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Estado de Minas CORONAVÍRUS

COVID-19: Como utilizar a água sanitária no combate ao vírus

Cartilha divulgada pelo Conselho Federal de Química visa informar e orientar a população sobre o uso correto da água sanitária para desinfecção de superfícies


postado em 08/05/2020 15:09 / atualizado em 08/05/2020 16:06

Capa da cartilha publicada pelo Conselho Federal de Química(foto: CFQ/Divulgação)
Capa da cartilha publicada pelo Conselho Federal de Química (foto: CFQ/Divulgação)

O Conselho Federal de Química (CFQ) divulgou uma cartilha informativa sobre o uso correto da água sanitária no combate ao novo coronavírus. Com o intuito de orientar a população e contradizer as fake news, a cartilha traz uma série de dúvidas e as responde, indicando a melhor forma de se fazer o uso do produto, bem como a concentração adequada e as substituições aceitáveis. 

Conselheiro do Conselho Federal de Química, Wagner Contrera conta que a iniciativa se deu a partir da percepção da falta de álcool em gel, produto recomendado inicialmente pelos órgãos de saúde, no mercado. Além disso, a necessidade de que novas alternativas fossem sugeridas à população, de forma segura, se tornou um impulso para que o projeto fosse idealizado. 

“Para isso, buscamos um produto que pudesse ser facilmente encontrado pela dona de casa e que, também, proporcionasse a mesma eficácia que o álcool em gel. Então, o conselho elaborou um material técnico mostrando que a água sanitária, por ser um excelente germicida, poderia ser utilizada no combate à COVID-19, principalmente, nos casos específicos de desinfecção de superfícies. A partir disso, a ideia de elaborar uma cartilha surgiu, visto que especificamente nos rótulos da água sanitária não há nenhuma instrução específica ao uso de tal como recurso na prevenção da doença.” 

Contrera explica que a escolha dos temas a serem abordados na cartilha se baseou em dúvidas frequentes, tanto da imprensa, a primeira instância, quanto do público em geral. E afirma que a decisão de se falar na água sanitária como alternativa de higienização teve como princípio e embasamento recomendações feitas pelos órgãos oficiais

A própria Anvisa emitiu uma nota técnica falando sobre a possibilidade do uso da água sanitária como sendo uma das alternativas para o combate da COVID-19. "Então, nós procuramos identificar as perguntas que começaram a surgir e inserir nessa cartilha. Praticamente, todas as questões que foram apresentadas ao conselho, pelas redes socias ou pelo próprio site do CFQ, foram integradas ao material.” 

Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indica o uso desses produtos, além do álcool 70%, para a higienização e desinfecção, no combate ao novo coronavírus.  

“Especificamente para desinfecção de ambientes externos, muito se tem noticiado sobre o uso do álcool 70%, contudo também podemos utilizar outros produtos à base de hipoclorito de sódio ou cálcio, na concentração de 0.5%, alvejantes contendo hipoclorito (de sódio, de cálcio), peróxido de hidrogênio 0.5%, ácido peracético 0,5%, quaternários de amônio, por exemplo, o Cloreto de Benzalcônio 0.05% ou desinfetantes com ação virucida”, informa. 

Ainda, a Anvisa relatou que o hipoclorito de sódio ou cálcio na concentração de 0.5% é um produto corrosivo, à semelhança da água sanitária, cuja concentração de hipoclorito é maior (2,0% e 2,5%), podendo causar lesões severas dérmicas e oculares.  

“Portanto, devem ser tomadas as precauções necessárias para a proteção dos trabalhadores envolvidos nos procedimentos de desinfecção, bem como para a população em geral, com a emissão de alertas de como devem se proteger, em especial se afastando do local”, completa. 

Por isso, o conselheiro do Conselho Federal de Química ressalta que o material publicado oferece formas de adequar a solução e, também, de como realizar o manejo, evitando danos aos objetos e à saúde em geral.  

“Na cartilha, são informadas as proporções que podem ser utilizadas em superfícies, solas de sapatos, em locais com probabilidade de circulação de pessoas contaminadas e até mesmo de pessoas alérgicas. Todos os cuidados estão inseridos no material, a fim de que o uso de produtos químicos não se torne um problema, pois ao utilizar esse tipo de recurso, a ideia é que seja feito de forma racional e inteligente, como com o uso de luvas de proteção, e não indiscriminadamente.” 

Contra as fake news 


Contrera ressalta, ainda, que, em meio à pandemia, inúmeras fake news surgiram e, muitas vezes, prejudicaram pessoas que estavam em busca de informação e formas de se cuidar. “As pessoas estão assustadas e, então, começam a surgir nas redes sociais uma série de informações que não encontram respaldo técnico, o que prejudica, causando ainda mais desinformação.” 

Por isso, o conselheiro explica que a publicação da cartilha se tornou ainda mais essencial, visto que se observou a necessidade de que informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), veículos oficiais e até mesmo pelo próprio Conselho Federal de Química, sendo este órgão representante da área química, fossem melhor propagadas.  

Diversos vídeos e notícias falsas foram repassadas sobre dicas de como fazer álcool em gel e até mesmo sobre o uso do álcool combustível como forma de proteção. Isso é uma questão séria e perigosa, tendo em vista que ambos são produtos inflamáveis. Além disso, o álcool usado como combustível tem contaminantes em sua composição, o que se tornaria outro problema.

"Então, entendemos ser importante a elaboração desse material para que as pessoas pudessem ter uma fonte segura para buscar a informação, a fim de utilizar as soluções corretas e de forma consciente, sem que ‘fórmulas mágicas’ ganhassem o lugar do produto ideal.” 

O especialista destaca, ainda, que o uso de água e sabonete para a higienização ainda é a melhor opção, sendo fundamental para a desinfecção. “A água sanitária é um complemento na limpeza de superfícies, pisos, paredes, portas, maçanetas, cadeiras, mesas e, eventualmente, na falta de outros meios, pode auxiliar, em concentração bem pequena, na desinfecção das mãos. No entanto, recomendamos que a princípio seja utilizada somente em superfícies inanimadas.” 

A cartilha pode ser acessada pelo site do Conselho Federal de Química. 

* Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram 
 

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