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Estado de Minas SAÚDE MENTAL

Como superar a desmotivação

Em meio à pandemia de COVID-19, o desânimo tem tomado conta de muita gente


08/08/2021 04:00 - atualizado 05/08/2021 11:26

Psicólogo Leonardo Morelli diz que ausência do convívio com outras pessoas e a incerteza com relação ao futuro faz com que a pessoa se sinta desestimulada, sem ânimo(foto: Eliamara Sena Braga/Divulgação)
Psicólogo Leonardo Morelli diz que ausência do convívio com outras pessoas e a incerteza com relação ao futuro faz com que a pessoa se sinta desestimulada, sem ânimo (foto: Eliamara Sena Braga/Divulgação)


No início da pandemia, ainda em meados de março de 2020, quase todo mundo pensou que a quarentena duraria cerca de duas semanas ou menos, porém, com o avançar dos casos e o caos sanitário instalado, o tempo foi passando.

De repente, o mundo estava imerso em incerteza, e isso já há cerca de um ano e meio. À medida que os dias e meses se passaram, o desânimo foi tomando conta do dia a dia de muitas pessoas. Mais que não poder sair de casa por medo, as pessoas passaram a não ter motivação para realizar atividades do dia a dia.

E isso por muitos motivos, segundo o psicólogo comportamental Leonardo Morelli. “Nós não podemos ir e vir como antigamente fazíamos. Não podemos mais ver, abraçar e estar em contato com amigos e pessoas que amamos. Estamos incertos com relação a quando tudo isso vai passar e, mesmo cumprindo nossas obrigações com relação ao estudo e trabalho, tudo acaba se arrastando, mesmo que a gente não perceba. É óbvio que o distanciamento social e medidas restritivas são importantes nesse momento.”

O psicólogo observa que a ausência do convívio com outras pessoas, a incerteza com relação ao futuro e a falta de controle com a situação faz com que a gente se sinta, de alguma forma, desestimulado.

Por incrível que pareça, esse desânimo intenso pode atingir pessoas de várias idades, incluindo crianças, jovens e idosos. “Se para nós, adultos, que temos conhecimento sobre o porquê nossa vida mudou, tudo parece ‘difícil’, imagine para uma criança, que, de repente, não pode mais ir à escolinha, conviver com amigos, primos e vizinhos? Os adolescentes, da mesma forma, não podem mais conviver com os amigos e estão, de certa forma, receosos com relação ao futuro estudantil e provas de vestibular.”

No caso dos idosos, por mais que tenham se vacinado, “infelizmente ainda não estão isentos dos riscos da COVID-19 e não desfrutam de um futuro tão longo, se formos pensar pela ordem cronológica, quanto crianças, adolescente ou adultos. Ser privado de ver a família, amigos, ir às compras, dentre outras atividades do dia a dia, acaba sendo motivo para desmotivação”, explica Leonardo Morelli, que destaca, também, que esse quadro merece atenção, uma vez que tem uma série de consequências na saúde física e mental das pessoas.

Ainda que, segundo ele, não seja possível mensurar os danos a longo prazo, os prejuízos já estão sendo sentidos de alguma maneira. Isso porque a falta de motivação prejudica a concentração, aumenta os níveis de ansiedade e irritação, causa estresse e pode desencadear quadros de transtornos depressivos.

SINAIS 

Para a psiquiatra Jaqueline Bifano, fazer terapia auxilia na busca por identificar a origem das questões e dos problemas que atormentam e desanimam (foto: Arquivo pessoal)
Para a psiquiatra Jaqueline Bifano, fazer terapia auxilia na busca por identificar a origem das questões e dos problemas que atormentam e desanimam (foto: Arquivo pessoal)
 

A psiquiatra Jaqueline Bifano destaca a importância de que os sinais sejam reconhecidos a fim de buscar ajuda profissional, uma grande aliada do combate a desmotivação. Entre os sintomas característicos, tem-se exaustão, cansaço, desmotivação e dificuldade de concentração. “Quando isso passa a ser constante, é sinal de que algo mais sério está acontecendo, e isso já é motivo suficiente para buscar a ajuda de um profissional”, reforça Leonardo Morelli.

Saber mais sobre si é fundamental para vencer o desânimo, afirma Jaqueline Bifano. Isso porque, segundo ela, para identificar a origem desse sentimento é necessário exercer a auto-observação. “Por isso, buscar se conhecer e se reconhecer diante de fatos e situações pode ser o meio mais eficaz de superar uma fase em que nos sentimos desestimulados. Para isso, a ajuda de um psicólogo e, em alguns casos severos, psiquiatras, pode ser necessária, tanto para ajudar a identificar a origem do problema como fornecer subsídios para sair dele.”

“Afinal, fazer terapia nos auxilia nessa busca por identificar a origem das questões e dos problemas que nos atormentam e desanimam.”
 
 
EM AÇÃO 

O primeiro passo para superar a desmotivação está em reconhecer o desânimo e os sinais apresentados. Isso porque, se uma pessoa entende que algo não vai bem ou que algo está fora da normalidade, com funcionamento prejudicado, ela entende que é hora de agir e buscar ajuda, colocando em prática hábitos para mandar a falta de motivação para bem longe. “As atividades físicas feitas diariamente, pausas durante o serviço ou estudo, mesmo que para alongar, alimentação equilibrada e horas de sono de qualidade podem ajudar a melhorar os níveis de ansiedade e estresse”, afirma o psicólogo Leonardo Morelli.
 

Buscar se conhecer e se reconhecer diante de fatos e situações pode ser o meio mais eficaz de superar uma fase em que nos sentimos desestimulados. Ajuda de um psicólogo e, em alguns casos, psiquiatras, pode ser necessária

Jaqueline Bifano, psiquiatra

 
Além disso, segundo ele, uma dica preciosa é colocar metas diárias para serem cumpridas. “Quando conseguimos cumprir nossos afazeres, aumentamos os níveis de motivação. É válido que essas metas sejam diárias e possíveis de serem realizadas para não gerar frustração. Algumas mudanças no dia a dia também são importantes, como fazer algo gostoso e diferente para comer durante a semana, assistir a um filme, ler livros ou ouvir músicas. Se além das metas diárias, começarmos a enxergar os resultados, passamos a nos preocupar menos com os obstáculos.”


PREVINA-SE!

 
Todas as pessoas podem passar pelo processo de desmotivação quando aspectos da vida estão em desequilíbrio, como autonomia, competência e relacionamentos. Ou seja, vai muito além da pandemia. Afinal, ao longo da vida, as pessoas passam a se verem com menos controle sobre áreas importantes que influenciam diretamente no bem-estar. Mas, é possível se cuidar e evitar que o desânimo chegue com tudo, se cuidando e se autoconhecendo, afirmam o psicólogo Leonardo Morelli e a psiquiatra Jaqueline Bifano.

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram


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