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Estado de Minas

Juntos, ainda que separados

Pandemia do coronavírus impõe novas formas de celebrar o Dia das Mães. Mesmo com o isolamento social, o importante é reforçar laços de afeto e criar maneiras de se fazer presente


postado em 03/05/2020 04:00 / atualizado em 02/05/2020 23:05


Pela primeira vez, a cabeleireira Michelle Faeda (c) e as irmãs Kelly e Luana vão passar a data longe da mãe, Grace, de 60 anos (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
Pela primeira vez, a cabeleireira Michelle Faeda (c) e as irmãs Kelly e Luana vão passar a data longe da mãe, Grace, de 60 anos (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)


Uma data especial que não pode passar em branco. O Dia das Mães ganha novos significados em tempos de coronavírus. Em muitas famílias, esta será a primeira vez em que a ocasião é experimentada a distância. Fundamental é perceber que o afastamento social não é o mesmo que isolamento emocional. Sentimentos como respeito, admiração, carinho e amor incondicional parecem potencializados quando não se está por perto – tornam-se ainda mais importantes, urgentes. Quando o beijo e o abraço apertado não podem fazer parte do presente, mães e filhos reinventam as formas para estar juntos, ainda que separados.

“Está chegando o Dia das Mães e muitos filhos e mães vão passar separados. Alguns por morarem em cidades diferentes, mas muitos estão na mesma cidade e não podem se encontrar por conta do coronavírus. Muitas mães, inclusive, fazem parte do grupo de risco para a doença. Uma data tão especial e não poder estar perto – isso tem causado angústia e ansiedade”, diz a psiquiatra Jaqueline Bifano.

Para ela, importante é que as pessoas se conscientizem e entendam que esse tem sido um ano atípico, e que o distanciamento físico é uma medida de proteção fundamental diante da pandemia. “O isolamento é um ato de solidariedade com todo mundo, não só entre os fami- liares. Mas é momentâneo, tudo vai melhorar, ainda que não exista uma perspectiva clara de tempo para isso acontecer”, opina Jaqueline.

A psiquiatra lembra que o isolamento social não precisa significar um isolamento emocional. “Vamos fazer uma videoconferência, ter um contato visual, conversar, tentar minimizar esse afastamento. Ver se o outro está bem, dar um beijo e um abraço virtual, o que também é uma demonstração de carinho. Não deixar de dizer à mãe o quanto é amada”, pontua. Para Jaqueline, essa é uma situação a ser superada. “É hora de um incentivar o outro. Todos estamos aprendendo e vamos tirar daqui uma lição. Pela ausência física, cada vez mais percebemos o valor em estar presente, em contato com quem amamos.”
 
A relações-públicas Bruna Oliveira Zanotti, de 31 anos, teve que desfazer os planos de comemorar a data com a mãe, Vera, de 56, respeitando as regras de isolamento
A relações-públicas Bruna Oliveira Zanotti, de 31 anos, teve que desfazer os planos de comemorar a data com a mãe, Vera, de 56, respeitando as regras de isolamento
 
 
DISTÂNCIA 

A relações-públicas Bruna Oliveira Zanotti, de 31 anos, é mãe de Luiza, de 4, e Teo, de 5 meses. Por 10 anos vivenciou a distância da mãe, Vera, de 56, que já morou no Pará, no Maranhão e no Ceará, entre outros lugares. Nesse período, desfrutaram juntas o Dia das Mães em três anos diferentes. Agora, em 2020, faz pouco tempo que Vera voltou à capital mineira, justamente na semana em que teve início a qua- rentena. Seria uma ótima oportunidade para reunir todos novamente, não fosse o coro- navírus. “Infelizmente, não vamos passar esse dia juntas. Estamos respeitando todas as recomendações de isolamento social. Qualquer saída de casa pode ser perigosa”, lamenta Bruna.

O pai de Bruna, Hércules, de 55, trabalha e reside em Conceição do Mato Dentro, costumava vir a BH periodicamente, mas com as medidas restritivas está orientado a permanecer na cidade. “Desta vez é diferente, porque eu e minha mãe estamos na mesma cidade e seria o primeiro Dia das Mães com o Teo. Na Páscoa, fomos à casa dela, e pela janela do carro a Luiza ficou cantando uma música para ela”, lembra. No dia dedicado às mães, o plano de Bruna é fazer uma chamada de vídeo, comprar pela internet um bom presente para Vera e enviar uma cesta de café da manhã. “Minha mãe sempre fala que está com saudade, mas que é preciso respeitar esse momento – uma simples volta na rua pode ocasionar a infecção.”
 
 
A administradora Fabiana Faria Sales, com os filhos Matheus, Bianca e Duda, diz que a tecnologia será aliada para demonstrar o amor pela mãe
A administradora Fabiana Faria Sales, com os filhos Matheus, Bianca e Duda, diz que a tecnologia será aliada para demonstrar o amor pela mãe
 
POR PROTEÇÃO 

Michelle Faêda, de 38, e suas duas irmãs sempre passaram a data com a mãe, Grace, de 60. A cabeleireira é mãe de Caio e Hugo, de 10 e 4 anos, respectivamente. Grace reside em Itaoca, no Espírito Santo, mas a distância nunca foi empecilho para que todos se encontrassem no Dias das Mães – agora é o coronavírus que quebra esse ciclo. Todos os anos, ou a mãe vinha a BH ou as filhas iam a Itaoca. “Minha mãe mora sozinha e pela primeira vez vai passar esse dia sozinha. Ninguém estará com ela. Isso para lhe proteger e a nós também. Estamos mesmo é preocupadas com a saúde. Além de ter 60 anos, ela é diabética, do grupo de risco”, diz Michelle.

Ela não fica tímida em dizer que desta vez também vai faltar o agrado – o presente mesmo será a ligação por vídeo para conectar a família. “Uma maneira de retribuir o carinho que ela dedicou a nós durante toda a vida. O maior presente que podemos dar a ela é preservar sua saúde. Estamos respeitando todas as medidas de proteção”, conta.

Na família da administradora Fabiana Faria Sales, de 38, neste ano o Dia das Mães também será diferente. Ela é mãe de Matheus, de 16, Bianca, de 7, e Duda, de 6 meses. Em 2020, o filho mais velho não vai passar o dia com ela. Ele mora com o ex-marido de Fabiana e optou por estar com a avó paterna, de 73, e o pai, já que a senhora ficou viúva há pouco mais de um ano e vive sozinha. Todos estão em total isolamento.

Os pais de Fabiana, Adir, de 67, e Maria de Faria Sales, também de 67, moram juntos, na companhia de outra filha, de 25, e o grupo fica completo com outro irmão, de 41. O pai e a mãe de Fabiana, além de idosos, são hipertensos, e a irmã é asmática – integram o grupo mais vulnerável quando da infecção pela COVID-19. Fabiana e o marido atual costumavam dividir o Dia das Mães entre as famílias, revezando o encontro no café da manhã ou para o almoço com a mãe de Fabiana e sua sogra. “Neste ano, vamos passar o dia na minha casa, eu, meu marido e minhas filhas. Não teremos contato com ninguém”, diz Fabiana.

A alternativa vem da tecnologia. “Faremos primeiro uma videochamada com a família do meu marido, seus irmãos e sua mãe, depois com meus irmãos e minha mãe, e depois com o Matheus e minha ex-sogra, com quem também tenho uma boa relação”, descreve Fabiana. A administradora já comprou um tablet para a mãe, que será entregue durante a chamada ao vivo. “Minha mãe de vez em quando vê as crianças pelo carro mesmo, de longe. Meu marido leva para ela as compras de supermercado, quando precisa, e deixa na garagem, sem contato. É um momento bem difícil.”





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