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Estado de Minas SAÚDE

Home office prejudica os olhos, mostra pesquisa

Pesquisa do IBGE aponta que aumento do trabalho remoto na pandemia leva à fadiga visual. Oftalmologista ensina como prevenir complicações


21/07/2021 10:50 - atualizado 21/07/2021 10:55

A cada 20 minutos de trabalho on-line piscamos entre 120 e 140 vezes, enquanto normalmente piscaríamos 400 vezes(foto: Pixabay)
A cada 20 minutos de trabalho on-line piscamos entre 120 e 140 vezes, enquanto normalmente piscaríamos 400 vezes (foto: Pixabay)


Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio COVID-19 (PNAD) do IBGE mostra que na pandemia o trabalho remoto passou de 3% para 12% entre brasileiros com carteira assinada. Muitos aprovam e até preferem a nova modalidade, mas a falta de um horário fixo para iniciar e terminar o expediente está levando a maioria ao esgotamento crônico, também conhecido por síndrome de Burnout.

Não é a única complicação. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, o olho é o órgão mais afetado pelo trabalho on-line. Isso porque, é bombardeado por 16,7 milhões de cores geradas pelas telas.

Toda esta variação de luminosidade sobrecarrega a musculatura que regula a entrada de luz até a retina, nervo óptico e cérebro onde se formam as imagens.

“Quem permanece muitas horas realizando trabalho, reuniões ou treinamentos on-line, bem como enviando e-mails e mensagens no WhatsApp, tem olho seco evaporativo. Isso porque, normalmente piscamos 20 vezes/minuto. Na frente dos monitores de 6 a 7 vezes”, afirma.

Significa que a cada 20 minutos de trabalho on-line piscamos entre 120 e 140 vezes, enquanto normalmente piscaríamos 400 vezes.  “O resultado é a fadiga visual ou síndrome da visão no computador que além do olho seco, provoca vermelhidão, visão embaçada e dor de cabeça”, assinala.

Um levantamento feito por Queiroz Neto com 1,2 mil jovens e adultos com até 40 anos mostra que o desconforto atinge 75%. Não é para menos. As telas eletrônicas dificultam manter o foco porque as imagens e textos são formados por pixels que têm o centro mais brilhante que as bordas. Para diminuir o desconforto é necessário usar colírio lubrificante até quatro vezes ao dia.

Se ainda assim a visão embaçada persistir, o oftalmologista afirma que é necessário passar por uma avaliação oftalmológica completa para checar alguma mudança no grau dos óculos ou outras alterações que interferem na lágrima.

“Há casos em que é indicado o implante de um plugue para manter a lágrima na superfície do olho ou aplicações de luz pulsada que estimulam a produção da camada lipídica da lágrima.


Síndrome cresce após 40 anos


O oftalmologista afirma que a partir dos 40 anos 90% têm a síndrome da visão no computador.  O aumento é causado pela presbiopia ou dificuldade de enxergar de perto, decorrente da perda de flexibilidade do cristalino para alternar a focalização das imagens próximas e distantes.
 

O olho é o órgão mais afetado pelo trabalho on-line. Isso porque, é bombardeado por 16,7 milhões de cores geradas pelas telas. Toda esta variação de luminosidade sobrecarrega a musculatura que regula a entrada de luz até a retina, nervo óptico e cérebro onde se formam as imagens

Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier

 
A partir desta idade, além de colírio lubrificante, Queiroz Neto afirma que é indicado o uso de óculos com lentes especiais para meia distância que melhoram o desempenho nas atividades online. Já aos 50 anos quando o cristalino começa amarelar, menos luz azul penetra nos olhos e a visão de contraste diminui.

Por isso, as telas devem ser calibradas com o máximo contraste. A partir dos 60 anos a pupila diminui, reduzindo ainda mais a luz que chega à retina e precisamos três vezes mais iluminação ambiental que uma pessoa com 20 anos.

Lente de contato

A fadiga visual ou síndrome da visão no computador provoca, além do olho seco, vermelhidão, visão embaçada e dor de cabeça(foto: Free-Photos/Pixabay)
A fadiga visual ou síndrome da visão no computador provoca, além do olho seco, vermelhidão, visão embaçada e dor de cabeça (foto: Free-Photos/Pixabay)


Outro problema é que a estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) do qual o médico faz parte, é de que no Brasil metade da população precisa usar óculos ou lente de contato para corrigir miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia.

"Desses, 8,4 milhões usam lente de contato e correm maior risco no trabalho on-line caso descuidem da lubrificação dos olhos", ressalta. Isso porque, explica, o olho seco altera a textura, coloração e transparência da lente, antecipando seu vencimento. Pior: “A chance de opacificação por uma úlcera na córnea é 10 vezes maior em quem usa lente danificada”, diz Queiroz.

Como se não bastasse, os prontuários do hospital mostram que o uso de lente vencida ou durante a noite respondem por 45% das cicatrizes e úlcera na córnea, terceira maior causa de deficiência visual no mundo. Por isso, independentemente da validade indicada na embalagem, a recomendação é interromper o uso e consultar um oftalmologista ao primeiro desconforto.

Prevenção


As dicas de Queiroz Neto para evitar desconforto nos olhos durante o trabalho on-line são:
  1. Desvie os olhos da tela a cada 10 minutos para um ponto distante
  2. Pisque voluntariamente
  3. Acada 20 minutos olhe para um ponto distante por 20 segundos.
  4. Posicione a tela 20 graus abaixo da linha dos olhos
  5. Reduza o brilho e aumente o contraste da tela.
  6. Mantenha a distância de 60cm entre a tela e os olhos
  7. Evite excesso e iluminação direta.


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