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Conheça detalhes do set de 'A vida invisível', que estreia hoje em BH

As atrizes Carol Duarte e Julia Stockler só podiam conversar com o diretor Karim Aïnouz e seus assistentes. E foram proibidas de ler o livro que inspirou o longa, que briga por uma vaga no Oscar


postado em 21/11/2019 04:00

Carol Duarte e Julia Stockler interpretam as irmãs Eurídice e Guida no filme brasileiro que briga pela chance de disputar o Oscar 2020 (foto: Pedro Machado/divulgação)
Carol Duarte e Julia Stockler interpretam as irmãs Eurídice e Guida no filme brasileiro que briga pela chance de disputar o Oscar 2020 (foto: Pedro Machado/divulgação)

Três minutos sem falar nada, só olhando para a câmera. Foi esse o primeiro contato que as atrizes Carol Duarte, de 28 anos, e Julia Stockler, de 31, tiveram com A vida invisível. Concorrente do Brasil a uma vaga na categoria melhor filme internacional do Oscar, o longa-metragem de Karim Aïnouz, depois de três semanas de pré-estreias, chega ao circuito comercial nesta quinta-feira (21). Em Belo Horizonte, ele será exibido nos cines Belas Artes, Diamond, Pátio e Ponteio.

Estreantes no cinema, Carol e Julia vivem, respectivamente, as irmãs Eurídice e Guida. No Rio de Janeiro dos anos 1950, as duas, filhas de um casal de imigrantes portugueses, são muito unidas, a despeito das diferenças. Uma separação radical as afasta, afetando definitivamente a vida de cada uma delas. Guida, a mais velha, foge de casa e retorna grávida, o que a faz ser expulsa pelo pai. Já Eurídice, que sonha se tornar pianista, cumpre o papel de praxe: vira dona de casa em um casamento sem amor.

Ao fazer o primeiro teste, as duas atrizes nem sequer sabiam para o que era. A única informação  era de que seria para uma produção de Aïnouz. O cineasta afirma que a preparação “foi quase um filme antes do filme. Escrevemos várias cenas que não estão no longa para permitir que as duas tivessem a memória de uma vida juntas, pois no filme elas só contracenam durante 20 minutos. Além da questão da memória, era muito importante a relação de cumplicidade das duas”, diz ele.

BATATA 

Não foi um processo fácil, ambas admitem. Depois daquele primeiro teste, houve outro, também em vídeo. Julia lembra como foi o seu. “Tinha de ser com um texto decorado e resolvi que não ia fazer (daquele jeito). Sou uma atriz desconhecida, claro que o Karim não ia me convidar. Então, cheguei em casa de uma festa, às seis da manhã, desarrumada, com a maquiagem borrada, e resolvi que gravaria meu teste (no celular) naquele momento. Ele pedia que você falasse um texto enquanto cortava batata. Não tinha nada na geladeira para cortar. Gravei fumando um cigarro. Quando o Karim viu, disse que precisava encontrar aquela menina que fez tudo ao contrário do que ele havia pedido”, ela conta.

Definidas as duas protagonistas, as atrizes passaram por novo momento de preparação. Aïnouz pediu que não lessem A vida invisível de Eurídice Gusmão (2016), o livro de Martha Batalha que gerou o filme. “A gente não se conhecia direito”, diz Carol a respeito de Julia. “Tivemos um mês para nos amar, para que a ausência estivesse presente na hora do filme.” No set, ambas tiveram de entrar no método Karim Aïnouz de filmar.

(foto: Denny Sachtleben/divulgação)
(foto: Denny Sachtleben/divulgação)

''Escrevemos várias cenas que não estão no longa para permitir que as duas tivessem a memória de uma vida juntas

Karim Aïnouz, diretor



REGRAS 

As atrizes não podiam falar com ninguém da equipe, a não ser o próprio cineasta, a assistente de direção, Nina Kopko, e o assistente dela. Também não podiam se chamar pelo próprio nome. Ali, não havia Julia ou Carol, apenas Guida e Eurídice.

“O processo inteiro do Karim é absurdamente intenso, ele quer a completa entrega. Agora, o fato de ninguém falar comigo não é maluco assim. É um jogo que todo mundo está jogando e acabou sendo benéfico para nós, atores”, diz Carol.

Julia completa: “O processo com o Karim foi muito prazeroso, mas vertical ao mesmo tempo, pois ele é muito exigente. Como não podia ler o livro, ele me deu como referência Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, e o filme Uma mulher sob influência, do John Cassavetes. A Guida foi chegando aos pouquinhos.”

Um dos grandes momentos de todo o processo, de acordo com Julia, foi contracenar com Fernanda Montenegro. “Estava muito nervosa, achava que não ia conseguir. Quando fomos fazer a cena, o Karim nos explicou e depois perguntou se tínhamos entendido. Eu, nervosa, disse que tinha entendido tudo. No mesmo segundo, ela disse que não sabia se tinha entendido, mas que faria o seu melhor. Ali vi como Fernanda é uma alma grande.”

Terminados os papéis em A vida invisível, as duas foram para a TV. Carol participou da minissérie Segunda chamada, que está no ar na Globo – ali é Solange, mãe solteira que tem de se virar. De férias desde o fim das gravações, ela está na China, representando o filme em uma turnê por seis cidades daquele país. Julia, por seu lado, está em meio às gravações da novela Éramos seis – interpreta a jovem autista Justine.





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