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Estado de Minas PRESERVAÇÃO

Sítio Roberto Burle Marx, no Rio, é reconhecido pela Unesco

Local construído pelo paisagista brasileiro em em Pedra de Guaratiba é declarado Patrimônio Mundial pela agência da União das Nações Unidas


28/07/2021 04:00 - atualizado 28/07/2021 08:30

O Sítio Roberto Burle Marx é o 23º patrimônio brasileiro incluído na lista da Unesco e foi reconhecido na categoria de
O Sítio Roberto Burle Marx é o 23º patrimônio brasileiro incluído na lista da Unesco e foi reconhecido na categoria de "locais culturais (foto: Mauro Pimentel/AFP)

O sítio em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, que pertenceu a Roberto Burle Marx (1909-1994), criador dos jardins tropicais que revolucionaram o paisagismo, foi reconhecido, nesta terça-feira (27/07), como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Anunciada na conta do Twitter desta agência da ONU, a decisão foi adotada durante a 44ª reunião anual do Comitê do Patrimônio Mundial das Nações Unidas, que analisa em Fuzhou (China) os pedidos para 2020 e 2021. As demandas se acumularam, devido à pandemia do novo coronavírus.

Reconhecido na categoria de "locais culturais", o Sítio Roberto Burle Marx é o 23º patrimônio brasileiro incluído na lista da Unesco.

Esse foi "o laboratório de experiências botânicas e paisagísticas de Burle Marx. Aqui ele aprendeu e entendeu como funcionavam_ biológica, ecológica e esteticamente _ as espécies que depois foram aplicadas nos jardins", afirma a bióloga Suzana Bezerra, uma das educadoras que trabalha no local, convertido em museu.

Adquirida por Burle Marx e seu irmão em 1949, a propriedade era uma antiga plantação de café e banana localizada no meio de uma densa Mata Atlântica, cerca de 50 km ao Sul do Rio de Janeiro.

O paisagista e seu irmão adquiriram em 1949 a propriedade, que era uma antiga plantação de café e banana (foto: Mauro Pimentel/AFP)
O paisagista e seu irmão adquiriram em 1949 a propriedade, que era uma antiga plantação de café e banana  (foto: Mauro Pimentel/AFP)

BIOMAS

Ao longo de 45 anos, o paisagista, artista visual e explorador povoou este sítio com espécies que coletava em suas expedições aos diversos biomas brasileiros, assim como a outros países, para estudá-las e incorporá-las em suas criações.

Exuberantes palmeiras, bromélias, aráceas com folhas gigantes e cores vivas, lagoas com espécies aquáticas: os jardins externos e os viveiros do local reúnem cerca de 3,5 mil espécies tropicais e subtropicais e condensam, como nenhum outro lugar, a força da natureza que ele buscou traduzir em suas criações. 

Filho de um migrante judeu alemão e de uma brasileira de origem francesa, Burle Marx foi um dos pioneiros da ecologia e um dos primeiros a usar a flora nativa, em vez de trazê-la da Europa.

Em suas expedições, descobriu dezenas de espécies e, ao longo de sua vida, projetou mais de 3 mil  parques e jardins públicos e privados _ a maioria deles no Brasil, mas também na Venezuela, nos Estados Unidos e no Sudeste Asiático.

Entre suas obras de paisagismo de maior destaque estão as famosas calçadas da praia de Copacabana, o Aterro do Flamengo e os jardins de Brasília.

Após passar por uma reforma e depois de 10 meses fechado ao público por causa da pandemia da COVID-19, o Sítio foi reaberto em janeiro passado.
Os jardins externos e os viveiros do local reúnem cerca de 3,5 mil espécies tropicais e subtropicais(foto: Mauro Pimentel/AFP)
Os jardins externos e os viveiros do local reúnem cerca de 3,5 mil espécies tropicais e subtropicais (foto: Mauro Pimentel/AFP)

Além das riquezas naturais, os visitantes podem conhecer o lugar onde Burle Marx viveu de 1973 até sua morte, em 1994, com seus móveis, pertences, pinturas e esculturas, além de coleções de outros artistas. 

Também é possível visitar a "Cozinha de Pedra", um amplo ambiente semiaberto onde organizava festas e encontros frequentados por artistas, poetas, arquitetos, músicos e cientistas, como Helio Oiticia e Lygia Clark, Niemeyer e Le Corbusier, Pablo Neruda, Elizabeth Bishop e Susan Sontag. 

Desde sua criação, o Comitê do Patrimônio Mundial, composto por representantes de 21 Estados, inscreveu mais de 1.100 sítios de mais de 165 países em sua lista. (AFP)


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