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Estado de Minas

Música renascentista tem série de concertos na Fundação de Educação Artística

Orquestra A Canção das Iluminuras apresenta neste sábado peça escrita em 1620 que é 'o protótipo da produção dramática da época'


postado em 15/11/2019 16:10

Programa deste sábado tem peça escrita em 1620 que é %u201Co protótipo da produção dramática da época%u201D, segundo Leopoldo Balestrini, um dos fundadores do grupo(foto: Moscou Design/Divulgação)
Programa deste sábado tem peça escrita em 1620 que é %u201Co protótipo da produção dramática da época%u201D, segundo Leopoldo Balestrini, um dos fundadores do grupo (foto: Moscou Design/Divulgação)
Dedicada à música renascentista e medieval, a orquestra A Canção das Iluminuras faz temporada até 8 de dezembro na Fundação de Educação Artística (FEA). Um dos idealizadores do grupo, Leopoldo Balestrini diz que a pesquisa histórica norteou a escolha do repertório. A ópera Il combatimento de Tancredo ed Clorinda, em cartaz neste sábado (16) e domingo (17), foi escrita por Claudio Monteverdi, em meados de 1620, a partir do Canto XII do poema épico Gerusalemme liberata, de Torquato Tasso.

Essa obra é especial, mesclando características narrativas e dramáticas, explica Balestini. “É o protótipo da produção dramática da época pela introdução de novidades cênicas e musicais de toda ordem, até então nunca vistas em um espetáculo operístico, pois usou apenas três cantores.”

O concerto contará com a participação do maestro e cantor Marcus Thadeu, regente do coral acadêmico e infantojuvenil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp); do dramaturgo, ator e professor da UFMG Fernando Limoeiro e dos cantores Anelise Clausen e Sandro Assumpção, solistas do Coral Lírico de Minas Gerais.

Cantate domino, a segunda série da temporada da Iluminuras, será dedicada à música sacra e às chamadas missas cíclicas, cuja estrutura é marcada por um tema fixo. Essa forma musical surgiu no fim da Idade Média e início do período renascentista. A orquestra executará a missa L’homme arme, a cinco vozes, criada por Cristoban Morales, mestre capella da catedral de Sevilha. Afrânio Lacerda é o regente convidado.

O terceiro programa, O corpo eloquente, trará as danças da Renascença. “Fizemos um trabalho de pesquisa para resgatar coreografias originais. Além do grupo completo de instrumentistas, teremos a participação de bailarinos”, diz Balestrini. De acordo com ele, o público sentirá o clima dos bailes frequentados pelas cortes renascentistas.

CORNETTO
Leopoldo toca os sofisticados shawn, cornetto e krunhorn, instrumentos de época. Criada há seis anos, a Iluminuras surgiu a partir do trabalho dele a respeito da música medieval. Com as primeiras aquisições de instrumentos, um pequeno acervo foi formado. “A partir daí, fui convidando amigos músicos. Eles se interessaram, passaram a estudar os instrumentos. Então começamos a tocar com foco maior na música medieval.”

Naquela época, Leopoldo Balestrini conheceu um luthier, e os dois passaram a pesquisar instrumentos de época. “Fui encomendando peças a ele, mas também tivemos acesso a outros construtores de instrumentos no Brasil, Europa e Estados Unidos. À medida que a orquestra ia se apresentando, novos músicos me procuravam e pediam para tocar conosco. Hoje, somos 32”, orgulha-se Leopoldo.

O foco maior do grupo é a Renascença, que, por sua vez, “herdou” vários instrumentos da Idade Média. “Trabalhamos o período que vai do ano 1000 até 1640, quando já começa o Barroco”, completa Leopoldo.

De acordo com ele, A Canção das Iluminuras é a única orquestra de música renascentista da América Latina. “Não há grupos com a nossa formação e frequência de concertos, pois fazemos pelo menos uma temporada por ano. É um trabalho pioneiro e exclusivo”, diz.

A CANÇÃO DAS ILUMINURAS
Il combatimento de Tancredo ed Clorinda, neste sábado (16), às 20h, e domingo (17), às 17h. Na Fundação de Educação Artística (Rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários, (31) 3226-6866). Ingressos: R$ 30. No dia 23/11, às 20h, e 24, às 17h, Cantate domino: Missa l’homme armme. No dia 7/12, às 20h, e 8/12, às 17h, Música mundana: O corpo eloquente.









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