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Estado de Minas SAÚDE MENTAL

Terapia da hipnose sem mistérios

Quadros de ansiedade e depressão podem ser tratados com a técnica, que se relaciona ao subconsciente e proporciona estado de relaxamento profundo


17/10/2021 04:00 - atualizado 16/10/2021 01:19




A hipnoterapia auxilia em tratamentos contra ansiedade e depressão, como meio de comunicação direta com o subconsciente. A hipnoterapeuta Pâmella Mello, especialista em saúde mental e inteligência emocional, explica que, por meio da hipnose, é possível alcançar um estado de relaxamento mais profundo, quando o subconsciente do paciente fica suscetível às sugestões do terapeuta e pode absorver informações com capacidade de promover melhora.

A partir desse estado de subconsciência, possibilitado pelo transe, traumas do passado e da infância podem ser descobertos. “Esses traumas permitem ao paciente a revelação de sentimentos e emoções reprimidas que, ao voltar à tona, podem ser melhor trabalhados”, afirma Pâmella Melo.
 
 
Dalila Nara encarou a hipnose como última esperança depois de 13 anos de terapia
Para Dalila Nara, que experimentou a hipnoterapeuta em março deste ano, o tratamento representa salvação por tratar a raiz dos problemas (foto: Arquivo pessoal )
 
Dalila Nara, de 23 anos, percebeu esse avanço no tratamen to. Ela se submeteu à técnica pela primeira vez em março deste ano, e considera a hipnoterapia uma espécie de “salvação” diante do quadro de bipolaridade e ansiedade que vinha enfrentando. “Na hipnoterapia, trata-se a raiz de nossos problemas. Quando fui tratar minha ansiedade, minha mente me levou a uma memória de que não me lembrava conscientemente, quando tinha 5 anos, e foi o princípio da ansiedade que carreguei pelo resto dos anos que se passaram até hoje.”

O hipnoterapeuta é um guia para reprogramar situações como essa e torná-las mais confortáveis e não traumáticas. “Com a minha depressão foi a mesma coisa. Nas primeiras três sessões, já me vi livre da ansiedade e há dois meses não sinto nem resquícios dela. Quanto à depressão, não tenho sentido nada durante pouco mais de um mês”, comenta a analista clínica. Ela se recorda, ainda, da primeira sessão, que, segundo ela, foi, no mínimo, surreal.

“Achava que não ia dar certo, devido ao misticismo e tabu que existem em cima da hipnose, mas funcionou. Não dormi, nem perdi a consciência, como muitos dizem. Pelo contrário, estava consciente de tudo que estava acontecendo e conseguia me mover e até pensar por conta própria. De primeira, acessei uma memória de quando tinha 1 ano. Saí do consultório chocada, sem acreditar no que havia acontecido, parecia até mágica.”

Os resultados do tratamento, no qual Dalila Nara depositava grande expectativa, surpreenderam. Ela encarou a hipnose como última esperança depois de 13 anos de terapia, vários diagnósticos que se mostraram equivocados e múltiplas formas de combater a doença, incluindo o uso de medicamentos, cuja eficácia se perdia com o tempo.

Eficiência 

A hipnoterapia, segundo a especialista em saúde mental Pâmella Mello, oferece muitos benefícios para a vida de pessoas como Dalila e que sofrem de qualquer outro distúrbio ou transtorno mental. “A primeira e mais rápida vantagem são os resultados. Eles surgem muito rápido, já que em boa parte dos pacientes as mudanças já são notadas nas primeiras sessões. Isso ocorre porque, ao trabalhar com o subconsciente, as causas são descobertas mais cedo e, com isso, o tratamento é aplicado mais rapidamente.”

Comparada à terapia convencional, a hipnose tem maior eficiência, na avaliação de Pâmella Mello, já que a maioria dos problemas emocionais se encontra no subconsciente. “Outra vantagem que está relacionada à rapidez dos resultados é que essa terapia proporciona mais esperança aos pacientes. Isso é bom porque, ao acreditar que o tratamento surte efeito, evita-se o abandono das sessões”, afirma.

A hipnoterapia também proporciona benefícios como a regulação do apetite, melhora do sono e redução da ansiedade, bem como melhora a capacidade do paciente de lidar com sentimentos e emoções. “Por fim, outro benefício desse tratamento é que não há prescrição de medicamentos e isso reduz a zero os efeitos colaterais ou interações com outros tratamentos aos quais o paciente já se submete. Ao longo do tempo, a dose de remédios pode ser reduzia”, comenta a hipnoterapeuta.

Do ponto de vista da idade do paciene, a técnica pode ser indicada para quase todas as pessoas, inclusive crianças, segundo Pâmella Mello. O que muda são os níveis de profundidade nos quais o paciente entra em transe. Entretanto, apesar de algumas pessoas não conseguirem se lançar no transe profundo para a realização do tratamento de hipnoterapia, o estado leve já apresenta resultado esperado.

Recomendação 

Os principais problemas tratados com hipnoterapia são ansiedade, depressão, síndrome do pânico e fobias, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), insônia, estresse, vícios, transtornos alimentares, enxaquecas, dores crônicas, problemas sexuais, doenças psicossomáticas e bruxismo. O tratamento só não é recomendado para pessoas em estado de surto psicótico ou sob o efeito de álcool ou drogas, uma vez que esses pacientes não conseguem focar a atenção em pontos específicos.

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram




palavra de especialista
 
Pâmella Mello , hipnoterapeuta, especialista em saúde mental e inteligência emocional, esclarece conceitos e mitos relacionados à hipnoterapia
 
 
Após buscar a causa e ressignificar os traumas, hipnoterapeuta recomenda ao paciente buscar outros tipos de terapia para aperfeiçoamento
Pâmella Mello, hipnoterapeuta, especialista em saúde mental e inteligência emocional, esclarece conceitos e mitos relacionados à hipnoterapia
 
SEM DÚVIDAS

Com a hipnoterapia é necessário que o  paciente busque terapias adicionais?
A hipnose, quando utilizada por um profissional competente, é segura e agradável para qualquer pessoa. Todo sintoma tem uma causa, e é isso o que a hipnoterapia busca. Após buscar a causa e ressignificar os traumas, recomendo sempre buscar outros tipos de terapia para aperfeiçoamento.

Existe o risco de a pessoa não sair do transe?
Esse é um mito muito comum na sociedade. A interpretação da hipnose pelo cinema e televisão acabou por difundir muito essa concepção, mas felizmente ela está completamente errada. O “transe” é um estado natural da mente, a hipnose nos possibilita potencializar esse estado de atenção e direcioná-la para onde queremos, mas isso depende necessariamente do interesse e engajamento da pessoa. Não há como a pessoa ficar “presa” ao transe.

A hipnose está ligada à religião?
Há séculos é alimentada uma crença errônea de que a hipnose é religiosa. Ou seja, tem relação com espíritos ocultos ou mesmo que é necessário acreditar em vidas passadas, seguindo alguma linha religiosa específica. Nada disso é verdade. Devido a essas desconfianças originadas pela religião, muita gente reluta em participar de uma sessão de hipnose. Por algumas crenças equivocadas de que a hipnose tem o poder de dominar e escravizar mentes, nem todos conquistam seus objetivos durante o tratamento da hipnose como terapia.

Qual a eficácia da hipnoterapia?
A hipnoterapia é uma técnica eficaz que apresenta, normalmente, uma redução no tempo de tratamento. Após seis sessões semanais (aproximadamente um mês e meio), apresenta-se 93% de recuperação. Ela não apresenta efeitos seundários, é eficaz, breve, completamente natural, segura e financeiramente acessível, devido ao reduzido número de sessões necessárias para a recuperação.

Qual é a principal dica para quem deseja fazer hipnoterapia?
O importante é que busque um profissional capacitado e preocupado em aprimorar cada vez mais seus conhecimentos. Como toda ferramenta, pode ser útil e perigosa, a exemplo de uma faca, se usada erroneamente.


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