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Estado de Minas Saúde ocular

Cirurgias estéticas nos olhos podem apresentar riscos. Entenda

Especialista alerta para os perigos de uma cirurgia realizada na área dos olhos: prejuízo da função visual e perda de visão. Confira cuidados e dicas


21/08/2020 10:30 - atualizado 21/08/2020 10:48

(foto: Contexto/Divulgação)
(foto: Contexto/Divulgação)

A preocupação com a saúde ocular passou a se estender, também, aos procedimentos estéticos realizados nos olhos. Isso porque alguns deles podem ser danosos e/ou oferecer riscos à visão do paciente.

Justamente por isso, o assunto será um dos temas tratados com relevância no 64° Congresso Brasileiro de Oftalmologia, o CBO2020, a ser realizado entre 4 e 7 de setembro, a fim de conscientizar as pessoas e informar sobre os cuidados a serem tomados. 

Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBPCO) e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Ricardo Morschbacher explica que é importante entender os tipos de cirurgia normalmente feitas nos olhos, para, então, compreender os possíveis danos e estabelecer cuidados. 

“Há procedimentos caracteristicamente funcionais e estéticos. Entre os funcionais, estão situações de obstrução da via lacrimal ou impedimento de drenagem da lágrima e situações de doenças de pálpebras, como tumores benignos ou malignos. E, há também, cirurgias e procedimentos estéticos em volta dos olhos. Esses podem ser feitos com uma série de técnicas, como botox, e preenchimentos.” 

As cirurgias funcionais se fazem necessárias, a fim de melhorar a saúde ocular do paciente. Mas, a respeito dos procedimentos estéticos, a situação é diferente, visto que esses métodos são, normalmente, com o intuito de melhorar a aparência do rosto.

Sendo assim, o oftalmologista pontua ser necessário ficar atento aos riscos das técnicas, antes mesmo de recorrer a elas. 

“Os riscos de qualquer cirurgia em volta dos olhos é o de se ter um prejuízo da função visual ou até perda de visão. É um campo muito amplo, que qualquer procedimento junto ou próximo dos olhos pode levar a um aumento da sensação de disfunção lacrimal, ou pode levar a uma manifestação do que chamamos de síndrome do olho seco, ou até mesmo à perda de visão ou o surgimento de uma úlcera de córnea”, elucida.
 

"Qualquer procedimento em volta dos olhos pode causar alteração da função palpebral, da função lacrimal e/ou ressecamento intenso da superfície ocular, úlcera de córnea e até mesmo a cegueira. Isso deve ser reportado em qualquer procedimento em volta dos olhos. Uma cirurgia estética de pálpebras pode levar à cegueira"

Ricardo Morschbacher, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBPCO) e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

 

Além disso, segundo Morschbacher, vários profissionais atuam neste ramo, ou seja, a cirurgia estética pode ser realizada por especialistas de áreas distintas e não somente de oftalmologia, o que pode ser prejudicial, se uma consulta com um médico especializado na região dos olhos não for feita anteriormente.

Essa assistência prévia é necessária, a fim de propiciar uma avaliação da situação ocular do paciente, bem como da função lacrimal e saúde da superfície dos olhos. 

“Mesmo em pacientes sem sintomas, uma cirurgia estética pode transformar um olho seco subclínico, ou seja, a cirurgia pode fazer com que os sintomas sejam percebidos pelo paciente. E isso porque a córnea é o órgão mais sensível de todo o corpo humano, com a maior concentração de terminações nervosas livres do organismo", afirma.

Portanto, qualquer pequeno incomodo no olho representa muito e qualquer alteração da função palpebral pode ser sentida pelo paciente após a cirurgia, relata Morschbacher. 

Danos oculares 

 
Ricardo Morschbacher, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBPCO) e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Ricardo Morschbacher, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBPCO) e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
De acordo com o oftalmologista, danos irreversíveis podem ocorrer, desde ressecamento da superfície ocular até úlceras de córnea. Mas, segundo ele, esse é um processo longo, caso não tenha a intervenção de um médico especialista.

“Qualquer procedimento em volta dos olhos pode causar alteração da função palpebral, da função lacrimal e/ou ressecamento intenso da superfície ocular, úlcera de córnea e até mesmo a cegueira. Isso deve ser reportado em qualquer procedimento em volta dos olhos. Uma cirurgia estética de pálpebras pode levar à cegueira”, diz. 

Ainda, de acordo com Morschbacher, as cirurgias palpebrais podem ser refeitas. Por isso, em casos de danos mais leves, podem ser corrigidos com a realização de um novo procedimento.

“Algumas sequelas oriundas de cirurgias nos olhos, sejam estéticas ou funcionais, podem ser reparadas, só envolve mais técnicas. Existem, também, variadas formas de tratamento para cada tipo de cirurgia e para cada situação”, afirma. 
 
* Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram 


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