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Estado de Minas DIA MUNDIAL SEM TABACO

Câncer de pulmão: um perigo que pode ser combatido

Além da neoplasia, maior consequência do fumo, o cigarro pode comprometer o funcionamento da garganta e propiciar o aparecimento de COVID-19. Confira


31/05/2021 13:00 - atualizado 31/05/2021 14:14

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

Nesta segunda-feira (31/5) é comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco e, por isso, médicos e especialistas chamam atenção para os males causados pelo hábito de fumar. E o câncer de pulmão se apresenta como o maior deles.

E isso mesmo após interromper o consumo, haja vista que os efeitos do cigarro causam danos ao organismo também a longo prazo, podendo levar ao surgimento de células malignas.  

Segundos dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 30 mil brasileiros são diagnosticados com câncer de pulmão por ano – esse tipo de tumor está entre os líderes em incidência no país, com cerca de 13% de todos os casos registrados.

Além disso, essa neoplasia é a doença oncológica que mais mata. Levantamento do Atlas de Mortalidade por Câncer de 2019 indica 29.354 mortes em decorrência dessa do câncer de pulmão a cada ano. 

“Cerca de 80% dos tumores de pulmão são relacionados ao tabaco. Alguns números falam 80%, outros 85%. Por quê? Porque o cigarro tem dezenas de carcinógenos, substâncias químicas capazes de lesar o DNA da célula da via respiratória, como as células pulmonares, e induzir mutações e alterações que, no final, vão levar ao surgimento do câncer. E isso está relacionado à carga de fumo, ou seja, a quantidade de cigarros fumados por dia e ao tempo de fumo”, diz Carlos Gil Ferreira, oncologista torácico e presidente do Instituto Oncoclínicas. 

Segundo ele, para saber o risco de acometimento há o que é conhecido como carga tabágica, que é dada pela multiplicação dos números de maços de cigarros fumados por dia pelo número de anos que o paciente fumou. “Quanto maior a carga tabágica, maior o risco de câncer de pulmão.” 

Carlos Gil Ferreira explica, ainda, que os sintomas, diagnóstico e tratamento da doença, todos cruciais para uma boa chance de cura, dependem de variáveis.

Quanto aos sinais, que devem ser observados a fim de reconhecer o acometimento pela neoplasia, os respiratórios precisam de atenção: “o surgimento de sintomas respiratórios que não melhoram dentro de algumas semanas com medicamentos ou atendimento médico primário, deve indicar preocupação e, portanto, é necessário procurar um atendimento especializado.” 
 
(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

O tabagismo é o grande responsável. E, infelizmente, o câncer de pulmão ainda é uma doença letal.

Carlos Gil Ferreira, oncologista torácico e presidente do Instituto Oncoclínicas

 
 
Mas quais, de fato, são esses sintomas respiratórios? Conforme o oncologista, tosse persistente, falta de ar, dor torácica, emagrecimento e tosse com escarro sanguinolento. E esses sinais variam entre pessoas fumantes e não fumantes, pois os não fumantes geralmente não têm sintomas respiratórios.

“Então, qualquer surgimento de um novo sintoma persistente demanda atenção e atendimento médico para avaliação. Por outro lado, os fumantes já têm naturalmente sintomas respiratórios: tosse crônica e às vezes falta de ar com esforços.” 

“Nesse caso, mudança de padrão desses sintomas, ou seja, o aumento da falta de ar ou mudança no aspecto ou padrão da tosse devem levar necessariamente à busca de atendimento médico”, recomenda. 

TRATAMENTO 


O impacto do câncer de pulmão no organismo depende da extensão da doença. Isso porque, se ela está localizada somente no pulmão e com pequenas dimensões, o paciente não tem sintoma. No entanto, quando se tem um tumor em estágio avançado, localmente no tórax, o paciente terá tosse, falta de ar e mudança de padrão respiratório.

Por outro lado, em algumas ocasiões, pode haver sinais de metástases, como dores ósseas, alterações neurológicas como convulsões e dor de cabeça, que podem indicar a presença de metástases ósseas ou cerebrais. 

Justamente por isso, o diagnóstico precoce, bem como o tratamento adequado e imediato, pode salvar vidas. Além disso, a prevenção é palavra-chave, já que, apesar de o câncer de pulmão ter outras causas, como exposição à radiação, é menos frequente em não fumantes. “O tabagismo é o grande responsável. E, infelizmente, o câncer de pulmão ainda é uma doença letal.” 

“Números recentes mostram que teremos por volta de 1 milhão e 800 mil casos de câncer de pulmão por ano, com cerca de 1 milhão e 600 mil mortes anuais. Isso mostra que é uma doença na qual a incidência e a mortalidade estão muito próximas, apesar dos avanços, o que indica que precisamos antecipar o diagnóstico e fazê-lo em uma fase precoce ainda curável da doença”, argumenta Carlos Gil Ferreira. 

Quanto ao diagnóstico, o especialista explica que ele pode ser feito por meio de um exame de imagem, raio x ou tomografia. A partir daí, se houver uma lesão suspeita no pulmão, busca-se uma biópsia.

“Quanto ao tratamento, ele vai depender do estágio da doença. Quando você tem uma doença localizada no pulmão e não existe contraindicação a cirurgia, esse é o tratamento indicado. Quando a cirurgia não é indicada, a radioterapia é uma opção. Por fim, quando a doença é metastática, ou seja, está fora do tórax ou disseminada, o tratamento deve ser feito com quimioterapia e radioterapia, quando indicada, ou imunoterapia – terapia que ativa o sistema imunológico pela combinação de medicamentos biológicos avançados."

OUTRAS COMPLICAÇÕES 


Segundo o pneumologista Luiz Fernando Ferreira Pereira, o tabagismo ativo e a exposição passiva à fumaça do tabaco estão relacionados ao desenvolvimento de pelo menos 50 enfermidades, com destaque para vários tipos de câncer – câncer de garganta e câncer de bexiga e pâncreas –, doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio e doenças respiratórias como a doença pulmonar obstrutiva crônica, uma combinação de bronquite com enfisema. 

Luiz Fernando Ferreira Pereira, pneumologista(foto: Arquivo pessoal)
Luiz Fernando Ferreira Pereira, pneumologista (foto: Arquivo pessoal)
“Fumar também aumenta o risco de infecções respiratórias, incluindo a tuberculose, diabetes, osteoporose, complicações da gravidez e da criança, insuficiência vascular periférica e disfunção erétil. Além disso, o tabagismo aumenta crises e internações de pacientes com doenças crônicas, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica e insuficiência cardíaca. Ainda, o risco de morte do fumante é três vezes maior do que o de não fumantes e o consumo de cigarros pode reduzir a expectativa de vida em 10 a 12 anos.” 

Além disso, a garganta pode sofrer sérias consequências. “As substâncias químicas presentes no cigarro causam irritação na pele que reveste toda a região da faringe e laringe, provocando um processo inflamatório crônico. A garganta, nesse caso, pode ser atingida desde a base da língua, assim como as amígdalas, até as cordas vocais. Ao definirmos o local acometido, o importante será o estadiamento do tumor, o estado do paciente e a idade. Com estes dados, o tratamento irá se basear em um tripé: cirurgia, quimioterapia com radioterapia e mais recentemente a imunoterapia – comuns ao câncer de pulmão.” 

É o que explica Cícero Matsuyama, otorrinolaringologista do Hospital CEMA. Os danos à garganta podem comprometer a fala, causar alterações de deglutição e motricidade de toda a região anatômica, e isso inclui não somente o cigarro, mas também o charuto, cachimbo, narguilé e similares. O processo irritativo na garganta pode ainda favorecer o aparecimento da COVID-19, tendo em vista que o fumante passa por diversos processos inflamatórios no aparelho respiratório e pode desenvolver quadros mais graves. 

AUMENTO DO TABAGISMO 


Em meio à pandemia de COVID-19, segundo Carlos Gil Ferreira, questões de confinamento, estresse e angústia propiciaram um aumento do tabagismo.  

“É cedo para medirmos a consequência que teremos em termos de aumento de casos de câncer de pulmão e outras complicações. Teoricamente é um aumento de suposição pequeno, mas com certeza isso aconteceu e precisamos conscientizar a população, até porque vários estudos mostram que o tabagismo está associado com maior gravidade da COVID e consequentemente maior chance de mortalidade pelo COVID-19”, afirma. 

O pneumologista Luiz Pereira recomenda, assim, que todo fumante tente cessar o tabagismo, por conta própria ou por meio de programas de cessação do tabagismo, que são baseados no apoio comportamental e uso de medicamentos ou reposição de nicotina – adesivos, gomas e pastilhas.

“O programa nacional de cessação do tabagismo fornece gratuitamente a medicação e o apoio comportamental para os fumantes que desejam cessar o uso do tabaco. Basta procurar um posto de atendimento das secretarias municipais de saúde”, indica. 

Nesse cenário, o oncologista Carlos Gil Ferreira comenta que esses programas podem ajudar a diminuir o consumo e, consequentemente, os riscos do tabagismo. “O Brasil é um sucesso mundial em campanhas de prevenção e cessação de tabagismo há décadas. Nós somos um exemplo, pois baixamos o percentual de tabagistas no país de 30% para menos de 10%, segundo pesquisas, e acreditamos que esse número ainda pode cair mais.” 

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram 


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