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Série "Fortuna" ironiza bilionários por sua falta de noção da vida real

Maya Rudolph vive ricaça inconsciente da desigualdade social que passa a se dedicar a uma fundação beneficente, depois de se divorciar do marido que a traiu


27/06/2022 04:00 - atualizado 26/06/2022 17:55

Ator Nat Faxon conduz lhama em passeio em parque ao lado da atriz Maya Rudolph em cena de fortuna
Nat Faxon como Arthur, o contador de Molly (Maya Rudolph), na série em 10 episódios, cujos três primeiros foram lançados juntos (foto: APPLE/DIVULGAÇÃO)

Que ser humano normal, aquele que tem um monte de contas para pagar e prazos no trabalho para cumprir, teria paciência para um piti de uma milionária? “Por que você não faz uma viagem para o espaço?”

É basicamente isto o que Sofia Salinas (Michaela Jaé Rodriguez, a estrela de “Pose”) diz, sem um sorriso nos lábios e um pingo de paciência, para Molly Novak (Maya Rudolph). A segunda vem a ser sua chefe e a razão pela qual ela dirige uma instituição social pela qual lutou por toda sua vida.

Mas não dá para ouvir as lamúrias de uma zilionária entediada e sem noção enquanto pessoas não têm casa ou pouco para comer. Molly, no fundo, é uma boa pessoa, mas vive tão acima dos demais que é difícil ser levada a sério. E nem é esta a intenção de “Fortuna”, comédia lançada na última sexta-feira (24/6) pelo AppleTV+. 

Maya Rudolph encabeça o elenco da produção de 10 episódios. A série começa no aniversário de 45 anos de Molly. Ela passeia de lancha com o marido (papel de Adam Scott), um papa da tecnologia, até chegar a seu presente de aniversário. Um veleiro surreal com três piscinas, é o que lhe diz seu fiel assistente, Nicholas, papel de Joel Kim Booster. Quando se depara com a menor delas, Molly diz que seria ideal para os cachorros.



A festa está só começando, diz o marido, que não larga o telefone. À noite, o casal vai receber uma legião de amigos em sua indescritível mansão. Molly, assim que o staff a deixa pronta, olha para o espelho e, desanimada, vai para o evento. Só quer passar a noite jantando com o marido, como eles faziam quando haviam se casado. Mas não, ele diz, no dia seguinte tem uma viagem para a Suécia – quando retornar, o encontro está marcado.

TRAIÇÃO

Isto nunca vai acontecer porque nesta mesma noite Molly descobre que está sendo traída com uma “vagina de 25 anos”, como ela diz. Um escândalo é seguido por um divórcio sem precedentes.

Como não havia acordo pré-nupcial, o casal tem que dividir a fortuna pela metade. Ela fica com US$ 87 bilhões, o que faz de Molly a terceira mulher mais rica dos Estados Unidos – ou a celebridade traída mais rica do mundo, como os tabloides a chamam.

Sem rumo e solitária, ela recebe uma ligação inesperada de uma fundação de caridade em seu nome que ela nem sabia que existia – e Molly se agarra a isso, tentada a fazer bom uso do seu dinheiro. Só que ela não tem a menor noção da vida real e, no primeiro dia de “trabalho”, para irritação de Sofia, vai até a inauguração de um abrigo para sem teto com uma frota de carrões com seguranças que distribuem mixteiras banhadas a ouro.

Nesta jornada para fazer a vida valer a pena, ela conta com a ajuda de um time improvável: o já citado assistente, a reticente Sofia, que dirige a fundação (e é a única a colocar Molly no lugar que ela merece), o confiável e esquisito contador Arthur (Nat Faxon) e seu doce primo Howard (Ron Funches). 

A despeito da premissa nada original, há um bom timing de comédia entre o elenco – mas o texto é feito para Rudolph, obviamente, brilhar sobre os demais. E funciona, pois mesmo que sua personagem faça uma idiotice atrás da outra (e bilionários não são pessoas pelas quais, de uma maneira geral, tenhamos simpatia), não dá para não gostar dela.

A série ainda coloca personagens reais passando por situações nada fáceis com a mimada Molly. O primeiro a aparecer é o cantor Seal, o convidado para animar a festa de aniversário da revelação da traição.

E o chef David Chang, fundador do restaurante Momofuku (duas estrelas Michelin), e hoje uma celebridade da TV é, na história, também o cozinheiro de Molly – na cena em que aparece, ela diz ter adorado o prato que ele preparou, mas que queria mesmo era um nacho de microondas. 

“Fortuna” ainda serve como uma observação irônica sobre o mundo do dinheiro das big techs, os gigantes da tecnologia – não custa nada lembrar que a série está sendo lançada pela Apple. 

“FORTUNA”
• Série em 10 episódios. Os três primeiros estão disponíveis no AppleTV . Os demais estreiam semanalmente, às sextas, na plataforma


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