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Estado de Minas REPORTAGEM DE CAPA

Novas formas de celebrar o amor na pandemia

Em meio à pandemia, alguns casais optaram por não adiar a realização da cerimônia de casamento, mas adaptá-la para modelos seguros e sem aglomeração


postado em 05/07/2020 04:00 / atualizado em 04/07/2020 12:33

Maéli de Assis Magalhães Andrade, de 23 anos, e Cauê Araujo de Andrade, também de 23, trocaram as alianças em junho, em transmissão pelo YouTube(foto: Arquivo Pessoal)
Maéli de Assis Magalhães Andrade, de 23 anos, e Cauê Araujo de Andrade, também de 23, trocaram as alianças em junho, em transmissão pelo YouTube (foto: Arquivo Pessoal)

“O casamento é o momento mais importante da história do casal, um marco. Adiar este sonho, por tempo indeterminado e sem saber como será a vida pós-pandemia é uma medida muito extrema e pode gerar sofrimento e frustração. O ideal é achar o equilíbrio”, diz o celebrante de casamentos Diogo Gasparini Barbosa Heller, de 38 anos, ao comentar a escolha de muitos noivos por adaptar a cerimônia matrimonial e celebrar o amor, mesmo em meio à pandemia.

No entanto, Gasparini destaca que, para alcançar o equilíbrio necessário para que o casamento seja realizado, é necessário analisar as opções no mercado, respeitar todas as medidas de isolamento e protocolos sanitários e utilizar a menor estrutura possível, tanto no âmbito de decoração e convidados, quanto do ponto de vista de profissionais.

“Neste contexto, há alternativas que respeitam o que a situação exige e dão a opção de a cerimônia ocorrer, mesmo com as restrições, com toda a mística e sentimento que a envolve. Isso porque o mercado de casamento é muito ativo e novos formatos de celebração e rituais surgem constantemente. E, em meio à pandemia, o recomendado é que o matrimônio seja realizado de forma intimista”, pontua.
 
 
Maéli de Assis Magalhães Andrade, de 23 anos, e Cauê Araujo de Andrade, também de 23, trocaram as alianças em junho, em transmissão pelo YouTube(foto: Arquivo Pessoal)
Maéli de Assis Magalhães Andrade, de 23 anos, e Cauê Araujo de Andrade, também de 23, trocaram as alianças em junho, em transmissão pelo YouTube (foto: Arquivo Pessoal)
 
 
Sendo assim, o celebrante de casamentos destaca que o modelo home wedding tende a ser uma tendência. Assim como sugere sua tradução literal – casamento em casa –, esse tipo de evento é realizado em ambiente domiciliar, para poucas pessoas e com uma decoração minimalista.

Já o micro wedding, traduzido para o português como casamento micro, segue o pressuposto de uma celebração pequena e com poucos convidados, mas se difere da cerimônia realizada em casa por ser, normalmente, feita em local aberto, como sítios e campos, ou pequenos salões. Nesse tipo de evento, há toda a estrutura de um casamento convencional.

“Há também o elopment wedding, conhecido como fugir para casar. Esse termo tem origem em uma prática do século 13, na qual os amantes fugiam para que pudessem realizar o casamento, em decorrência de desavenças fami- liares.

Nesse tipo de cerimônia, os noivos viajam para um lugar, onde se casam com a presença somente do celebrante e do fotógrafo, além do casal. Esse modelo tem sido adaptado, a fim de contar com a presença dos pais e padrinhos.”

É o que pretendem fazer a analista financeira Bruna Dayana de Souza Rocha, de 28, e o empresário Thiago Roquette Couto, de 35. Esse formato, segundo relatos dos noivos, vem ganhando espaço nos corações de ambos, desde que a ideia de um casamento simples, mesmo diferente do casamento convencional, se tornou insegura por conta da COVID-19.
 
 
Heloísa Heleno Galeno Coutinho, de 40 anos, e Welton Adriano de Souza, de 36, foram os primeiros a se casar on-line em Minas Gerais (foto: Arquivo Pessoal)
Heloísa Heleno Galeno Coutinho, de 40 anos, e Welton Adriano de Souza, de 36, foram os primeiros a se casar on-line em Minas Gerais (foto: Arquivo Pessoal)
 
“Nos casaremos em novembro, mas ainda não temos data estabelecida e alguns detalhes ainda estão sendo decididos, como o local onde será realizada a cerimônia. Mas, é esse o modelo escolhido, intimista e com a adaptação para a presença de nossos pais, pois não queremos adiar a cerimônia para o próximo ano”, conta o casal.

VALIDAÇÃO CIVIL 

O casamento com validação civil também sofreu algumas adaptações. Nesse contexto, o casamento on-line ganhou espaço. É feito por meio de uma plataforma de streaming, na qual o celebrante pode realizar a cerimônia mesmo estando em outra localidade. É o que têm feito alguns cartórios do Brasil, a fim de conter as aglomerações e realizar os pedidos de casamento dentro da data prevista.

Heloísa Heleno Galeno Coutinho, de 40, e Welton Adriano de Souza, de 36, foram os primeiros a realizar esse tipo de celebração em Minas Gerais. Isso porque o casamento entre a cabeleireira e o cuidador de idosos seria realizado somente em caráter civil, para futuramente ser celebrado no religioso.

“Ficamos 30 dias aguardando o contato do cartório. Tentamos, por algumas vezes, falar com eles, mas a resposta que obtínhamos era de que ainda não havia previsões de quando as atividades seriam retomadas normalmente. Em um belo dia, quando tentamos o contato, eles nos fizeram a oferta de nos casar on-line. E nós topamos.”
 
 
 A analista financeira Bruna Dayana de Souza Rocha, de 28 anos, e o empresário Thiago Roquette Couto, de 35, vão se unir em novembro no modelo elopment wedding, conhecido como fugir para casar (foto: Arquivo Pessoal)
A analista financeira Bruna Dayana de Souza Rocha, de 28 anos, e o empresário Thiago Roquette Couto, de 35, vão se unir em novembro no modelo elopment wedding, conhecido como fugir para casar (foto: Arquivo Pessoal)
 
Os preparativos começaram a ser pensados, pois a cerimônia não poderia ser realizada na casa de Heloísa, onde a princípio seria. A escolha se deu pela igreja na qual a noiva congrega.

“Os pastores abriram a igreja para nós, a fim de que nos casássemos lá, sem a presença de ninguém. Apenas nós dois e eles, que foram nossas testemunhas. Na hora do casamento, tivemos um pequeno contratempo, pois o computador que seria a fonte para o contato com o juiz não funcionou. Então, com a orientação do cartório, baixamos um aplicativo e nos casamos pelo celular”, relata.

Heloísa e Welton destacam que, apesar de ser esse um formato diferente e inovador, eles puderam trocar o sim e as alianças relembrando a forma como se conheceram: virtualmente. “Nos conhecemos por meio das redes sociais e nos casamos assim. E, foi lindo. Estamos muito felizes e bem realizados com tudo o que tem acontecido em nossa vida.”



Momento eternizado pela internet



Maéli de Assis Magalhães Andrade, de 23 anos, e Cauê Araujo de Andrade, também de 23, contam que ao comunicar ao fotógrafo que realizaria as fotos de seu casamento que a data do casamento seria adiada, este lhes contou sobre um casamento on-line que ele realizaria, junto com um grupo de outros fornecedores. No entanto, para a iniciativa dar certo, eles ainda precisavam de um aspecto muito importante: os noivos.

“No primeiro momento, sentimos medo. Para que isso funcionasse, precisaríamos adiantar a data inicial do nosso casamento, que seria em setembro deste ano. Mas quando conversamos sobre a ideia em questão, percebemos que faria sim, muito sentido para nós. E, então, aceitamos a proposta.”
 
 
(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
 
"O mercado de casamento é muito ativo e novos formatos de celebração e rituais surgem constantemente. E, em meio à pandemia, o recomendado é que o matrimônio seja realizado de forma intimista”

Diogo Gasparini Barbosa Heller, celebrante de casamentos
 
 
 
Neste novo cenário, os noivos relatam que todos os elementos a serem escolhidos e orçados ficaram por conta da assessoria dos fornecedores, restando para eles, apenas, a missão de escolher aquilo que mais lhes agradava, como cores e modelos. E então, em 20 de junho deste ano, mais precisamente às 15h, os noivos celebraram o amor, em uma transmissão ao vivo, realizada no YouTube.

“Apesar de no dia ter somente oito convidados, pois eram somente nossas famílias e o celebrante, nos sentimos muito amados pelos colegas, amigos e até mesmo familiares que não puderam estar no dia. Com certeza, é um novo normal e nos adaptamos superbem a tudo isso. Fomos muito parceiros e flexíveis em cada escolha e decisão. Foi emocionante e vai ficar eternizado.”

CUIDADOS 

Gasparini pontua que, independentemente do formato escolhido e/ou adaptado para que o casamento ocorra, é necessário manter os protocolos de segurança, a fim de evitar a propagação do vírus. Portanto, o celebrante de casamentos destaca ser essencial que na maior parte do tempo todos façam uso de máscaras de proteção, incluindo noivos e celebrante.

“Por mais difícil que seja, pela emoção do momento e tudo mais, é recomendado que não haja muitos abraços e beijos entre convidados e casal. Todos os profissionais envolvidos no evento, como bufê, cerimonial, fotógrafo e DJ, devem seguir as mesmas regras”, afirma.

*Estagiária sob supervisão da editora Teresa Caram
 




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