UAI
Publicidade

Estado de Minas PARCERIAS

De Anitta a Gal Costa, conheça as parcerias de Marília Mendonça

Em sua breve carreira, Rainha da Sofrência gravou diversas músicas e sucessos com artistas de outros gêneros musicais


08/11/2021 04:00 - atualizado 08/11/2021 07:33

Marília Mendonça e Gal Costa
Marília Mendonça e Gal Costa na gravação de 'Cuidando de longe', do álbum 'A pele do futuro' (foto: Carol Siqueira/DIVULGAÇÃO)

"Ninguém vai sofrer sozinho, todo mundo vai sofrer." O verso cantado por Marília Mendonça em uma de suas músicas mais populares ganhou novo significado na última sexta-feira (5/11), quando a cantora e compositora, de 26 anos, morreu em um trágico acidente de avião no município mineiro de Piedade de Caratinga, com outras quatro pessoas.

Dona de uma voz marcante e com capacidade ímpar de traduzir histórias comuns em letras memoráveis, a artista nascida em Cristianópolis, no interior de Goiás, e criada na capital, Goiânia, compôs centenas de músicas e firmou parceria com artistas de diferentes gêneros, de Anitta a Gal Costa.

Antes de ser consagrada a Rainha da Sofrência com músicas que mesclam empoderamento e romantismo, Marília Mendonça foi uma compositora requisitada nos bastidores da música sertaneja. A lista de artistas que gravaram suas músicas é extensa e começa com a dupla João Neto & Frederico, que, em 2012, lançou a música "Minha herança", com letra assinada por Marília.

Dois anos mais tarde, em 2014, o cantor Cristiano Araújo (1986-2015) – morto aos 29 anos em um acidente de carro – reconheceu o talento de Marília Mendonça ao gravar a música "É com ela que eu estou". A partir de 2015, a jovem compositora, então com 20 anos, conquistava o respeito e a admiração de seus pares.

Até 2016, a artista esteve envolvida na composição de músicas lançadas por Jorge & Mateus ("Maneira errada" e "Calma"), César Menotti & Fabiano ("Brindando o fracasso"), Cleber & Cauan ("Preferência" e "Era isso que você queria") e Marcos & Fernando ("Ninguém estraga").
Anitta e Marília Mendonça
Com Anitta, a sertaneja gravou o sucesso 'Some que ele vem atrás' (foto: Instagram/Reprodução)

Nesse meio tempo, Marília Mendonça tentava emplacar uma carreira como cantora. Sua primeira investida foi em 2014, com o lançamento do EP "Marília Mendonça (Ao vivo)", composto por seis músicas. Já nesse trabalho de estreia, quando o nome da artista ainda estava restrito para quem acompanha de perto a música sertaneja, era possível identificar o diferencial da artista.

Marília Mendonça de Léo Santana
Cantora transitou pelo axé e com Léo Santana fez o Brasil cantar 'Apaixonadinha' (foto: Flaney Gonzallez/DIVULGAÇÃO)

SEXO E BEBIDA 

As letras que ela compôs não são muito diferentes das cantadas pelas tradicionais duplas formadas por homens. Elas falam de amor, em geral da perda dele, ou de situações que envolvem desentendimentos e separações. Nelas, também há menção a sexo e bebida. A dor de corno, tão explorada pelo dito sertanejo universitário, ganhou nova cara quando cantada por uma mulher.

Foi por essa brecha na indústria da música sertaneja que Marília Mendonça entrou. Não é sem motivo que ela é considerada a ponta de lança de uma onda de artistas mulheres que, a partir de 2015, dominaram esse cenário de tal maneira que foi criado um novo termo para defini-las: o feminejo. Junto com Marília, também vieram Maiara & Maraisa, Naiara Azevedo e Simone & Simaria.

"Infiel", lançada em 2016 como parte do repertório do álbum e DVD "Marília Mendonça ao vivo", foi a responsável por apresentar a artista ao grande público. A partir do sucesso dessa canção, cujo vídeo no YouTube acumula quase 550 milhões de visualizações, Marília atingiu o primeiro patamar da carreira com uma composição que ela fez sozinha.

Em seu segundo álbum, "Realidade – Ao vivo em Manaus" (2017), ela continuou a trajetória ascendente emplacando novos sucessos. Bons exemplos desse período são as músicas "Amante não tem lar" e "De quem é a culpa?", ambas compostas em parceria com Juliano Tchula.

Nesse disco, ela também investiu em músicas de outros compositores, como é o caso de "Eu sei de cor" (Danilo Davilla, Elcio Di Carvalho, Junior Papato e Lari Ferreira) e "A gente não se aguenta" (Danilo Davilla, Juliano Tchula, Junior Papato, Michel Alves e Ruan Soares).

Apesar da exímia compositora, capaz de traduzir em música sentimentos universais como saudades, decepções e desilusões, os últimos sucessos de Marília Mendonça foram marcados por seu trabalho de intérprete. Como acontece com artistas de tamanha autenticidade, ela foi capaz de imprimir nessas músicas sua própria marca.

Por isso, "Ciumeira" (Anair de Paula, Diego Ferrari, Everton Matos, Guilherme Ferraz, Paulo Pires, Ray Antonio e Sando Neto), "Bebi liguei" (Gabriel Agra, Philipe Pancadinha, Thales Lessa e Victor Hugo), "Bebaça" (Gustavo Martins, Murilo Huff, Rafael Augusto, Ricardo Vismark e Ronael) e "Supera" (Hugo Del Vecchio, Montenegro, Moura e Tunico) soam tão Marília Mendonça quanto qualquer outra música que ela poderia ter escrito sozinha.

Ivete Sangalo e Marília Mendonça
As rainhas da Sofrência e do Axé (Ivete Sangalo) dividiram o microfone em 'O nosso amor venceu' (foto: Instagram/Reprodução)

INÉDITAS 

Essas quatro músicas fazem parte do disco "Todos os cantos" (2019), que agora se torna o registro derradeiro da trajetória solo de Marília Mendonça. Na discografia da artista também estão os discos "Agora é que são elas 2" (2018), "Patroas" (2020) e o mais recente "Patroas 35%" (2021), todos em parceria com Maiara & Maraisa.

A dupla de irmãs não foi a única com quem Marília Mendonça colaborou. Ela ainda se tornou parceira de Chitãozinho & Xororó, Michel Teló, Henrique & Juliano, Matheus & Kauan, Zé Neto & Cristiano, Gustavo Mioto e Tierry, entre outros.

A partir do momento que se tornou um nome cada vez mais popular na música brasileira, Marília Mendonça também colaborou com artistas de fora do universo sertanejo. A mais célebre parceria da artista nessa toada talvez tenha sido com Gal Costa, que não só gravou uma música escrita pela artista ("Cuidando de longe") como convidou Marília para participar do registro, incluído no álbum "A pele do futuro" (2018).

Marília Mendonça também gravou com artistas como Anitta ("Some que ele vem atrás"), Ivete Sangalo ("O nosso amor venceu"), Léo Santana ("Incendeia" e "Apaixonadinha"), Péricles ("A mais disputada") e Xamã ("Leão").

A parceria mais recente da artista fora do sertanejo foi com a cantora e compositora Luísa Sonza. Marília é uma das convidadas do disco "Doce 22" (2021), na faixa "Melhor sozinha :-)-:".

A dimensão do trabalho de Marília Mendonça também pode ser compreendida por meio de números. Em menos de uma década, ela registrou 324 músicas e 391 gravações suas e de parceiros. Esses dados são do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), instituição responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais das músicas aos seus autores.

E Marília ainda poderia aumentar esse número. Um caderno com músicas inéditas da artista foi recuperado do interior da aeronave que caiu em Caratinga. A informação é do site UOL. Os pertences dela foram recuperados pelo corpo de bombeiros de Minas Gerais e entregues aos advogados da cantora, que estiveram no local do acidente.

Luísa Sonza e Marília Mendonça
'Melhor sozinha' marcou o encontro de Marília Mendonça com Luísa Sonza, em 2021 (foto: Felipe Gomes/divulgação)

TOP NAS PLATAFORMAS 
Naturalmente, após a morte da cantora, suas músicas estão sendo revisitadas pelos fãs. Desde o último sábado (6/11), dia em que o corpo de Marília Mendonça foi velado e sepultado em Goiânia, as músicas dela têm dominado o Spotify Brasil, o que também comprova a força e o apelo popular de seu trabalho.

No Top 200 das músicas mais ouvidas da plataforma, 74 são de Marília Mendonça. Além disso, no Top 50, ela aparecia com 17 músicas.

E com razão. As músicas que Marília Mendonça compôs e cantou em vida parecem mais do que apropriadas para o momento. Elas funcionam como um portal para a sofrência. Não é à toa que ela partiu como a Rainha.

FEMINEJA EM NÚMEROS

324
músicas foram registradas em uma década

391
é o volume de gravações suas e de parceiros em 10 anos

74
canções no Top 200 das músicas mais ouvidas do Spotify Brasil são da cantora. No Top 50, da plataforma, Marília aparece com 17 canções

Discografia

"Marília Mendonça – Ao vivo" (2016)
"Realidade –  Ao vivo em Manaus" (2017)
Agora é que são elas" (com Maiara & Maraísa) (2018)
 "Todos os cantos" (2019)
"Patroas" (com Maiara & Maraisa) (2020)
"Patroas 35%" (com Maiara & Maraisa) (2021)

Principais parcerias

"Impasse", com Henrique & Juliano (2015)
"Incendeia", com Léo Santana (2016)
"Mudou a estação", com Henrique & Juliano (2017)
"Foi só um caso", com Chitãozinho & Xororó (2017)
"Por trás da maquiagem", com Michel Teló (2017)
"Bateria acabou", com Zé Neto e Cristiano (2017)
"A culpa é dele", com Maiara & Maraisa (2018)
"Cuidando de longe", com Gal Costa (2018)
"Vou ter que superar", com Matheus & Kauan (2019)
 "Some que ele vem atrás", com Anitta (2019)
"O nosso amor venceu", com Ivete Sangalo (2019)
"Apaixonadinha", com Léo Santana (2019)
"Bebaça", com Maiara & Maraisa (2019)
"Frieza", com Murilo Huff (2020)
"Hackearam-me", com Tierry (2020)
"Leão", com Xamã (2020)
"Sentimental", com Gustavo Mioto (2021)
"A mais disputada", com Péricles, Papatinho, MD Chefe e DomLaike (2021)
"Melhor sozinha :-)-:", com Luísa Sonza (2021)
"Todo mundo menos você", com Maiara & Maraisa (2021)


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade