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Estado de Minas Pandemia

Artistas brasileiros que perderam a luta contra a COVID-19

Mestres das letras, das artes, do teatro e da música estão entre os mais de 100 mil mortos no Brasil pelo coronavírus


08/08/2020 15:32 - atualizado 08/08/2020 16:03


'Com tanta gente que partiu/ Num rabo de foguete/ Chora a nossa pátria mãe gentil'. Como nunca, os versos de Aldir Blanc para 'O bêbado e o equilibrista', a canção mais célebre de sua prolífica parceria com João Bosco, calaram fundo nos brasileiros.

A Blanc, uma das 100 mil vítimas da COVID-19 no país, se juntaram outros grandes nomes da cultura brasileira, como o contista Sérgio Sant’Anna, o artista plástico Abraham Palatnik, o colecionador Ricardo Brennand, o compositor Ciro Pessoa, o escritor e desenhista Daniel Azulay, a maestrina Naomi Munakata, o dramaturgo Antônio Bivar, a cantora Dulce Nunes e a atriz Daisy Lúcidi.

A lista, infelizmente, não para de crescer. Neste mar de más notícias, houve apenas uma nota positiva: o projeto de lei com ações emergenciais para o setor cultural, com um pacote de R$ 3 bilhões para a área. Em vigor desde o fim de junho, leva o nome de Lei Aldir Blanc.

Abraham Palatnik (9 de maio)

Artista cinético, pintor e desenhista, 92 anos. Considerado um dos pioneiros da chamada arte cinética (que combina luz e movimento) no Brasil, expandiu os caminhos das artes visuais ao relacionar arte, ciência e tecnologia. Filho de judeus russos, se mudou para a região que hoje corresponde a Israel na infância. Mais tarde, em Tel Aviv, estudou física e mecânica numa escola técnica.

Conciliou a especialização em motores de explosão com aulas de arte e a vivência em ateliês de pintura e de escultura. De modo criativo, e ao longo de 70 anos de carreira, desenvolveu maquinários com experimentações artísticas e estéticas diversas. Foi um dos criadores do Grupo Frente, em 1954, ao lado de nomes como Ivan Serpa, Ferreira Gullar, Lygia Clark e Mário Pedrosa.

Participou de cem exposições, no Brasil e no exterior. Tem obras em coleções do Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o MAM, e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Aldir Blanc (4 de maio)

Aldir Blanc deixou legado repleto de clássicos da música popular brasileira(foto: Alaor Filho/Estadão Conteúdo )
Aldir Blanc deixou legado repleto de clássicos da música popular brasileira (foto: Alaor Filho/Estadão Conteúdo )
Letrista, poeta e compositor, 73 anos. Considerado um dos melhores letristas do país, seu estilo é o de cronista urbano. Em boa parte de suas letras utiliza um tom jocoso para descrever histórias corriqueiras do cotidiano. Compositor desde os 18 anos, escreveu cerca de 600 canções, entre samba, choro, valsa, baião, bolero, fox, frevo. A maior parte delas foi gravada. Entre seus intérpretes estão Elis Regina, Clara Nunes, Gilberto Gil, Chico Buarque, Edu Lobo, Nana Caymmi, Leila Pinheiro.

Teve vários parceiros: Moacyr Luz, Cristóvão Bastos, Maurício Tapajós e Guinga. Mas a parceria mais notável e prolífica foi com o mineiro João Bosco. A dupla é autora de canções marcantes como 'O bêbado e o equilibrista', 'O mestre-sala dos mares', 'Dois pra lá, dois pra cá', 'Kid Cavaquinho', 'Incompatibilidade de gênios' e 'Transversal do tempo'.

Graduado em medicina, com especialização em psiquiatria, pouco exerceu a profissão, que abandonou no início dos anos 1970. Nascido no Bairro do Estácio, fez da Tijuca seu lar – tinha fobia social, e nas últimas décadas pouco saía de casa. Era chamado de 'Bardo da Tijuca'.

Andinho (27 de abril)

Anderson da Silva Dias era diretor de bateria da escola de samba Unidos da Porto da Pedra.



Antônio Bivar (5 de julho)

Dramaturgo, ator, escritor e produtor, 81 anos. Autor de livros como 'O que é punk', foi figura importante da contracultura brasileira durante a ditadura militar, época em que se exilaram no Reino Unido nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jorge Mautner. Como dramaturgo, ficou conhecido pelas peças 'Cordélia Brasil (1968) e 'Abre a janela e deixa entrar o ar puro e o sol da manhã', do mesmo ano, que lhe deu o Molière de melhor autor.

Caio Michel Cardoso da Silva (22 de junho)

Músico piauiense, 30 anos. Violoncelista da Orquestra Sinfônica de Teresina (OST).

Carlos José (9 de maio)

Compositor, 86 anos. Conhecido pelo cancioneiro romântico, é o autor de 'Esmeralda', 'Doralice' e 'Celina'.

Ciro Pessoa (5 de maio)

Cantor, compositor e escritor, 62 anos. Foi um dos fundadores da banda Titãs e autor de 'Sonífera ilha', primeiro hit do grupo paulistano e de 'Toda cor' e 'Homem primata'. Nunca chegou a gravar com os Titãs, pois deixou o grupo dois anos antes do primeiro álbum da banda. Ainda integrou os grupos Cabine C e Flying Chair, além de ter lançado dois discos solo.

Daisy Lúcidi (7 de maio)

Atriz conhecida pelo trabalho em várias novelas, Daisy Lúcidi também era radialista(foto: Agência Brasil/Arquivo)
Atriz conhecida pelo trabalho em várias novelas, Daisy Lúcidi também era radialista (foto: Agência Brasil/Arquivo)
Atriz e radialista, 90 anos. Pioneira das radionovelas, chegou à TV nos anos 1960. Participou de novelas como' Supermanoela', 'Geração Brasil' e 'Passione'.

Daniel Azulay (27 de março)

O apresentador Daniel Azulay ensinou ecologia a crianças de várias gerações(foto: Facebook/reprodução)
O apresentador Daniel Azulay ensinou ecologia a crianças de várias gerações (foto: Facebook/reprodução)
Escritor, desenhista e artista plástico, 72 anos. Foi muito popular entre crianças que cresceram entre os anos 1970 e 1980 graças ao programa educativo 'Turma do Lambe Lambe'. Muito antes de virar moda, Azulay já se dedicava a mostrar aos pequenos a importância da sustentabilidade e da preservação do meio-ambiente.

David Corrêa (10 de maio)

Cantor e compositor, 82 anos. Portelense, compôs sete dos sambas-enredo premiados da escola, como 'Pasárgada, o amigo do rei', 'Macunaíma, herói da nossa gente', 'Hoje tem marmelada' e 'Meu Brasil brasileiro'.

Deison Freitas (7 de abril)

Cantor, compositor, instrumentista e youtuber, 34 anos. Lançou um único álbum, 'Primeira página' (2014). No YouTube se popularizou ao interpretar canções de Cazuza, Beatles e Wilson Simonal.

Dulce Nunes (4 de junho)

Atriz, cantora e compositora, 90 anos. Dulce foi lançada com 'Pobre menina rica' (1964), trilha do musical homônimo de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. Na mesma década, lançou dois álbuns solo e participou do cultuado 'Os afro-sambas' (1966), disco de Baden Powell e Vinicius de Moraes, quando gravou 'Tristeza e solidão'.

Evaldo Gouveia (29 de maio)

Cantor e compositor, 91 anos. Autor de canções como 'Sentimental demais' e 'O mundo melhor de Pixinguinha', foi gravado por Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Alaíde Costa e Maysa. Também fez parte do Trio Nagô, ao lado de Mário Alves e Epaminondas Souza.

Fabiana Anastácio (4 de junho)

Cantora gospel, 45 anos. Gravou canções como 'O grande eu sou', 'É tudo dele', 'Deixa comigo', 'Sou eu' e 'Adorarei'.

Gésio Amadeu (5 de agosto)

Ator, 73 anos. Trabalhou na televisão e no teatro. Ficou conhecido ao atuar em produções infantojuvenis como 'Chiquititas', 'Sítio do Picapau Amarelo' e 'Bugados'.

Jesus Chediak (8 de maio)

Ator, roteirista, jornalista e diretor, 78 anos. Escreveu os roteiros de 'Os viciados' (1968) e 'Banana mecânica' (1974) e dirigiu o documentário 'Parto para a liberdade: Uma breve história de Pedro Aleixo' (2014). Era diretor de cultura da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Jorge Freitas (13 de junho)

Cantor e compositor, 59 anos. Era considerado um dos maiores nomes da música regional do Rio Grande do Sul.

Léo Marrone (12 de julho)

Cantor sertanejo, nascido Leozimar Rodrigues Cavalcante, 37 anos.

Martinho Lutero Galati (17 de março)

Maestro, 66 anos. Criou a Rede Cultural Luther King, em São Paulo, a Associação Cultural Tchova Xita Duma, em Maputo, Moçambique, e o Coro Cantosospeso em Milão, Itália. Era presidente da Associação Brasileira de Regentes de Corais.

MC Dumel (16 de abril)

Funkeiro, nascido Diego Albert Silveira Santos, 28 anos. Fundou a produtora T-Music Brasil, responsável pela banda Beat Brasil e por DJ Cretino e MC Ravena.

Miss Biá (3 de junho)

Nascido Eduardo Albarella, 80 anos. Uma das primeiras drag queens do país, popular na noite paulistana, teve carreira de 60 anos. Foi maquiadora de Hebe Camargo, que costumava imitar em suas apresentações.

Naomi Munakata (19 de março)

Maestrina, 64 anos. Foi regente titular do Coral Paulistano, diretora artística e regente do Coral Jovem do Estado e regente do Coro da Osesp, onde atuou por 20 anos.

Nino Voz (24 de abril)

Cantor, acompanhava o grupo Balão Mágico durante a turnê revisionista que foi interrompida com o início da pandemia.

Olímpio Pereira Neto (19 de julho)

Escritor, 84 anos. Foi fundador da Academia Taguatinguense de Letras.

Ricardo Brennand (25 de abril)

Empresário e colecionador de arte pernambucano, 92 anos. Fundou, em 2002, o Instituto Ricardo Brennand, espaço que agrega a maior coleção mundial do pintor holandês Frans Post, o primeiro paisagista das Américas e também o primeiro e se debruçar na paisagem brasileira. O espaço ainda abriga um dos maiores acervos de armas brancas do mundo, com três mil peças, entre elas 27 armaduras medievais.

Sérgio Sant'Anna (10 de maio)

Sérgio Sant'Anna: mestre brasileiro do conto(foto: Walter Craveiro/Divulgação)
Sérgio Sant'Anna: mestre brasileiro do conto (foto: Walter Craveiro/Divulgação)
Contista, romancista, poeta e professor, 78 anos. Conhecido pela experimentação formal, ele transitou e foi elogiado por seu trabalho em diversos gêneros, mas era celebrado principalmente como um dos grandes nomes do conto brasileiro. Mudou-se para Belo Horizonte em 1959 para cursar direito na UFMG.

Viveu 12 anos na cidade. De volta ao Rio de Janeiro, fez carreira como funcionário público no Tribunal do Trabalho. Também foi professor na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde ficou até 1990. Nos últimos 30 anos, dedicou-se exclusivamente à literatura. Dentro das experimentações promovidas por San'Anna estava o diálogo com outras áreas, como as artes plásticas, o teatro, o cinema.

Entre seus livros mais conhecidos estão 'Confissões de Ralfo', 'Um crime delicado', 'O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro' e 'O homem-mulher'. Seu livro mais recente é 'Anjo noturno' (2017). Recebeu vários prêmios, entre eles o Jabuti (em três ocasiões) e o Portugal Telecom.


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