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Estado de Minas COVID-19

Alerta para a saúde íntima

Especialistas analisam impacto da pandemia do novo coronavírus sobre a prevenção, o rastreamento e o tratamento de câncer ginecológico. Entenda e saiba como se cuidar


06/09/2020 04:00 - atualizado 03/09/2020 13:08


De acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), desde março deste ano, cerca de 50 mil pessoas não obtiveram diagnóstico de câncer, no Brasil em função da pandemia causada pelo novo coronavírus. Dessa forma, especialistas alertam para a saúde íntima da mulher, visto que os tipos de câncer mais frequentes no público feminino são os ginecológicos, como o de colo de útero e o de mama.

“As pessoas estão com medo de procurar assistência médica, em função do isolamento social e do medo de contaminação por COVID-19. E, por isso, mesmo com o aparecimento de alguns sintomas, a mulher tende a ignorá-los em vez de buscar atendimento especializado, possibilitando um adiamento do diagnóstico, o que não é bom, pois o reconhecimento tardio pode diminuir as chances de cura”, explica o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Agnaldo Lopes.
 
 
Presidente da Febrasgo, Agnaldo Lopes diz que muitos exames preventivos, como papanicolau e mamografia, deixaram de ser feitos(foto: Divulgação)
Presidente da Febrasgo, Agnaldo Lopes diz que muitos exames preventivos, como papanicolau e mamografia, deixaram de ser feitos (foto: Divulgação)
 
O especialista destaca que houve interferência da pandemia também na prevenção e no tratamento de câncer ginecológico. Segundo Agnaldo Lopes, além da queda no número de pessoas vacinadas contra o papilomavírus humano (HPV), muitos exames preventivos, como a mamografia e o papanicolau, deixaram de ser feitos.

“As mulheres deveriam se adaptar a esse momento e não deixar de realizar os exames preventivos, pois o reconhecimento precoce do câncer induz à maior chance de cura, e em um momento como esse isso pode fazer a diferença. A pandemia impactou de forma considerável nos tratamentos da doença, visto que além da diminuição de cirurgias ginecológicas nesse período, a constante necessidade de leitos por pacientes com COVID-19 resultou na falta de leitos de terapia intensiva para mulheres com casos mais complexos de câncer ginecológico”, afirma.

Por isso, o especialista pontua que as consultas ginecológicas, mesmo que seguindo o modelo da telemedicina, devem ser mantidas, bem como a periodicidade dos exames preventivos. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o papanicolau deve ser repetido a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com intervalo de um ano, a fim de diminuir as chances de falso-negativo.

Já as mamografias são recomendadas a cada dois anos para mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos. “Fora dessa faixa etária e dessa periodicidade, os riscos aumentam e existe maior incerteza sobre benefícios”, informa a entidade. Além disso, de acordo com as informações divulgadas pelo site oficial do Inca, não se é recomendado o autoexame da mama como técnica a ser ensinada às mulheres, devido à comprovação científica da baixa efetividade e possíveis danos da prática.

“Entretanto, a postura atenta das mulheres no conhecimento do seu corpo e no reconhecimento de alterações suspeitas para procura de um serviço de saúde o mais cedo possível – estratégia de conscientização – permanece sendo importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama. A mulher deve ser estimulada a conhecer o que é normal em suas mamas e a perceber alterações suspeitas de câncer, por meio da observação e apalpação ocasionais de suas mamas, em situações do cotidiano, sem periodicidade e técnica padronizada, como ocorria com o método de autoexame”, informa o Inca.

SINTOMAS  


Agnaldo Lopes destaca ser importante que a mulher se atente aos sintomas apresentados, pois alguns podem indicar necessidade de acompanhamento médico. E mesmo que as manifestações percebidas não se caracterizem como um indicativo de câncer ginecológico, algumas avaliações podem ser necessárias.

“Uma mulher que tem um sangramento pós-menopausa,  por exemplo, deve procurar o atendimento médico para um diagnóstico preciso. Se há a percepção de um nódulo na mama, se a mulher apalpa um nódulo na mama, isso vale uma avaliação. Mudanças repentinas no hábito intestinal e/ou uma perda de peso sem explicação também merecem e necessitam de avaliação médica” diz.

CASOS GRAVES 


Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a tendência para o futuro pós-pandemia é de que haja um aumento no número de casos de câncer ginecológico. Isso porque, conforme explica, não há menor incidência da doença durante a pandemia, mas, sim, menor constatação.

“Há a expectativa, ainda, de que esses quadros clínicos sejam mais graves, pois não se está tendo menos casos de câncer por causa da pandemia, está tendo apenas uma diminuição dos diagnósticos, e em algum momento esse diagnóstico vai ser feito e, provavelmente, em casos mais avançados da doença. O prognóstico desses pacientes fica, então, absolutamente comprometido. Isso muda totalmente o prognóstico de câncer neste momento”, diz.

*Estagiária sob supervisão da editora Teresa Caram


Fique atenta aos sinais!

Procure um médico em caso de:

» Dor pélvica ou pressão abaixo do umbigo
» Inchaço abdominal e flatulência
» Dores intensas e persistentes na parte inferior das costas
» Sangramento vaginal anormal
» Febre com duração superior a sete dias
» Dores de estômago ou alterações intestinais
» Perda de peso equivalente a 10 quilos ou mais, sem que esteja fazendo dieta
» Anormalidades na vulva e na vagina, como feridas, bolhas ou alteração de cor
» Alterações na mama, como dor, secreção, nódulos, vermelhidão ou inchaço
» Fadiga, que, embora seja comum em diversas outras doenças, pode ser mais frequente nos casos de câncer em estágio avançado

Fonte: Instituto Oncoguia



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