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Estado de Minas

Saiba como foi a cerimônia do Oscar em tempos de pandemia

Realizada presencialmente, mas com modificações, premiação celebrou a diversidade da produção em tempos adversos para o cinema


25/04/2021 20:49 - atualizado 26/04/2021 01:15

Chloe Zhao faz história e se torna segunda mulher a vencer o Oscar de melhor direção (foto: AFP PHOTO / ©A.M.P.A.S. / Todd WAWRYCHUK)
Chloe Zhao faz história e se torna segunda mulher a vencer o Oscar de melhor direção (foto: AFP PHOTO / ©A.M.P.A.S. / Todd WAWRYCHUK)
Com formato um pouco diferente daquilo que o público estava acostumado nas últimas décadas, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood realizou a 93ª cerimônia de entrega do Oscar na noite deste domingo (25/4). 
 
 
As mudanças na apresentação se devem à pandemia do novo coronavírus. O evento, embora presencial, teve menos convidados que o normal, transmissões de outros lugares do globo e uma dinâmica mais acelerada e próxima de um programa de TV. 
   
Contudo, o Oscar manteve a pompa e contou com a reunião de algumas das principais estrelas do mundo, dessa vez distribuídos em mesas espaçadas, também atendendo aos protocolos sanitários. 
   
Iniciada às 21h (Brasília), a entrega dos prêmios se estendeu até pouco mais de meia-noite. Antes das categorias serem apresentadas, a atriz Regina King fez um breve discurso, destacando os esforços da indústria cinematográfica diante das dificuldades impostas pela COVID-19. Ela também lembrou dos casos de violência policial contra a população negra nos EUA, que abalaram o país com múltiplos protestos ao longo do último ano. 
  
A expectativa era por uma premiação diversa, com uma lista de indicações mais plural no que diz respeito à representatividade. E assim foi. Um momento histórico da cerimônia foi a entrega do Oscar de melhor direção. A cineasta chinesa Chloe Zhao se tornou a segunda mulher na história da premiação a vencer a categoria de melhor direção, com "Nomadland". Antes dela, apenas Kathryn Bigelow, por "Guerra ao terror", em 2010, havia conseguido.
 
Nas 92 edições anteriores, a Academia indicou apenas cinco mulheres na categoria melhor direção: Lina Wertmuller por “Pasqualino sete belezas”, em 1976; Jane Campion por “O piano”, em 1993; Sofia Coppola por “Encontros e desencontros”, em 2003; Kathryn Bigelow por “Guerra ao terror”, em 2010; e Greta Gerwig por “Lady Bird: A hora de voar”, em 2017. Neste ano, além de Chloe, Emerald Fennell concorria com "Bela vingança".
   
"Sempre encontrei bondade nas pessoas que conheci em todo o mundo, então isso é para qualquer um que teve a fé e a coragem de se apegar à bondade que carregam dentro de si e de outras pessoas, por mais difícil que seja", declarou Zhao ao receber a estatueta. 
  
A presença das mulheres, tão cobrada nos últimos anos pelos movimentos que lutam por um cinema mais justo e igualitário entre os gêneros, foi vencedora também em melhor roteiro original. Emerald Fennell levou o prêmio por "Bela vingança". O filme aborda, de maneira “agridoce”, a cultura do estupro com a trajetória vingativa da protagonista Cassie(Carey Mulligan), contra homens que a abusam de mulheres vulneráveis.
  
Cinema asiático segue em alta
Depois do sucesso de "Parasita" na edição do ano passado, o cinema asiático voltou a ser destaque no Oscar. Além do prêmio para a chinesa Chloe Zhao, a coreana Yuh-Jung Youn venceu em melhor atriz coadjuvante, pelo papel da avó em "Minari - Em busca da felicidade".
  
Em um dos momentos mais divertidos da cerimônia, ela fez uma paida com Brad Pitt, apresentador da categoria. "Sr. Brad Pitt, onde estava você quando a gente estava filmando?. Ela também brincou sobre a “sorte” que teve ao vencer uma categoria tão concorrida, na qual estavam indicadas Maria Bakalova  ("Borat: Fita de cinema seguinte"), Glenn Close ( "Era uma vez um sonho"), Olivia Colman ( "Meu pai") e Amanda Seyfried ("Mank").
  
Comparado com edições anteriores, é possível dizer que foi uma cerimônia mais séria, com menos intervenções dedicadas ao humor. Mas outro grande momento de descontração da festa foi quando o DJ Questlove interagiu com alguns dos convidados e convenceu Glenn Close a se levantar e rebolar, para o delírio do público nas redes sociais e alegria dos criadores de memes. 
  
Emoção e favoritismo desbancado
Também houve espaço para emoção, com a tradicional homenagem póstuma aos artistas do cinema que morreram ao longo do último ano.  Sean Connery e Chadwick Boseman foram os últimos homenageados. 
  
Boseman, que concorria ao Oscar póstumo de melhor ator por “A voz suprema do blues”, morreu em agosto de 2020, vítima de um câncer de intestino. Considerado favorito ao prêmio, que já havia vencido no Globo de Ouro, ele perdeu a estatueta para Anthony Hopkins, de “Meu pai”. Hopkins, de 83 anos, interpretou um homem idoso atordoado pela demência em um dos filmes mais fortes da premiação. Ele não esteve presente na cerimônia.
  
As premiações de atuação principal encerraram a cerimônia, em uma das principais mudanças vistas neste ano. Tradicionalmente,  a categoria principal, de melhor filme, era a última a ser apresentada. Dessa vez, ela foi a anti-penúltima, coroando “Nomadland”. 
  
Frances McDormand levou o Oscar de melhor atriz, por “Nomadland” - grande vencedor da noite com três estatuetas. No entanto, ela foi extremamente sucinta ao receber seu terceiro Oscar na carreira. “Não tenho palavras: minha voz está em minha espada”, disse McDormand, citando Macduff, da obra shakespeariana “Macbeth”. Ela continuou dizendo: “Sabemos que a espada é nosso trabalho e gosto de trabalhar. Obrigado por saber disso, e obrigado por isso”, numa fala que durou alguns segundos. 
  
Nesse modelo mais dinâmico de apresentação, prevaleceram as declarações mais enxutas. Mas houve espaço para mensagens mais fortes.  Travon Free e Martin Desmond Roe, diretores de  "Dois estranhos", vencedor do Oscar de melhor curta, lembraram das mortes diárias de negros nos EUA pelas mãos da polícia e fizeram um apelo para que a população branca “não seja indiferente à nossa dor”
  
O filme, disponível na Netflix, aborda a violência policial contra a população negra. No filme, o protagonista vive em um loop temporal em que acaba assassinado por um policial todos os dias após acordar, independente das mudanças que faça em seu caminho.


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