atualizado 04/07/2022 01:41

O fotógrafo Dennis Morris aponta para a câmera. Ao fundo veem-se imagens do baixista Sid Vicious na parede de galeria londrina
O fotógrafo Dennis Morris expõe em Londres imagens do baixista do Sex Pistols clicadas nos anos 1970 (foto: Wikimedia Commons/reprodução)

''Devido a sua fama, ele foi abusado várias vezes. Quando saiu da prisão, disse para a mãe: 'Não posso voltar para a prisão, não posso'. E ela foi comprar drogas, foi isso que o matou''

Dennis Morris, fotógrafo do Sex Pistols

 
Uma exposição em Londres percorre as imagens clicadas por Dennis Morris, o fotógrafo oficial da banda punk Sex Pistols, que retratou o lendário baixista Sid Vicious.

“SID: Superman is dead” está em cartaz até 15 de julho, no centro da capital britânica. Sid Vicious morreu aos 21 anos de overdose de heroína, quatro meses depois de ser acusado de assassinar a namorada Nancy Spungen.

“Quando usava heroína, ele mudava completamente, se transformava numa pessoa totalmente diferente”, afirma Dennis Morris, que fotografou o baixista no final dos anos 1970.

Doce, tímido e dependente

Inaugurada 40 anos após a realização das imagens, a exposição quer mostrar a “personalidade intensa” do personagem. “Lemos coisas sobre Sid Vicious e pensamos que era muito violento, mas, na verdade, ele era muito doce, muito tímido”, enfatiza Morris.

A exposição recria uma foto do quarto de hotel destruído por Vicious durante uma turnê em 1977, com a cama desarrumada, embalagens de comida, vidro no chão e páginas arrancadas da “Bíblia”. A imagem também traz a mesa de cabeceira cheia de drogas.

Na foto, o baixista está seminu, deitado entre duas camas, enquanto outra pessoa, não identificada, mas provavelmente fã, está encolhida em uma delas.

“Certa noite, Sid surtou totalmente e destruiu seu quarto”, diz Morris, também conhecido por ter fotografado a lenda do reggae Bob Marley.

“Meu quarto ficava bem ao lado. Quando o barulho finalmente parou, abri a porta e era o caos total”. O fotógrafo diz que recriou a cena “para capturar a energia e a violência do punk”.

Tal violência culminou no lançamento do hit antimonarquista “God save the queen”, no qual os Sex Pistols se referem à família real britânica como fascista.

Isso levou o vocalista John Lydon e dois produtores a serem atacados com facas.

Dennis Morris se lembra de “ser perseguido na rua” por monarquistas todas as vezes que eles viam Lydon em público.

“Foi bastante assustador, mas, acima de tudo, foi a oportunidade de viver meu sonho (de fazer fotografia documental). Eu estava lá 24 horas por dia”, afirma, referindo-se a seu trabalho junto ao Sex Pistols

O vocalista John Lydon, de 66 anos, disse recentemente que “ainda desaprova” a monarquia, mas respeita o “senso de dignidade” da rainha Elizabeth II.

“Nenhum de nós era realmente contra, era apenas algo que dissemos para criar uma reação. Todos os nossos pais tinham a foto da rainha na parede, ou de Jesus. Simplesmente éramos rebeldes”, afirma Morris.
 

Heroína apagou o brilho da estrela

De acordo com o fotógrafo, Sid Vicious tinha tudo para se tornar superstar, embora sua morte fosse inevitável, segundo ele.

“Sid realmente tinha as qualidades de uma estrela. O problema foi que sua mãe lhe deu heroína quando tinha 14 anos (...) Isso o matou”, comenta.

Depois de ser libertado sob fiança após a morte de Nancy Spungen, encontrada esfaqueada num quarto de hotel em Nova York, Vicious temia voltar para a prisão, diz o fotógrafo, convencido da inocência do baixista.

“Devido a sua fama, ele foi abusado várias vezes. Quando saiu da prisão, disse para a mãe: 'Não posso voltar para a prisão, não posso'. E ela foi comprar drogas, foi isso que o matou”, assegura Denis Morris. O músico morreu em 2 de fevereiro de 1979, em Nova York. 


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