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Estado de Minas MÚSICA

Uma trajetória de sucesso

Claudette Soares e Daniel Saraiva são os convidados hoje do terceiro encontro da série Um seminário bossa-nova, no Minas Tênis, que tem como homenageado Pacífico Mascarenhas


postado em 16/10/2019 04:00 / atualizado em 15/10/2019 19:18

A cantora Claudete diz que tem muito orgulho de fazer parte de uma geração de artistas tão talentosos e de a bossa nova ter se tornado uma marca do Brasil e ter reconhecimento internacional(foto: Murilo Alves/Divulgação)
A cantora Claudete diz que tem muito orgulho de fazer parte de uma geração de artistas tão talentosos e de a bossa nova ter se tornado uma marca do Brasil e ter reconhecimento internacional (foto: Murilo Alves/Divulgação)
 
Considerada uma das principais representantes da bossa nova, Claudette Soares soma cerca de 60 anos de carreira e vai experimentar, nesta quarta (16), uma novidade em sua trajetória. “É a primeira vez que dou uma palestra na minha vida (risos). Estou muito honrada e feliz porque, além de falar sobre a bossa nova, vamos lembrar a Nara Leão (1942-1999), que foi uma grande amiga. Histórias não vão faltar. A gente não pode ficar parada no tempo; temos sempre que reinventar e buscar novas oportunidades”, ressalta.
 
A cantora é uma das convidadas do terceiro encontro da série Um seminário bossa-nova, que está sendo realizada semanalmente no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (CCMTC), em Lourdes. A iniciativa faz parte do projeto Pacífico: Memória e modernidade, que celebra a trajetória do compositor Pacífico Mascarenhas, considerado o precursor da bossa nova em Minas Gerais. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do Sympla. O bate-papo vai contar, ainda, com o escritor e historiador Daniel Saraiva, biógrafo de Nara Leão.
 
Claudette vai relembrar sua trajetória, sobretudo, sua mudança para São Paulo na década de 1960, incentivada pelo grande amigo Ronaldo Bôscoli (1928-1994). “Ele me dizia que era importante eu levar esse movimento musical para São Paulo – que ele costumava dizer que era um país – porque no Rio eu seria mais uma cantora de bossa nova, enquanto em Sampa eu ia fazer história. Na época, tive muito medo, porque era uma menina de 20 e poucos anos, minha família não gostou muito. Hoje, depois de tanto tempo, olho pra trás e vejo como o Bôscoli estava certo. Minha vida deu uma guinada depois disso”, celebra.
 
Mesmo morando há décadas longe de sua terra natal, a carioca Claudette Soares nunca perdeu os laços com a Cidade Maravilhosa. Não só por continuar cantando em verso e prosa o Rio, como há muitos trabalhos e parceiros por lá. A artista Soares se recorda com carinho não só de Nara, como de Sylvinha Telles (1934-1966), que foi uma figura essencial para que a cantora ingressasse na turma de Tom, Vinicius, Dick Farney e cia. limitada. “A Sylvinha cantava na boate do Hotel Plaza, no Rio, e foi lá que, na realidade, nasceu a bossa nova. Ela ia se casar, sabia que já tinha um contato com esse pessoal, e me chamou para substituí-la. A partir dali as coisas foram se desenrolando”, conta a artista, cujo maior sucesso é De tanto amor, um presente de casamento dado por Roberto Carlos, que, aliás, foi seu padrinho.

ANIVERSÁRIO


Claudette completa 82 anos em 31 deste mês e brinca que não poderia ter nascido numa data mais apropriada. “É o Dia das Bruxas e do Drummond. Sou de Escorpião, com ascendente em Áries, e ainda bem que tenho só 1,60m. Imagina se eu fosse maior? Ninguém daria conta”, diverte-se.
 
E ela vai comemorar o novo ano da maneira que mais gosta e sabe. Na sexta, 1º de novembro, inicia a turnê do mais novo disco, Se eu pudesse te dizer tudo que sinto, em homenagem ao cantor e compositor mineiro Sílvio César, que completou 80 anos em agosto. A dupla, inclusive, gravou uma composição dele, Nós dois, no projeto. “A estreia é em São Paulo e, por isso, vou ter que ficar mais quietinha no dia mesmo do meu aniversário, que é na véspera. Mas não deixa de ser uma maneira de festejar”, comenta Claudette, que está com vários projetos.
 
“Tem o Baile da Claudette, show em que canto de tudo, e É cheio de convidados, vou começar a divulgar esse álbum. Tenho muito orgulho de fazer parte de uma geração de artistas tão talentosos e de a bossa nova ter se tornado uma marca do Brasil e ter reconhecimento internacional. Brinco que minha maior vingança é estar viva; sou uma sobrevivente. Só agradeço por estar viva, ter saúde e continuar cantando e me renovando”, celebra.
 
 

SERVIÇO


Um seminário bossa-nova
Hoje (16), às 19h,
com Claudette Soares e Daniel Saraiva – A bossa nova em 
Sampa + Reverenciando Nara Leão.
No Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes).
Informações: (31) 3516-1000.
Entrada franca, mas é necessário se inscrever no www.sympla.com.br 


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